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18/08/2006
A Varig tenta retomar suas atividades, após ter passado muito perto da falência

François Bostnavaron

Vendida em leilão, há menos de um mês, por US$ 24 milhões (R$ 52,3 milhões) para a VarigLog, um grupo controlado por investidores brasileiros e americanos, a companhia aérea brasileira Varig está em busca de um renascimento. De fato, o tempo vai ficando cada vez mais escasso para a transportadora brasileira, e as medidas que foram tomadas nessas últimas semanas para garantir a sobrevivência da companhia só fazem refletir as dificuldades encontradas pelos investidores que a adquiriram.

Menos de uma semana depois de ter salvado o ex-símbolo do transporte aéreo brasileiro da falência - que afundou sob o peso de uma dívida total de US$ 3 bilhões (R$ 6,41 bilhões) acumulada ao longo dos últimos dez anos -, os novos proprietários da companhia procederam a cortes drásticos de postos de trabalho, reduzindo o número de seus funcionários de 9.485 para 3.985, sendo que o objetivo é de reduzi-lo mais ainda, para 2.100.

Eles reduziram o número de rotas oferecidas pela companhia, limitando-se, por enquanto, a operar a muito rentável ponte aérea Rio-São Paulo, além de seis rotas domésticas e duas rotas internacionais (Frankfurt, Buenos Aires).

Desde o final de agosto, a Varig ambiciona recuperar seu dinamismo,
retomando suas operações numa dezena de cidades brasileiras. Ela deverá
também propor um destino internacional suplementar, para Caracas, na
Venezuela.

Por enquanto, a companhia vem operando com uma dezena de aviões apenas, o que limita o número de rotas atendidas, mas Marco Antonio Audi, o presidente da VarigLog, garantiu que "à medida que novas naves forem acrescentadas à frota, em leasing ou por aquisição, outros destinos serão imediatamente reintegrados na malha de vôos".

Marco Antonio Audi pretende aumentar o número dos seus aviões para 50 nos próximos meses. Os novos proprietários se comprometeram a fornecer os meios necessários para a retomada das atividades da companhia, investindo US$ 485 milhões (R$ 1.035,81 bilhão). Segundo informaram fontes industriais, a Varig já está negociando com a construtora brasileira Embraer para se equipar com novas unidades de E190, um avião de 100 lugares adaptado às rotas regionais. O Banco de Desenvolvimento do Brasil (BNDES) deverá financiar 85% da operação.

Preços moderados

Contudo, é principalmente em relação á sua filosofia que a companhia vai mudar. Os novos proprietários querem fazer da nova Varig uma transportadora de preços moderados, que nem por isso irá menosprezar a qualidade dos serviços oferecidos. Para descrever esta mudança, Marco Antonio Audi recorreu à seguinte frase de efeito: "A Varig vai ocupar um nicho de mercado intermediário entre a barra de cereais e o caviar".

Antes de ser vendida, a Varig não parou de perder partes de mercado. Em
relação às linhas domésticas, no final de julho, elas desmoronaram de vez, caindo para 3,54% contra 25% no ano anterior.

A Varig foi superada por uma pequena companhia, a BRA, que assumiu uma parte de mercado de 4,44% em julho. A TAM, que lidera o mercado já faz cerca de três anos, ganhou 10 pontos em um ano, passando para 51,22%, enquanto a Gol, especializada nas tarifas reduzidas, progrediu 12 pontos, passando para 36%.

Em relação às rotas internacionais, a queda é ainda mais espetacular: a TAM tornou-se a principal companhia brasileira operando no exterior (53% dos passageiros transportados), seguida pela Gol (11%). No ano anterior, a Varig tinha um domínio absoluto sobre essas rotas, com 75% do mercado.

As companhias aéreas européias também aproveitaram a oportunidade: a Air France vai aumentar em 50% sua oferta de rotas daqui até novembro,
acrescentando dois vôos semanais entre São Paulo e Paris, enquanto a British Airways vai acrescentar, em dezembro, três vôos por semana entre Londres e São Paulo às sete rotas existentes.

Será que a Varig conseguirá se reerguer tão depressa quanto ela desmoronou? Para ajudá-la nesta reconquista, três aeromoças da companhia acabam, em todo caso, de tomar a iniciativa insólita de posar nuas para a próxima edição brasileira da revista de charme "Playboy".

Cronologia

1927 : Fundação da Varig por um imigrante alemão, Otto Ernst Meyer.

1942 : A Varig efetua seu primeiro vôo internacional, para o Uruguai.

1965 : Primeiros vôos transatlânticos até Paris e Nova York.

1997 : A Varig torna-se um membro fundador da Star Alliance.

1999 : Primeiras dificuldades causadas pela desvalorização do real.

2004 : Aborta um projeto de fusão com outra companhia brasileira, a TAM.

2005 : Em junho, a Varig entra em processo de recuperação judicial.

2006 : Em julho, a Varig é vendida em leilão.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

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