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06/01/2007
O Japão instala viveiros de corais para proteger os atóis

Philippe Pons
enviado especial a Ishigaki (Arquipélago de Okinawa)


Numa profundidade de três a quatro metros, no fundo de um mar transparente que passa do azul para a esmeralda, um quadro metálico pode ser visto em meio aos corais. Ele é formado por oito fileiras de uma dezena de colunas brancas de cerca de cinqüenta centímetros de altura, as quais comportam protuberâncias de cerâmica de 4 cm de diâmetro cuja saliência permite encaixá-las umas sobre as outras. Nos interstícios aparecem minúsculos ramos de coral.

"Esta é a primeira experiência de cultura do coral para fins de transplantes que evita danificar os maciços quando se colhe amostragens", explica Mineo Okamoto, o pai do método, um biólogo na universidade para a ciência e a tecnologia marinha de Tóquio.

O pesquisador japonês deu início às suas experimentações em 2002. Hoje, 73.000 dessas pontas de cerâmica formam os abrigos aonde larvas do coral vêm se afixar. Elas foram colocadas em cinco locais da laguna de Seiseki, entre as ilhas de Ishigaki e de Iriomote, no que vem a ser o maior maciço coralífero do Japão, ao sul do arquipélago de Okinawa. Há dez meses, uma primeira transplantação de 5.000 saliências foi efetuada sobre um fundo rochoso situado a uma dezena de quilômetros do local onde os ovos de coral haviam começado a se afixar na cerâmica.

"Nós procuramos facilitar a reprodução natural dos corais", explica o cientista, "oferecendo um abrigo substituto para as larvas que se afixam geralmente dentro de falhas dos rochedos. Uma vez que elas começaram a crescer, nós as transplantamos. Então, os jovens corais se desenvolvem ou não. É a natureza que decide. Enquanto a transplantação tradicional danifica a biodiversidade, este método evita toda manipulação".

A Agência para o meio-ambiente fornece o seu apoio para esta experiência. É verdade que tudo isso ainda é "experimental", mas "por enquanto é uma das melhores técnicas conhecidas de regeneração dos maciços coralíferos", comenta Keisuke Takahashi, o diretor-adjunto do serviço especializado na conservação do coral.

Ao largo da ilha Kuro, na extremidade sul da laguna, transplantações de embriões de corais também foram empreendidas numa superfície de cerca de trinta metros quadrados, num local onde a água tem de três a cinco metros de profundidade. Alguns deles, que ainda estavam frágeis demais, não suportaram a transplantação. Mas outros se desenvolveram. Por este local passam correntes que remontam ao longo das outras ilhas e que poderiam carregar larvas para outros maciços coralíferos.

Com isso, o Japão vem acompanhando de perto a experiência, uma vez que ele possui cerca de 96.000 hectares de recifes coralíferos. Trata-se de uma riqueza que ele precisa proteger por ela estar ameaçada - um terço dos corais do planeta desapareceram ao longo dos últimos quarenta anos, mas também porque as ilhotas que os abrigam são estratégicas para o país.

Ora, na extremidade a mais meridional do Japão, as minúsculas ilhotas inabitadas de Okino Tori, que protegem 11 km de recifes coralíferos, vêm afundando lentamente dentro do mar. Caso elas desaparecerem, Tóquio não mais poderá exercer a sua soberania econômica sobre os 400.000 km2 que ele controla atualmente. O que também desaparecerá para o Japão é a possibilidade de controlar uma área cuja superfície é equivalente àquela do seu território terrestre.

Diante disso, desde 1987, Tóquio vem se empenhando em reforçar essas ilhotas por meio de blocos de concreto, mas a convenção das Nações Unidas sobre o direito do mar não reconhece as ilhas artificiais na definição que ela faz das zonas de economia especial. É por isso que a barreira de coral de Okino Tori, que forma um dique protetor das ilhotas, suscita todos os cuidados por parte das autoridades.

Sob a supervisão da Agência das pescas, o laboratório de Akashima (Okinawa) acaba de dar início a uma experimentação de criação artificial das colônias coralíferas a partir de ovos colhidos nos maciços de Okino Tori. Quando eles forem resistentes o suficiente, os jovens corais serão novamente inseridos nos seus locais de origem. Este é o primeiro teste em grande escala de uma cultura a partir da postura de ovos dos corais.

Segundo Yoshimi Suzuki, um professor de bioquímica na universidade de Shizuoka e responsável de uma pesquisa conjunta com especialistas do IRD (sigla em francês para Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento) de Marselha, "essas experimentações constituem um passo importante, mas, para conservar esses implantes, é preciso descobrir também como conservar os equilíbrios globais do ecossistema coralífero de um ponto de vista microbiológico".

Um local único ameaçado pelo aquecimento

A laguna de Seiseki se estende por uma superfície de 270 quilômetros quadrados. Em 1972, ela foi classificada como Parque marinho nacional pela Agência do meio-ambiente, e abriga em suas águas 363 espécies de corais. Trata-se de um formidável foco de biodiversidade que faz desta "floresta tropical sob o mar" uma rival em termos de beleza dos mais famosos recifes coralíferos - os da Grande Barreira australiana, ao largo do Queensland, e aqueles, também, da Nova Caledônia.

A laguna, por onde circula a "corrente negra", um fluxo quente que remonta do sul ao longo do arquipélago de Okinawa para banhar então o litoral do Japão, foi vítima nos últimos anos do aquecimento das águas. A conseqüência desse fenômeno foi uma destruição parcial dos corais.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

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