Batalha eleitoral da Colômbia é travada na pela internet

Joaquim Ibarz

  • AFP

    Os candidatos colombianos à presidência Antanas Mockus (à esquerda), do Partido Verde, e Juan Manuel Santos, do Partido de La U, durante debate

    Os candidatos colombianos à presidência Antanas Mockus (à esquerda), do Partido Verde, e Juan Manuel Santos, do Partido de La U, durante debate

O candidato verde, Antanas Mockus, é o sétimo político mundial com mais seguidores no Twitter e no Facebook "A rede serviu para ele se implantar onde não tinha estruturas políticas", diz uma assessora

Nunca em uma campanha eleitoral se havia apresentado uma batalha tão intensa no campo digital. O aspirante à presidência da Colômbia Antanas Mockus é o sétimo político do mundo com mais seguidores no Twitter e no Facebook (alcançou 670 mil simpatizantes nesta última rede social), em uma lista que é encabeçada por Barack Obama. Seu site é um dos de maior crescimento e dos mais visitados.

A web se transformou na Colômbia na melhor ferramenta para atrair eleitores. Mockus, candidato pelo Partido Verde, subiu com rapidez nas pesquisas (depois de conquistar 10 pontos de vantagem sobre seu principal adversário, Juan Manuel Santos, ex-ministro da Defesa do presidente Álvaro Uribe), graças aos apoios no mundo online, que multiplicaram sua popularidade. Diante dessa reação, fez das redes sociais a base de sua campanha. Como outros candidatos, Mockus utiliza várias vezes por dia suas contas nas redes sociais para divulgar propostas e mensagens pessoais. Com o mesmo fim usa seu site na web.

A popularidade alcançada em pouco tempo por Mockus demonstra a influência da Internet. Os políticos tradicionais desdenharam as redes sociais no início, mas agora tentam recuperar terreno. Através do Facebook e do Twitter, fizeram-se diversas convocações a favor de Mockus. Também foram organizados atos em Barcelona e Madri para atrair colombianos residentes na Espanha.

Andres Cavelier, especialista no uso de novas tecnologias em campanhas políticas e diretor da consultoria Fastrack-Media, salienta que "a Internet é um desafio às estratégias tradicionais, ao facilitar a interação entre eleitores em outro nível". "Já não é o proselitismo falado, mas o computador que permite a comunicação. É o início de uma forma sofisticada de comunicação política", explica.

"A Internet serviu para Mockus se implantar em regiões e estados nos quais não tínhamos estruturas políticas", comentou ao "La Vanguardia" Sandra Rodríguez, assessora de imprensa do candidato.

A ascensão de Mockus se baseou - além da boa imagem que ele conserva depois de sua passagem pela prefeitura de Bogotá - na utilização efetiva das redes sociais por seus seguidores. Seu discurso inovador marcou de maneira eficaz os jovens.

"As redes sociais me permitiram levar minha mensagem de forma maciça a todo o país, e além disso de graça!", disse Mockus. "As redes sociais são um veículo de convocação e mobilização que nos permitiram substituir as práticas clientelistas da política tradicional."

Mas a guerra entre candidatos nem sempre é limpa. A web é uma ferramenta chave para atrair eleitores, mas também serve para a guerra suja, divulgando rumores maliciosos e inventando calúnias.

A chegada à campanha de Juan Manuel Santos do polêmico assessor venezuelano Juan Jose Rendon conteve bruscamente a ascensão disparada de Mockus. A partir de então foram manipuladas declarações do candidato verde e divulgadas falsas notícias sobre supostas simpatias dele por Hugo Chávez. Mockus desmentiu, mas o mal já estava feito. Além disso, as críticas de Chávez ajudaram Santos a empatar com Mockus nas pesquisas.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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