Custo social do abuso de álcool chega a 125 bilhões de euros

M. Ricart
Em Barcelona

Quanto mais barato é o álcool, maior o consumo e mais caro vem a ser seu abuso, afirmam especialistas europeus reunidos em Barcelona. O custo atribuído aos danos causados pelo consumo excessivo de álcool representa 125 bilhões de euros por ano, segundo cálculos de 2003. A conta mais elevada é a de custos trabalhistas, que somam 59 bilhões, incluindo perdas de produtividade e anos não trabalhados por morte prematura; seguida de danos causados por delitos em que interveio o álcool (33 bilhões), os custos de tratamentos de saúde (22 bilhões) e acidentes de tráfego (10 bilhões), explicou o consultor Peter Anderson.

Entre as políticas para reduzir esses danos, o mais eficaz em custo-benefício é aumentar os impostos sobre o álcool, para que diminua o consumo, enquanto se encarecem os tratamentos de saúde -mesmo que sejam os cinco minutos no consultório do clínico geral que se dedicam na Catalunha- e os controles de teor alcoólico no sangue, afirmou Dan Chisholm, do departamento financeiro da Organização Mundial de Saúde. Se a política fiscal representa para os governos um gasto de US$ 289 por vida salva por ano, o tratamento de saúde custa US$ 2.351 e os testes de sangue, US$ 2.467.

Chisholm afirmou que "há margem para aumentar os impostos e o preço do álcool na Europa, pois, em comparação com o tabaco, os impostos representam 23,3% do preço final do álcool contra 44% do tabaco (segundo cálculos de vários países)".

Países como o Reino Unido aumentaram os impostos sobre o álcool em 6%, indicou Wanderson. Na Finlândia o aumento foi de 11,5% depois que em 2004 o preço do álcool diminuiu 10% em restaurantes e locais de lazer e 20% em lojas e aumentaram 17% as mortes semanais relacionadas ao seu abuso. A Estônia também aumentou os impostos. Os especialistas afirmam que o aumento de impostos não tem por que afetar os empregos do setor.

O maior problema quando um país aumenta os impostos sobre o álcool é que cresce o comércio ilegal, ao aumentar os preços.

Por isso as autoridades dos diversos países pedem ações comunitárias. Robert Madelin, da Comissão Européia, disse que não é previsível um aumento global da fiscalidade pois exige muito consenso político e envolve pressão social.

As normativas apontam para todas as linhas. A Escócia endureceu a norma para abrir destilarias. Na Alemanha existe inclusive uma lei conhecida como "do suco de maçã", pela qual nenhuma bebida alcoólica pode ser vendida por preço inferior ao de um refresco. Vários países aumentam os impostos sobre bebidas alcoólicas mas não se considera viável um aumento global. Alguns especialistas indicam que políticas como as médicas são mais caras. E ao aumento de preços costuma se seguir um maior comércio ilegal Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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