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28/03/2008 - 00h07

Educar mal leva pais aos tribunais em Sevilha

La Vanguardia
Celeste López

Em Madri
A promotoria de Sevilha avisa: educar mal os filhos é um delito, principalmente quando eles causam mal a outra pessoa. Se os pais acreditam que a melhor maneira de criar os filhos é deixá-los fazer o que quiserem, não estabelecer limites de qualquer tipo, dar-lhes tudo o que pedem e não lhes transmitir nenhum tipo de valores de convivência, é problema deles, mas no caso dessas crianças provocarem algum dano o peso da justiça cairá sobre os progenitores. Isto foi mais ou menos o que disseram os juízes à mãe de um adolescente que deu uma surra brutal em um colega. O tribunal condenou a mulher a pagar 14 mil euros à vítima para a reconstrução de sua boca, por considerar que ela havia educado mal seu filho.

Esse aviso afeta muitos pais. Segundo um estudo realizado pela equipe dirigida pelo catedrático de sociologia Javier Elzo, 42% dos pais fazem parte do que ele chama de famílias nominais, ou núcleos familiares permissivos, onde não há regras nem limites porque o que importa é que não haja conflitos. Nesses núcleos, as crianças crescem sem escutar a palavra "não", o que se traduz em fazer sempre o que querem, em crianças mimadas e mal-educadas. O problema é quando elas crescem. Segundo Javier Urra, o primeiro Defensor do Menor da Comunidade de Madri, esses pequenos malcriados se transformam em adolescentes agressivos, pela simples razão de que não estão acostumados a ser contrariados.

Por que os pais agem assim? Para Urra, porque é mais fácil deixar fazer do que educar no sentido literal da palavra. "Educar significa estar sempre ao pé do canhão e dizer muitas vezes 'não', e isso, em um mundo em que falta tempo e no qual os adultos chegam em casa esgotados, é uma tarefa muito difícil."

O ex-defensor do menor e autor do best-seller "O Pequeno Tirano" acredita que confluíram vários fatores que levaram os pais a educar sem limites. Primeiro, uma corrente de pedagogos e pediatras que valorizavam o fim da autoridade, junto com o sentimento de culpa de muitos pais trabalhadores por não passarem tempo suficiente com seus filhos. A estes se devem somar as separações difíceis de casais, a baixa natalidade e, sobretudo, a abundância excessiva. "Vivemos em uma sociedade em que prima o consumismo. As crianças de hoje têm a sua disposição mais recursos materiais do que qualquer outra geração na história de nosso país, e quase nunca lhes disseram 'não'. Isso quer dizer que interiorizaram os direitos, mas não os deveres", salienta Elzo.

E a esse acúmulo de fatores deve-se somar outro, como indica Urra: "a permissividade da sociedade diante da tirania dos pequenos. Tudo se desculpa porque são crianças, mas o problema é que essas crianças crescem e então não há mais desculpas, mas o dano está feito".

Apesar de tudo, Elzo é um otimista. Embora ainda não tenha dados, acredita que a porcentagem de famílias permissivas diminuiu desde que ele fez o estudo anteriormente citado, em 2002. "Tenho a sensação de que a sociedade está mudando, de que os novos pais estão percebendo que é preciso impor limites aos filhos, sem chegar a ser autoritários." Mesmo sendo otimista, Urra acredita que a mudança é lenta e que muitos pais são candidatos a sentar-se no banco dos réus devido aos atos de filhos malcriados.

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