UOL Mídia GlobalUOL Mídia Global
UOL BUSCA

RECEBA O BOLETIM
UOL MÍDIA GLOBAL


07/10/2006
A Ilha da Madeira, o rochedo florido do Atlântico

Do enviado especial

Há muito, os ingleses que adoram o vinho cozido e os belos jardins, dela fizeram um local privilegiado de veraneio. A 100 km da orla de Portugal e a 500 km do Marrocos, a Ilha da Madeira é um grande rochedo perdido em meio ao oceano Atlântico.

Louros, hortênsias, primaveras, camélias, azaléias, agapantos, daturas,
crescem em abundância, colorindo a paisagem com as suas flores brancas, rosas, azuis e alaranjadas. As aves-do-paraíso erguem em direção ao céu suas penugens em forma de foguete laranja e violeta. Basta penetrar no interior da ilha para se sentir tomado pela luxúria da vegetação e da flora. No inverno, as camélias cor-de-rosa, brancas e vermelhas podem ser admiradas.

Em meio a esse clima suave e levemente úmido, tudo parece poder brotar da terra e crescer. As variedades de árvores, de plantas e de flores parecem ser infinitas.

Um passeio pelos jardins de Funchal, a capital da ilha, com as suas casas de tetos de quatro vertentes, é uma fonte inesgotável de deslumbramento. Em Babosas, onde se pode chegar por meio de um teleférico, o jardim tropical Monte Palace reúne 10.000 espécies vegetais. Ele é propriedade de uma fundação que foi criada par José Berardo, um madeirense que emigrou quando era muito novo para a África do Sul, onde ele adquiriu um pequeno terreno que se revelou... diamantífero.

As quintas, moradias senhoriais que foram transformadas em hotéis, possuem elas também jardins espantosos, que são o fruto desse clima excepcional, mas também das viagens ou dos caprichos dos seus proprietários sucessivos. Na Casa Velha do Palheiro, o conde de Carvalhal havia importado no início do século 19 árvores tais como a imponente metrosideros, uma espécie de monumento vegetal originário de Nova Zelândia, cujas flores vermelhas evocam plumilhas (enfeites de plumas). Em outros lugares, os tulipeiros do Gabão ou o orgulho da Bolívia, ambos ornamentais, são característicos desta variedade
da flora.

Vastos terrenos

Os terrenos das quintas, que não raro oferecem uma vista cortada por
penhasco que mergulham no mar, são vastos o suficiente para que o visitante, que tem a sorte de se hospedar numa delas, ignore a urbanização de Funchal.

A metade dos 243.000 habitantes da ilha nelas reside. Ao longo dos últimos vinte anos, as construções se multiplicaram nessas áreas, sem que se tomasse qualquer precaução urbanística. Prédios de tamanho impressionante foram erguidos, entre outros por grupos do setor hoteleiro.

É verdade que o desenvolvimento do turismo permite oferecer empregos a uma população que por muito tempo foi obrigada a emigrar para a África ou a América do Sul, mas ele apresenta o risco de transformar aquilo que foi uma cidade charmosa numa versão reduzida de Mônaco, imprensada entre a baía e os morros.

Nem todos os hotéis têm a sorte de desfrutar a extraordinária localização e o luxo do Reid's Palace, inaugurado em 1891. Quem não dispõe dos meios financeiros para se hospedar neste centro balneário dotado de três piscinas, 128 quartos e 33 suítes ainda pode visitar suas dependências por volta das 17h, para o "high tea" ("chá nas alturas"), ou no início da noite para um aperitivo no salão que paira acima do mar. A imperadora Sissi, Rainer Maria Rilke, Winston Churchill, George Bernard Shaw e mais algumas celebridades costumavam passar suas férias no local.

Os britânicos estiveram entre os primeiros que puderam apreciar o encanto climático desta ilha, a ponto que ela constituiu por muito tempo, para alguns dentre eles, uma escala, uma espécie de etapa intermediária de aclimação entre o calor abafado dos países do Império e o retorno para as neblinas londrinas. A decoração dos hotéis, por si só, mostra que a sua influência perdura.

