Cresce o número de tatuados arrependidos, diz pesquisa

Marta Ricart e Celeste López

Um em cada quatro jovens de 18 a 30 anos nos EUA tem uma tatuagem e cerca de 80% deles dizem estar satisfeitos por tê-la feito. A outra face da moeda é que um em cada cinco tatuados se arrepende de ter marcado sua pele com tinta e gostaria de removê-la. Só cerca de 6% farão isso, mas cada dia há mais consultas para eliminar tatuagens - também porque cada dia mais pessoas se tatuam. Esses são os principais resultados de um estudo americano que analisa os motivos pelos quais os cidadãos se tatuam e por que mais tarde querem apagar os desenhos da pele. As conclusões desse relatório podem ser extrapoladas para a Espanha, segundo especialistas consultados.

O estudo, com dados da Sociedade Americana de Dermatologia e publicado ontem na revista "Archives of Dermatology" da Associação Médica Americana, foi realizado por profissionais de quatro clínicas dermatológicas do Arizona, Colorado, Massachusetts e Texas. Suas conclusões se baseiam nas respostas dadas por 196 pessoas tatuadas que procuraram os centros citados: 25% para a primeira consulta, 55% estavam apagando tatuagens e as demais já tinham apagado alguma e agora queriam apagar outra.

Um dos dados mais relevantes é que duas em cada três pessoas que queriam eliminar tatuagens são mulheres. Cruzando esse número com os dados obtidos em outro estudo realizado em 1996, observa-se uma mudança de tendência: há dez anos 65% dos que queriam limpar os desenhos da pele eram homens.

Na Espanha, embora não haja dados claros a respeito, também se notou um aumento do número de mulheres que decidem se tatuar, já que essa prática estética era quase exclusiva dos homens há algumas décadas. É o que confirmam a Sociedade Espanhola de Medicina Estética e a Associação Espanhola de Dermatologia, entidades que indicam que também costumam ser as mulheres as que mais se arrependem depois de ter-se tatuado.

O perfil da mulher que quer eliminar a tatuagem, segundo o estudo americano, é de 24 a 39 anos, com estudos e solteira, embora com uma relação estável ou inclusive com filhos. Dois terços dos tatuados que querem eliminar suas marcas as fizeram quando tinham entre 16 e 23 anos - em 1996 eram maioria na faixa de 12 a 19 anos - e os motivos que os levaram a marcar a pele na época foram o desejo de se sentir diferente (44%), de reafirmar sua identidade e independência (33,5%) ou simplesmente como uma experiência a mais (28%).

Agora queriam apagar a tatuagem porque os envergonha, não gostaram como ficou, porque têm um novo emprego, por problemas com a roupa, por rejeição social (comentários negativos no trabalho, na escola, no ambiente...) ou por tê-lo decidido por motivo de seu aniversário, casamento ou divórcio.

Motivações semelhantes indicam as pessoas que buscam apagar tatuagens na Espanha, cujo número também cresce. Francisco López Gil, dermatologista do centro médico Teknon de Barcelona, indica que essa clínica é procurada tanto por homens como por mulheres (uma pessoa em média por semana), principalmente porque viram que a tatuagem os prejudica em suas expectativas e ambientes de trabalho - "as fizeram muito jovens e vivem em ambientes mais conservadores, onde a tatuagem é mal vista", diz o médico -, ou porque têm algum elemento afetivo do passado do qual querem se desligar (é o caso dos que têm gravado o nome de uma ex-namorada).

Concha Obregón, porta-voz da Sociedade Espanhola de Medicina Estética, salienta que na maioria dos casos a impulsividade própria da juventude é o motivo mais citado para posteriormente eliminar a tatuagem. "São jovens e portanto não olham para o futuro. Simplesmente gostam dessa moda e as fazem.

O problema surge depois, quando entram na idade adulta e a tatuagem os incomoda porque já não combina com sua personalidade. Cresceram e esse desenho faz parte do passado. Além disso, com o tempo o desenho perde cor e definição, fica feio... Outro motivo importante é o trabalho. Há profissões em que não é permitido usar tatuagens, como policiais ou comissárias de bordo, e aí eles tentam apagá-las."

As justificativas para eliminá-las por causa de um emprego novo ou o estigma social que representam mostram, segundo o estudo americano, que mesmo que o uso da tatuagem esteja muito mais extenso e normalizado do que alguns anos atrás ainda persiste na sociedade a percepção de que é um elemento marginal, que prejudica a credibilidade e a competência, sobretudo das mulheres.

De fato, elas reconhecem que enquanto seus parceiros ou amigos apóiam que usem tatuagem, não acontece o mesmo com seus pais, médicos ou o ambiente social em geral.

As tatuagens costumam ser apagadas hoje através de um laser específico, com filtros que são programados para cada cor. O que o feixe de luz faz é destruir a concentração de tinta dessa cor embaixo da pele, explicou López Gil. Quanto mais elaborada for uma tatuagem e quanto mais cores tiver, mais difícil de eliminar e ainda mais complicado não deixar rastros. López afirma que a tecnologia atual permite que a pele não fique queimada nem envelhecida, embora os dermatologistas advirtam que "a pele nunca fica como antes".

6 mil euros para apagar um desenho
"Eliminar uma tatuagem é muito mais caro do que fazê-la." É o que reconhecem dermatologistas e especialistas em medicina estética. Eles admitem que mais de um paciente comentou: "Se eu soubesse disso não teria feito". Apagar aquele desenho tribal ou as fadas, mariposas ou letras japonesas que decoram alguma parte do corpo pode oscilar entre 1 mil e 6 mil euros, pelo menos dez vezes mais do que custou fazê-la.

O preço depende do tamanho da tatuagem e das cores empregadas: o preto é mais fácil de eliminar; os vermelhos, amarelos e laranjas, quase impossível.

Essas questões e o tipo de desenho determinarão o número de sessões necessárias para apagá-la. O habitual é de cinco a dez sessões, porque não podem durar muito (cerca de um quarto de hora) para não danificar a pele.

Além disso, entre uma sessão e outra deixam-se passar algumas semanas.

"Uma sessão pode custar cerca de 500 euros, e é muito raro que uma só baste para apagar o desenho, por menor que seja. Não costumam ser menos que cinco ou seis, conforme o tamanho", explica Obregón. Outras fontes falam em não menos de 200 euros por sessão. As tatuagens que habitualmente se pedem para apagar medem de 5 a 10 cm; as maiores saem caro demais para a maioria dos tatuados.

O estudo americano revela que as pessoas que em 2006 queriam apagar tatuagens estavam com elas em média havia dez anos, contra 14 dos arrependidos estudados em 1996. O relatório também mostra que eles a retiram mais jovens, aos 30 anos, contra os 33 do estudo anterior. De uma média de duas tatuagens por pessoa passaram para quase três. Apagar uma tatuagem pode ser dez vezes mais caro que fazê-la Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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