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07/12/2006
Um templo de mais de 4.800 anos é descoberto no Peru

Chrystelle Barbier
enviada especial ao Vale de Chancay (Peru)


De longe, o morrinho de terra não chega a chamar verdadeiramente a atenção. Contudo, um buraco de 7 metros de profundidade revelou nas suas entranhas um monumento que foi construído há mais de 4.800 anos. "Era um templo", assegura Walter Tosso, o arqueólogo peruano a quem se deve em grande parte esta descoberta. "Aqui em baixo, existe um edifício de vários andares, de primeira qualidade".

No coração do verde vale de Chancay, a 100 quilômetros ao norte de Lima, a capital do Peru, cerca de 25 pessoas trabalham desde o início do ano nas escavações daquilo que, daqui para frente, passou a ser chamado de o templo de Las Chicras, do nome em língua quíchua dado aos sacos de fibras vegetais empregados naquela época para carregar as pedras, sacos esses que foram encontrados em grande número em volta do edifício.

Muito profundo, o buraco que permitiu descobrir o monumento teria sido cavado por saqueadores, que existiriam em grande número neste vale. "Eles estavam sem dúvida à procura de um túmulo da cultura chancay [1000-1500 após J. C.], rica em cerâmicas e têxteis, que são vendidos a peso de ouro no mercado clandestino", afirma Walter Tosso.

"Entretanto, em vez de artesanato e de ossadas, eles encontraram um muro extenso, que eles seguiram ao longo de vários metros de profundidade, até abandonarem as suas escavações ilegais, quando perceberam que eles não encontrariam nada mais do que isso", diz.

"Renovação do tempo"

A história poderia ter parado por aí, caso o arqueólogo não tivesse passado, por acaso, pelas proximidades do sítio. "Eu estava passeando tranquilamente no meu terreno de investigação, que diz respeito à cultura chancay, quando descobri esse buraco atípico", conta Walter Tosso.

Achando, num primeiro momento, que ele estava diante de mais um desses locais históricos que foram submetidos às pilhagens, o arqueólogo deu-se conta rapidamente de que aquele não era um túmulo tradicional: "Verifiquei que esses vestígios não são da época que eu estava estudando, mas, na qualidade de arqueólogo, pareceu-me importante proteger e conservar o monumento".

Contudo, diante da falta de interesse das autoridades, Walter Tosso está prestes a abandonar a sua empreitada visando a proteger o sítio. Mas, em 2005, a prefeitura de Huaral, ao norte da capital, acaba concordando com o projeto do cientista, que se apressa então a efetuar algumas datações. Os resultados são eloqüentes: certas partes do edifício datariam de 2.800 a 2.500 anos antes de J. C.

"Aquilo foi uma surpresa para nós, uma vez que algumas partes do muro são da época do Caral", sorri Walter Tosso, referindo-se ao famoso sítio arqueológico do Norte peruano do qual se descobriu que ele havia abrigado a civilização a mais antiga do continente americano (de 3.000 a 2.800 anos antes de J. C.).

O templo teria sido construído ao longo de um período de ao menos quinhentos anos. "Este conceito de 'renovação do tempo' existia em numerosas culturas", explica o arqueólogo. "Tratava-se de encobrir um templo com pedras e terra trazidas por meio dos 'chicras', de modo a construir um novo no mesmo lugar".

Segundo a arqueóloga peruana Ruth Shady, que é a responsável do projeto arqueológico especial de Caral, o templo de Las Chicras seria "idêntico em estilo e em tecnologia arquitetônica a outros monumentos construídos em Caral".

Área de influência

A pesquisadora estima que a existência de uma relação entre este monumento e a sociedade de Caral, instalada no vale de Supe, não apresenta dúvida alguma. Para ela, a descoberta de Las Chicras confirmaria a sua tese, segundo a qual o vale de Supe estava no centro da civilização de Caral, cuja área de influência se estendia numa superfície de 400 quilômetros de norte a sul e de 300 quilômetros de leste a oeste.

Por sua vez, Walter Tosso não exclui a possibilidade de que os andares os mais baixos do templo sejam anteriores à época de Caral.

"O que importa não é de saber quais partes são as mais antigas, e sim de descobrir qual era o papel deste monumento, o que pode permitir determinar o nível de organização social daquela época", insiste o arqueólogo que, prudente, prefere aguardar o resultado das investigações, cuja segunda fase deve ser iniciada em janeiro de 2007. "O templo de Las Chicras e o sítio de Caral são da mesma época", conclui. "Esta é a única certeza que nós temos por enquanto".

Tradução: Jean-Yves de Neufville

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