Província canadense usa outro local em publicidade para turistas

Rafael Ramos

Esta é uma terra de caubóis, rodeios e petróleo. Tem plantações de trigo e milho, imensas pradarias, lagos de águas cristalinas, pistas de esqui e as imponentes Montanhas Rochosas. Mas na hora de fazer uma campanha cara para incentivar o turismo, a província canadense de Alberta escolheu uma foto e um vídeo da praia de Bamburgh.

Não haveria nenhum problema a não ser pelo fato de que Bamburgh Beach fica a mais de 5 mil quilômetros dali, na costa da Inglaterra. E de que, por acaso, Alberta não tem mar. E de que uma agência de publicidade cobrou 25 milhões de dólares pelo anúncio enganoso. E de que o governo provincial se viu envolvido num gigantesco escândalo político, sendo acusado de demonstrar uma explosiva combinação de estupidez e má fé.

Uma coisa é o fato de o mundo ter se globalizado, e outra muito diferente é que uma região de montanhas como Alberta queira promover suas praias inexistentes, ou que a Costa Brava espanhola seja anunciada com fotos da Austrália e das Bahamas, ou que a cidade inglesa de Birmingham distribua pôsteres nos quais aparecem os arranha-céus de Birmingham, Alabama. O mundo pelo avesso, e alguns ganham dinheiro graças a isso.

O paradoxo é que a imagem de Bamburgh Beach escolhida para a campanha - um menino e uma menina correndo pelas dunas da praia, com o Mar do Norte ao fundo - não parece especialmente idílica, e há uma infinidade de paisagens de glaciares, picos nevados e rios turbulentos muito mais sedutores, que mostram lugares que de fato ficam em Alberta e não no condado inglês de Northumberland, a 70 quilômetros ao norte de Newcastle.

Northumberland é um lugar pitoresco, diga-se de passagem, e Bamburgh Beach tem um bonito castelo normando do século XI que abrigou reis. É um dos castelos mais fotografados da Inglaterra, mas não aparece em nenhum lugar no anúncio de Alberta, talvez porque a falsidade ficaria evidente demais. Mas se a província cercada pelas grandes pradarias do Canadá pode ter praias, por que não poderia ter também uma fortaleza medieval? A imaginação no poder!

É nessa mesma linha de raciocínio que a prefeita de Cold Lake, povoado ao nordeste de Edmonton que, como o nome indica, fica às margens de um lado de águas congeladas no inverno e muito frias no verão, pergunta-se por que tiveram que ir até a Inglaterra em busca de uma praia vulgar e comum, quando existem praias na província, ainda que sejam de lago.

Reconhecer os erros não é fácil, e tanto a agência publicitária quanto o governo de Alberta se recusam a admitir que cometeram uma gafe. A desculpa deles é o slogan da campanha, "Liberdade para criar", e o propósito dela, de demonstrar que os habitantes da província estão "abertos ao mundo", embora reconheçam que exageraram. Como disse Schiller, contra a estupidez, os próprios deuses lutam em vão.

Tradução: Eloise De Vylder

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