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25/08/2005
Relatório de inquérito da morte de Menezes em Londres só vai sair em fevereiro de 2006

Marc Roche
Correspondente em Londres


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    A Independent Police Complaints Commission (IPCC, equivalente à Corregedoria da polícia no Brasil) espera agora que a notoriedade a deixará fazer o seu trabalho em paz.

    Encarregado de apurar e esclarecer as circunstâncias da morte de Jean Charles de Menezes, abatido a tiros em 22 de julho por policiais dentro do metrô de Londres após ter sido considerado por engano como sendo um kamikaze, este organismo independente de Scotland Yard --a polícia londrina-- anunciou na terça-feira (23/08) que o seu relatório será publicado em fevereiro de 2006.

    "Ninguém pode esperar que um inquérito como este seja conduzido de maneira precipitada. Ele deve ser de grande vulto e precisa ser conduzido com cuidados consideráveis", declarou o advogado da IPCC durante a audiência do "coroner", o magistrado encarregado de abrir e conduzir os inquéritos nos casos de morte repentina que ocorrem em cada um dos condados.

    Mesmo se as diligências forem concluídas antes do Natal, a Comissão aguardará a conclusão dos procedimentos jurídicos, inclusive as eventuais sanções disciplinares ou os processos penais que poderão ser intentados contra os policiais que participaram da operação ou os seus superiores na New Scotland Yard.

    A "polícia das polícias", totalmente autônoma, recebeu no mesmo dia o apoio de uma delegação brasileira que viera obter explicações das autoridades britânicas sobre o equívoco dos atiradores de elite, dias depois dos atentados abortados contra a rede de metrô e de ônibus da capital.

    "A IPCC é independente e nós confiamos plenamente nela. Nós não acreditamos por enquanto que a polícia tenha tentado ocultar a verdade", estimou Manoel Gomes Pereira, o diretor do departamento dos brasileiros no exterior do ministério das Relações Exteriores, a respeito da morte do jovem eletricista.

    Paralelamente, uma das advogadas da família, Harriet Wistrich, declarou-se satisfeita com as providências que foram tomadas para garantir a boa condução do inquérito: "Para a família, a prioridade é receber respostas apropriadas sobre os fatos e as responsabilidades, e, caso isso se revelar necessário, ter a certeza de que serão abertos processos judiciários".

    Em contrapartida, para os defensores das liberdades, a morte de um inocente não passa de mais um desdobramento em meio a tantos outros da muito extensa novela dos erros cometidos pela polícia, cujos responsáveis escaparam, no fim das contas, de toda punição.

    O comitê de apoio que foi criado em memória a Jean Charles de Menezes, cujos dirigentes exigem a demissão de Sir Ian Blair, o chefe da Scotland Yard, sublinha o atraso de cinco dias que sofreu o encaminhamento das peças do dossiê pela polícia, a qual está sendo acusada de obstrução.

    A IPCC prefere exercer seu poder de investigação das queixas contra a polícia sem publicidade alguma. Com a divulgação, pelo canal de televisão ITV, de documentos da Comissão que contêm os primeiros depoimentos de policiais que estiveram envolvidos na perseguição a de Menezes, sugerindo uma série de graves erros, a organização, que foi fundada em 2004, viu repentinamente o isolamento e a tranqüilidade que ela tanto procurava irem por água abaixo.

    O vazamento dos primeiros elementos do inquérito e de uma foto do corpo do brasileiro, feita por uma empregada, revelou-se muito prejudicial para a notoriedade da IPCC.

    Inicialmente caracterizado como jurídico, o caso "Jean Charles" acabou sendo transformado num caso político, conforme atesta o lançamento do comitê de apoio, muito controverso, vinculado ao movimento com a globalização neoliberal e aos opositores da guerra no Iraque.

    A investigação é supervisionada por Roy Clark, o diretor das operações da IPCC, um dos raros entre os 84 investigadores a ter vestido o uniforme de policial de Scotland Yard.

    Tradução: Jean-Yves de Neufville

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