Rios e cachoeiras

Em toda a extensão dos seus 741 km2 (57 km de comprimento para 22 km de largura), Madeira oferece prazeres mais diversificados. Mas o relevo, de origem vulcânica, obriga o visitante a não ter pressa alguma para percorrer a ilha. Estradas estreitas, ladeiras de cerca de 25 graus e curvas extremamente acentuadas são as passagens obrigatórias para todas as excursões que motoristas de ônibus dos mais hábeis conseguem transpor.

Elas conduzem até lugares espantosos, tais como a falésia de Jirao, que
domina o oceano do alto dos seus 580 metros. Ao norte da ilha, ainda muito selvagem, os declives escarpados descem de modo abrupto até o mar. Hortênsias, fetos, florestas de castanheiros e de nogueiras compõem um tapete verde, atravessado por rios e cachoeiras.

As pequenas vilas que surgem pelo caminho permitem encontrar hotéis de todas categorias. Os restaurantes oferecem a degustação do espada, um peixe típico da ilha. Este animal de 2 metros de comprimento que vive em águas profundas (entre -600 metros e -1.600 metros), é dotado de uma carne muito branca e de uma pele muito negra. Esta aparência se deve às transformações que ele sofre por causa da mudança de pressão quando os pescadores os arrancam do fundo do mar.

Os 1.400 km de "levadas" (canais de irrigação) também servem de trilhas para excursões em meio ao relevo verdejante e a paisagens quase sempre
grandiosas. Vinhedos e bananeiras seguem sendo cultivados nesses terrenos minúsculos e terrivelmente escarpados onde o homem é obrigado a uma ginástica cotidiana para cuidar das suas culturas.

Guloseimas

Após o descobrimento da ilha pelos portugueses, em 1418, os madeirenses logo se dedicaram à produção da cana-de-açúcar, que eles vendiam, entre outros para a Bélgica, em Bruges e em Antuérpia, em troca de obras-primas da pintura flamenga, que hoje estão expostas em seus museus.

Mais tarde, eles não resistiram à concorrência das Antilhas. Daquele período eles conservam um mel à base de cana-de-açúcar, que possui um gosto delicado de alcaçuz, e, sobretudo, um delicioso bolo de mel extremamente perfumado e saboroso.

Alguns lugares da ilha foram planejados de modo a poder instalar cadeiras de praia e permitir que as crianças possam brincar na água, cuja temperatura é de 18 ºC no inverno e de 22 ºC no verão, mas aqueles que gostam de ficar torrando na areia da praia não encontrarão o que procuram em Madeira. Isso porque toda a circunferência da ilha é formado por penhascos que mergulham no oceano. Em contrapartida, a pesca pode ser praticada. E o mergulho permite observar de perto meros (grandes peixes de até 3 metros), golfinhos e bárbus-de-cinco-listras.

A meia-hora de avião ou duas horas de barco de distância, a ilha de Porto Santo oferece, por sua vez, uma praia de areia fina e dourada. As duas ilhas de Selvagens e Desertas, em contrapartida, não são hospitaleiras - e, aliás, permanecem desertas. Mas esses lugares são protegidos para que não seja prejudicada a nidificação dos pássaros marinhos e também na sua qualidade de último refúgio das focas-monges no oceano Atlântico.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

ÍNDICE DE NOTÍCIAS  IMPRIMIR  ENVIE POR E-MAIL

Folha Online
Reforma visual da Folha facilita a leitura; conheça as mudanças
UOL Esporte
Após fiasco de público, CBF reduz preços de ingressos para partida
UOL Economia
Bovespa reduz ritmo de perdas
perto do fim dos negócios

UOL Tecnologia
Fãs do iPhone promovem encontro no Brasil; veja mais
UOL Notícias
Chuvas deixam quatro mortos e afetam mais de 4 mil no Paraná
UOL Vestibular
Cotista tem nota parecida com de não-cotista aponta Unifesp
UOL Televisão
Nova novela da Record terá máfia e Gabriel Braga Nunes como protagonista
UOL Música
Radiohead entra em estúdio para trabalhar em disco novo
UOL Diversão & Arte
Escritor indiano Aravind Adiga ganha o Booker Prize
UOL Cinema
Novo filme dos irmãos
Coen tem maior bilheteria nos EUA





Shopping UOL

Gravadores Externosde DVD a partir
de R$ 255,00
Câmera Sony6MP a partir
de R$ 498,00
TVs 29 polegadas:Encontre modelos
a partir de R$ 699