Blogueiros da Geração 700 na Grécia

Andy Robinson

Não são os protagonistas das revoltas, ainda que tenham participado da manifestação de protestos pelo assassinato de Alexis Gregoropoulos, e tenham apoiado a greve geral da semana passada. Não usam capuz nem botas Doc Martens. Parecem mais garotos bastante dispostos a se conformar. Mas se conformar com um salário de € 700 por mês e uma taxa de desemprego de 20% não é fácil. São os ativistas blogueiros da Geração 700, que recebe esse nome por causa do salário mínimo que muitos jovens recebem na Grécia. Jovens entre 25 e 30 anos que tentam canalizar o tédio de sua geração por redes de comunicação pela internet e organização política.

Utilizando redes de relacionamento, como Facebook e Flickr, e seu próprio site, o G700 conecta diariamente 3.500 jovens frustrados em um trabalho de ativismo organizado conhecido como netroots. "Somos principalmente trabalhadores de conhecimentos com estudos; mas a economia grega não produz bons empregos; os trabalhos com salários decentes não existem; por isso muitos acabam presos em pequenas empresas, recebendo entre € 700 e € 1.000 ao mês sem previdência social", diz Thanassis Gouglas, 30, fundador do G700.

Os G700 não são os jovens sem qualificações condenados aos McJobs - trabalhos tipo McDonalds - do modelo americano, mas sim gente que fez exatamente aquilo que os especialistas em Bruxelas lhes pediam: estudar, se qualificar, fazer uma pós-graduação ou duas. Gouglas se formou na Universidade de Cambridge e tem um mestrado pela Universidade de Atenas. Mas depois de cinco anos trabalhando por pouco e sem previdência no setor privado, ele acabou optando por um trabalho também mal pago, mas mais seguro, na administração pública.

Com a recessão, a situação ficou muito pior. "Já não somos a Geração 700, e sim 450, porque eu, por exemplo, tive de passar a autônoma, e não chego a € 500 por mês", diz Zoie Zindrou, 27, outra fundadora do G700, formada em marketing, que trabalhava para uma companhia farmacêutica. "Meu pai quer me dar dinheiro, mas eu não quero", diz. Apesar dos constantes elogios ao ensino em tempos de globalização de mercado, na Grécia ele não parece servir de grande coisa: a taxa de desemprego de diplomados é 3% maior do que para os não diplomados.

O fato é que nem nos EUA uma carreira universitária é a solução milagrosa; os salários de universitários americanos estagnaram nos últimos anos, exceto para um segmento muito reduzido de super ricos. Mas no sul da Europa o jovem com qualificações está em situação ainda pior, dizem. "Estamos dizendo o mesmo que os mileuristas na Espanha, a geração mil euros na Itália", explica Gouglas. "Não há bons empregos, estamos endividados, e desde a adoção do euro, as coisas ficaram muito caras", diz Gouglas. Outro grupo que começou a se organizar em Atenas são os imigrantes de segunda geração - albaneses, romenos, paquistaneses e africanos - , que não têm direito a receber a cidadania grega apesar de terem nascido no país.

Os tumultos de dezembro não foram protestos da Geração 700, mas sim daqueles que ainda vão ser: estudantes que ainda não viveram a dureza do mercado de trabalho. "São jovens, mas já se sentem frustrados", afirma Gouglas. Eles se perguntam, "Que vou fazer quando me formar?"

Tradução: Lana Lim

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