Em busca do sósia de Mao

Isidre Ambrés

Mao está voltando para a China. No próximo 25 de dezembro será inaugurado um museu dedicado a ele e, mais tarde, uma peça de teatro.
Para representar o antigo líder chinês foi montada toda uma Operação Triunfo, com direito a votação pública pela Internet.

"Procura-se ator que se pareça com Mao para um peça de teatro". Com esse anúncio da companhia de teatro de Hunan na Internet, começou em outubro a busca para encontrar um sósia de Mao. A iniciativa tem por objetivo captar os mais de dois milhões de turistas que anualmente peregrinam a Shaoshan, a cidade natal do Grande Timoneiro. Sem dúvida, um público fiel que não pensará duas vezes para assistir à apresentação.

O motivo para o revival de Mao, segundo o responsável pela obra, o diretor do Departamento de Cultura da província de Hunan, "é que as fotos e os documentos do líder não são suficientes para transmitir seu pensamento às massas". Isso se justifica pelo fato de que nos últimos anos a população de Shaoshan tem visto aumentar de forma constante o número de curiosos por conhecer a cidade natal de Mao.

Nada menos que 130 candidatos de toda a China responderam à convocação, todos capazes de encarnar o Mao da época de 1952 a 1959. Uma etapa na qual o líder chinês impulsionou a reforma agrária, a Constituição e também presidiu o país. Mas não basta que os candidatos se pareçam fisicamente com Mao, eles também devem saber imitar à perfeição sua forma de falar, seus gestos, seus tiques, e também saber cantar, porque na peça também haverá números musicais.

A primeira seleção terminou no final de novembro. Os membros da companhia teatral da província de Hunan descartaram 110 aspirantes por não se ajustarem ao texto. Os vinte restantes compareceram com muita determinação, dispostos a superar os testes a que foram submetidos.

A seleção final começou em 1º de dezembro com os quatorze candidatos ao papel do Grande Timoneiro. A partir desta data e até hoje eles já se submeteram a testes mais difíceis, assim como à votação popular dos chineses. Suas fotos estão na Internet para que o público vote. Ao final está previsto escolher três Maos, caso surja algum imprevisto e o protagonista não possa atuar.

O espetáculo, que terá entre 30 e 45 minutos de duração, pretende ser feito com a cumplicidade do público. Ou seja, os responsáveis pelo teatro esperam que os espectadores participem do desenvolvimento da obra em resposta à interpretação de Mao.

A estréia da peça está prevista inicialmente para o Primeiro de Maio, praticamente cinco meses depois da abertura do museu dedicado a Mao Tse Tung, um projeto que começou no ano de 2006 com um orçamento de quase US$ 19 milhões. Com uma superfície de cinco hectares, essa exposição permanente sobre o líder chinês guardará cerca de 6 mil objetos pessoais, se bem que apenas cerca de 800 serão mostrados ao público. Eloise De Vylder

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