Pingüim branco esquenta o cotidiano da Antártida

Laura Santiago
Em Barcelona

Não é tão famoso quanto o "Copito de Nieve", o gorila albino do zoológico de Barcelona, morto em 2003, mas está se lançando no mundo dos suvenires. A base antártica chilena em que se encontra o pingüim branco está ampliando suas instalações graças ao dinheiro arrecadado com a venda de lembranças. A presença do animal aumentou a popularidade do lugar, que recebe cruzeiros de turistas praticamente todos os dias. Segundo contam na base, devido à febre pelas recordações tiveram de intervir em brigas entre turistas que queriam levar um deles.

A pelagem desse singular pingüim apresenta uma descoloração chamada leucismo, na qual a transferência da melanina para a plumagem é bloqueada em algumas áreas e, portanto, apresentam cor clara em partes do corpo que são habitualmente escuras. O animal foi fotografado em fevereiro por Miguel Ángel Otero na Antártida, de onde ele escreve o blog Crônicas da Antártida para o site do "La Vanguardia".

O leucismo se diferencia do albinismo porque a perda de coloração da pele é apenas parcial. Além disso, os animais com leucismo não são especialmente sensíveis ao sol e seus olhos têm uma coloração normal.

"Os pingüins parcialmente albinos e os cor de chocolate são os mais raros e correspondem a uma rara anomalia genética", explica a "La Vanguardia" John Croxall, presidente do programa global de aves marinhas da associação ornitológica Birdlife. Apesar de se tratar de uma anomalia rara, é menos rara em aves -como os pingüins- do que em outros tipos de animal, acrescenta Santi Mañosa, professor do departamento de biologia animal da Universidade de Barcelona.

O pingüim observado por Otero em sua viagem à Antártida pertence à espécie Pygoscelis papua. Os papua, também conhecidos como pingüins de bico vermelho ou pingüins juanito, são os mais velozes embaixo d'água e chegam a atingir 36 quilômetros por hora. Na Antártida encontra-se uma das menores colônias da espécie; a maioria das colônias habita as ilhas Malvinas, as Geórgias do Sul e o arquipélago Kerguelen no oceano Índico. A população total da espécie fica em pouco mais de 300 mil casais. Os papua se caracterizam também pela distribuição das tarefas domésticas: assim como outras espécies de pingüins, mãe e pai dividem o processo de incubação dos ovos, fazendo turnos diários.

Segundo conta Otero da Antártida, o pingüim branco "fez as operadoras de turismo incluírem a estação em suas escalas". Não é de estranhar o fascínio que o animal provoca. Basta lembrar o caso de "Copito de Nieve"; depois da morte do gorila albino em 2003, as visitas ao zoológico de Barcelona caíram 12%.

O leucismo, do grego "leucos" (branco) é uma particularidade genética que pode inclusive proteger dos raios solares. A pelagem branca, assim como no caso da roupa, protege do calor. O albinismo, pelo contrário, é raro entre os pingüins. Só se conhecem quatro casos: o último morreu em um zoológico do Reino Unido em 2004. Um pingüim parcialmente albino modifica o dia-a-dia da região polar onde vive. A venda de suvenires está financiando as reformas na base chilena em que se encontra Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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