O "Berlusconi tailandês"

Isidre Ambros

A situação de crise e de instabilidade política por que passa a Tailândia nos últimos oito anos tem um nome: Thaksin Shinawatra. Uma pessoa polêmica, amada por meio país e odiada pelo resto. O homem sem o qual não é possível entender os confrontos em que mergulhou a sociedade desse país do Sudeste Asiático.
  • David Longstreath/AP - 26.mar.2009

    Manifestante antigoverno segura foto de Shinawatra



Shinawatra é para os 64 milhões de tailandeses o que Berlusconi é para os italianos. Na hora de fazer comparações, pode-se inclusive dizer que os dois são amantes do futebol. Se o primeiro-ministro italiano controla o Milan, o ex-premiê da Tailândia foi dono por algum tempo, entre 2001 e 2006, do Manchester City.

E os dois chegaram ao topo da política procedentes do mundo dos negócios. Shinawatra, como Berlusconi, é fundamentalmente um magnata que certo dia resolveu dar o salto para a política.

Nascido em 26 de julho de 1949, Shinawatra era um funcionário policial que em 1987 decidiu abandonar o órgão para se dedicar aos negócios. Fundou com sua mulher uma empresa de distribuição e aluguel de computadores para órgãos governamentais, entre eles a própria polícia.

A Shinawatra Computer Company, como se chamou a empresa, cresceu rapidamente, graças aos contratos assinados com o governo e os monopólios de telefonia celular, de televisão a cabo e mais tarde satélites de comunicações. Assim, em poucos anos se transformou na Corporação Shin, a mais importante do país, e seu fundador, no homem mais rico.

Depois de vencer no mundo dos negócios, Shinawatra quis tentar a sorte na política. Acreditou que poderia governar o país como uma empresa. Assim como Berlusconi.

A primeira coisa que fez foi fundar seu próprio partido, o Thai Rak Thai (os tailandeses amam os tailandeses). Depois transferiu todas as empresas de sua propriedade para membros de sua família. Mas isso não evitou que misturasse política com negócios quando exerceu o poder e favorecesse os interesses de sua família. Uma situação que provocou sua demissão por um golpe de Estado consentido pelo rei em 2006; ele teve de se exilar em Londres para evitar vários processos judiciais.

Mas isso não evitou que se transformasse no político mais popular do país. Como? Praticando uma política populista. Muitos criticam seu lado corrupto e de manipulador político, mas ao mesmo tempo o admiram. Foi o único político tailandês que melhorou a condição de vida dos mais pobres, tanto do campo como da cidade. Uma fórmula de fazer política econômica que o semanário "Time Asia" definiu como "thaksinomia". Um plano que permitiu aos moradores das áreas mais pobres financiar seus projetos com fundos governamentais, coisa que nunca havia ocorrido no país.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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