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01/02/2007
A campanha de José Bové está sendo organizada em regime de emergência

Nabil Wakim

José Bové anuncia a sua candidatura à eleição presidencial nesta quinta-feira, 1º de fevereiro, na sede da Bolsa do Trabalho de Saint-Denis (periferia de Paris). "Eu quero dar uma chance a todo mundo de votar. Todos aqueles que não se reconhecem no duelo entre Ségolène Royal (Partido Socialista) e Nicolas Sarkozy (UMP, direita governista) devem poder manifestar a sua opinião", declara o líder do movimento por uma outra globalização e contra o neoliberalismo, em entrevista que ele concedeu ao diário "Le Parisien", a ser publicada na quinta-feira.

Adalberto Roque/AFP 
José Bové lança sua candidatura à Presidência para governar para 'uma França invisível'

Incluído pela primeira vez numa pesquisa de opinião, realizada pelo instituto Ifop, a ser publicada na revista semanal "Paris Match", esta lhe atribui 3% das intenções de voto, e não o diferencia dos seus rivais "antiliberais".

"Existe uma França cidadã, uma França que está se mexendo, nos bairros, nas aldeias, e praticamente por todo lugar. É para todas essas pessoas, para esta França invisível, que eu anuncio nesta manhã que sou candidato", declarou o antigo porta-voz da Confederação Camponesa no "Le Parisien".

Apesar do apoio de 32.000 signatários de uma petição em seu favor, José Bové ainda não dispõe de uma equipe estruturada para servir-lhe como base nesta campanha, longe disso. Militantes "vermelho-verde" dos Alternativos, jovens membros do movimento por uma outra globalização, além de sindicalistas estão estudando a maneira de implantar e tornar viável esta campanha atípica.

Em primeiro lugar, "esta não é apenas mais uma candidatura, e sim uma candidatura que pretende reunir para oferecer respostas frente à direita", justifica Roland Mérieux, um militante dos Alternativos. Este que deverá ser um futuro responsável financeiro de José Bové avalia de maneira "positiva" as primeiras pesquisas: "Elas nos motivam a partir para a luta".

Na terça-feira, 30 de janeiro, uma pesquisa realizada pela CSA por encomenda do "Le Parisien" deu conta de que 32% dos simpatizantes de esquerda e 48% dos simpatizantes dos ecologistas querem que José Bové se apresente nesta eleição... Mas, no total, 71% dos entrevistados se disseram desfavoráveis à sua candidatura.

Para Roland Mérieux, o que importa é o candidato poder se dirigir ao maior número de pessoas: "Nós não estamos aqui para falar apenas com Olivier Besancenot [líder da Liga Comunista Revolucionária - LCR, de extrema-esquerda]". Além do perigo que ele representa, à esquerda, para o candidato da LCR ou para Marie-George Buffet (do partido Comunista - PCF) e Dominique Voynet (Ecologistas), o candidato do movimento por uma outra globalização poderia seduzir "pelas beiradas" uma parte do eleitorado socialista.

Divisões no PCF e na LCR

A aliança que se formou em volta de José Bové pode parecer disparatada. Os apoios oferecidos ao líder do movimento por uma outra globalização provêm de horizontes diversos, dos grupos antiliberais e dos defensores do "não" no referendo europeu de 2005. Entre os Ecologistas, a vice-presidenta do conselho regional de Ile-de-France (região parisiense), Francine Bavay foi suspensa, na noite de terça-feira, das suas funções na direção do partido ecologista por ter apoiado a iniciativa de José Bové.

No Partido comunista, uma forte divisão já havia sido provocada pelo anúncio da candidatura de Marie-George Buffet. Aqueles que queriam uma candidatura unitária vêem com bons olhos a candidatura de José Bové. Vários deputados do PCF (François Asensi, Patrick Braouezec, Fréderic Dutoit e Jacqueline Fraysse) e prefeitos de feudos comunistas (Nanterre, Saint-Denis, Aubagne) lançaram um apelo dos "eleitos que não se conformam", em apoio ao sindicalista camponês.

O vice-presidente do conselho general (câmara municipal) do departamento do Val-de-Marne, Jacques Perreux, poderia até mesmo vir a ser um dos principais animadores da sua equipe de campanha. Contudo, outros eleitos ou militantes do PCF, tais como Pierre Zarka, uma figura da corrente "por uma nova fundação", se mantêm distantes.

O partido de Olivier Besancenot, por sua vez, está praticamente rachado no meio por esta candidatura. "Ela está abalando seriamente as estruturas na Liga", avalia um membro da corrente minoritária, que representa mais de 40% do partido. Os minoritários pediram à direção nacional para que esta retome os contatos como os grupos antiliberais e estude a possibilidade de iniciar um diálogo com José Bové. Resposta do estado-maior da LCR: já é tarde demais, a campanha de Olivier Besancenot já começou, não há mais tempo para discussões. Isso não impediu alguns militantes da LCR de se declararem a favor de José Bové.

Para todos eles, o que mais importa "é criar uma dinâmica", explica um militante de um grupo parisiense: "Depois disso, nós veremos o que acontecerá". "Se no mês de março, nós percebermos que a campanha não levantou vôo, voltaremos a debater a questão", comenta. Roland Mérieux confirma: "Esta é uma candidatura responsável, e não uma candidatura que simplesmente pretende ir até o fim".

Uma campanha focada nas periferias

Se José Bové optou por anunciar a sua candidatura em Saint-Denis, certamente não foi por acaso. Em primeiro lugar, porque o ex-porta-voz da Confederação camponesa conta com o apoio do prefeito e do deputado da cidade, ambos comunistas. Mas também porque a campanha do líder do movimento por uma outra globalização deverá estar focada na situação nas periferias, com a reivindicação de um "plano Marshall" para os bairros populares, no quadro de um "plano de emergência social".

Entre 80 e 200 assinaturas

Segundo militantes que o apóiam, José Bové teria reunido entre 80 e 200 apadrinhamentos, dos 500 necessários (para poder se candidatar à presidência). O líder antiliberal deverá poder contar com o apoio de várias dezenas de prefeitos comunistas que se declararam simpatizantes da sua candidatura. Mas ele espera, sobretudo, poder encontrar apoios entre as centenas de prefeitos que haviam declarado a sua comuna "zona sem culturas transgênicas".

Tradução: Jean-Yves de Neufville

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