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23/02/2007
O centro de Beirute "agoniza", asfixiado pelas crises

Mouna Naïm
correspondente em Beirute, Líbano


Os carregadores da empresa de mudanças acabam de retirar os assentos redondos tão apreciados pelos amadores de cafezinho e do "croissant". Uma jovem garçonete embrulha os últimos bolos confeitados que datam da véspera. A cervejaria Second Cup fechou suas portas na quarta-feira, 21 de fevereiro. Dois dos três empregados serão transferidos para as duas sucursais na parte leste de Beirute e em Kaslik, que fica a cerca de vinte quilômetros mais ao norte. A jovem garçonete vai amargar o desemprego. Ela faz este comentário com um sorriso, mas ela está preocupada. Onde encontrar trabalho nesses tempos de crise econômica aguda?

Marwan Naamani/AFP 
No centro de Beirute, no dia 20 de fevereiro, os clientes eram raros nos cafés e restaurantes

O centro comercial de Beirute, que fora reconstruído num prazo recorde depois do final da guerra de 15 anos (1975-1990) pela companhia Solidere, do antigo primeiro-ministro assassinado Rafic Hariri, está hoje amplamente destruído. Ele "agoniza", escrevia dias atrás Hazem Al-Amine, um dos jornalistas estrelas do diário saudita "Al-Hayat", cuja sede regional se encontra precisamente no coração da capital.

O Zaman, o Scoozi, o Balad, o Karamna, o Kiub's, o Caspers and Gambinis... Os restaurantes e diversos cafés que encerraram um após o outro as suas atividades se contam às dezenas.

Dezenas de comércios antecederam ou seguiram o movimento. Apesar das crises repetidas desde o assassinato, há dois anos, de Rafic Hariri, todos eles haviam conseguido agüentar o tranco, convencidos de que toda crise tem um fim. O acampamento que a oposição montou desde 1º de dezembro de 2006, a pouca distância das suas portas, foi para eles o golpe de misericórdia. Nem todos dispõem de sucursais para compensar a perda. Centenas, e possivelmente milhares de assalariados daqui para frente encaram o desemprego.

Os "acampados" não cometeram quaisquer depredações, mas tão logo eles se instalaram, alguns comércios foram forçosamente condenados. As suas vitrines ficaram ocultadas pelas barracas. Os outros fecharam por medida de precaução, convencidos de que aquela manifestação seria de curta duração. Ele entrou na sua 12ª semana e não deverá acabar tão cedo. Os comércios, os bares e os restaurantes reabriram desde o final de dezembro, mas o estrago já estava consumado. A aldeia de barracas que torna inacessível, exceto para os pedestres, o restante do centro da cidade que pretendia ser a vitrine do retorno à vida depois da guerra civil, teve um efeito dissuasivo. A paranóia tomou conta de alguns, que temem se encontrar frente a frente com os "acampados". Isso fez com que eles desertassem a área. Enquanto as crises se sucedem às crises, o turista torna-se cada vez mais raro.

Aqueles que não encerraram de vez as suas atividades abaixam a cortina antes do anoitecer, na hora em que os opositores começam o seu festival de discursos cotidiano. Um dos raros comércios que permaneceram abertos, a boutique Nour, que vende produtos artesanais, registra uma queda do seu faturamento de "99%". A paralisia atinge até mesmo as lojas relativamente afastadas da aldeia de barracas. A loja de discos Virgin perdeu 80% da sua clientela. Por sua vez, Berthe Hjeij, que mantém a La Bagagerie, não sabe mais a qual santo recorrer.

"Desde julho [de 2006], nada está dando certo", diz ela. "Nós fechamos durante a guerra [que opôs o Hizbollah ao exército israelense em julho e agosto]. Então, nós torcemos para que as coisas melhorassem até as festas do final do ano. Infelizmente, por causa do que está acontecendo lá em cima [o acampamento da oposição] e da sujeira, as pessoas não querem mais vir para cá. Muitos pensam que a Solidere pertence aos Hariri. Não é verdade. Aqui é um local de trabalho para pessoas que investiram", acrescenta a lojista.

"Nós estamos fartos dos conflitos políticos", comenta com irritação Berthe Hjeij. "Eu não sou partidária de nenhum dos dois campos em conflito. Eles podem perfeitamente se insultar e bater uns nos outros à vontade no Parlamento, mas não aqui! Esse pessoal pode muito bem manifestar durante um, dois, três dias, mas durante três meses! Se toda vez que um marido briga com a sua mulher, ele vier manifestar aqui, assim não dá! Já faz 16 anos que eu sou empregada nesta boutique. Dentro de dois meses, o aluguel estará vencido. Aqui, os aluguéis são muito caros - cerca de US$ 1.000 [R$ 2.079,40] por ano o metro quadrado. A razão de 50 m2 por loja, é fácil fazer o cálculo. Não aparece um único cliente. Se continuar desse jeito, nós vamos fechar e eu vou voltar para casa. Ora, eu preciso trabalhar para viver".

Os opositores ergueram as suas barracas em dezembro com o objetivo de obter a formação de um governo de união nacional dentro do qual eles passariam a deter a minoria de bloqueio. Então, eles acrescentaram a isso a exigência de eleições legislativas antecipadas. Para eles, é o governo que é responsável pela destruição, já que bastava ele ceder. Quanto às "vítimas", cabe a elas partirem para se instalar em outro lugar.

A oposição não escolheu "por acaso o centro econômico de Beirute para conduzir a sua batalha", comentava no seu artigo Hazem Al-Amine. Essa escolha "tem um alcance político, social, cultural e econômico". É o lugar emblemático do "projeto de reconstrução da segunda república [do pós-guerra civil] (...) e a importância do projeto 'haririano'" que são visados.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

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