Sarkozy impõe a seus ministros uma exemplar redução de assessores

David Martínez

  • Yoan Valat/Efe

    O presidente da França propõe corte de assessores como "exemplo de solidariedade" ao povo

    O presidente da França propõe corte de assessores como "exemplo de solidariedade" ao povo

O primeiro-ministro Fillon adianta os cortes que marcarão a volta das férias. A ministra da Economia tem 34 assessores e o titular da Ecologia, 40. O governo suprimirá 7.000 residências oficiais e 10.000 carros

Em um país onde cada vez que se realiza um Conselho de Ministros participam 21 ministros e 18 secretários de Estado, ao todo 39 altos cargos (na Espanha são 18), o presidente da República Francesa teve de impor a redução dos gastos e do séquito de assessores e conselheiros que auxiliam ministros e secretários de Estado.

A revolução empreendida pelo chefe de Estado, Nicolas Sarkozy, foi imposta a seu primeiro-ministro, François Fillon, para que na volta das férias de verão sejam consideravelmente reduzidos os assessores que trabalham para cada ministério.

Antes que ocorram as mudanças no Executivo, Fillon transmitiu ontem, após o último Conselho de Ministros antes das férias, a cura de austeridade que os ministros deverão empreender no novo período: terão no máximo 20 assessores e os secretários de Estado, quatro conselheiros.

"A intenção do presidente é reduzir a fatura do Estado em tempos de austeridade, mas a verdade é que muitos ministros não aceitam de bom grado a redução de seus assessores, em um país que tem uma pesada estrutura administrativa", afirmam para este jornal fontes governamentais. "Muitos dos assessores continuarão trabalhando por conta própria a pedido de um ministro ou uma autoridade."

Também passa pela cabeça de Sarkozy eliminar algum dos 20 ministérios para reduzir gastos, mas será preciso esperar o início do próximo mês para ver como se concretizam essas intenções. Esperam-se mudanças não só na titularidade do cargo - por exemplo o do Trabalho, Eric Woerth, que está na corda-bamba por sua ligação com o caso L'Oréal -, mas também com a eliminação de alguma pasta.

Atualmente, a ministra da Economia e Finanças, Christine Lagarde, tem 34 assessores; o ministro da Ecologia, Jean-Louis Borloo, 40 conselheiros e Roselyne Bachelot, titular da Saúde, 26 assessores externos.

Segundo cálculos apresentados pelo governo, um total de 108 assessores e conselheiros perderão o emprego. Destes, 43 trabalham para ministros e 65 para secretários de Estado. Ao todo, 20% desses assessores - profissionais liberais, intelectuais e especialistas que elaboram relatórios - serão demitidos pelo Estado, que emprega 541 conselheiros entre os altos cargos.

Esse plano de austeridade não afetará o primeiro-ministro nem os funcionários de sua residência, o Hôtel Matignon em Paris, mas sim os empregados do Palácio do Eliseu, onde vive o presidente da República. Em dois anos, a folha de pagamento do Eliseu passou de 1.031 para os atuais 946 funcionários.

Sarkozy quis projetar uma imagem de solidariedade diante das dificuldades que milhares de franceses estão passando devido à crise econômica e ao aumento do desemprego. "Se os franceses estão passando mal, devemos dar o exemplo de solidariedade", disse o presidente, e com isso não voltará a gastar 275 mil euros de verbas públicas em uma ducha particular que nunca utilizou.

Serão suprimidas 7.000 residências oficiais e 10.000 veículos. Além disso, o chefe de Estado mandou cortar os gastos em vinho e recepções. Sarkozy espera contribuir para reduzir as despesas da França em 45 bilhões de euros em três anos.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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