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11/05/2007
Cientistas põem em evidência os mecanismos do aparecimento do diabetes

De Paul Benkimoun

Uma dieta rica em gorduras aumenta os riscos de adquirir peso e contrair um diabetes. O fato é conhecido. O que a equipe dos professores Jacques Amar e Rémy Burcelin - pólo cardiovascular e metabólico do Centro Hospitalar Universitário (CHU) de Toulouse e do Inserm (Instituto Nacional da Saúde e da Pesquisa Médica) - acaba de pôr em evidência, são os mecanismos moleculares deste fenômeno no rato. Estes estudos mostram a ocorrência de modificações da flora bacteriana intestinal e de reações inflamatórias. Os dados da pesquisa podem ser consultados, online, no site da revista americana "Diabetes".

A obesidade e a diabetes do tipo 2 são vinculadas a uma resistência à
insulina. Diferentemente do diabetes de tipo 1, que aparece logo na infância e resulta de uma insuficiência de secreção deste hormônio, a diabetes de tipo 2 surge após anos no decorrer dos quais a insulina secretada não age suficientemente sobre os tecidos do organismo para fazer diminuir a taxa sangüínea de glicose. Na diabetes de tipo 2 assim como na obesidade existem também fenômenos inflamatórios.

Meses atrás, a equipe americana de Jeffrey Gordon havia mostrado, no rato, que um desequilíbrio na flora bacteriana intestinal constitui um fator de obesidade (Reportagem publicada no "Le Monde" de 22 de dezembro de 2006). Segundo esses estudos, esta modificação da ecologia intestinal aumenta a capacidade dos ratos de extrair calorias a partir de um nutrimento.

Adotando uma abordagem paralela, a equipe dos professores Amar e Burcelin interessou-se pela flora intestinal, mas, desta vez, à procura de um fator causal na origem dos mecanismos inflamatórios envolvidos no aparecimento de uma resistência à insulina, de uma obesidade e de uma diabetes.

Os pesquisadores franceses debruçaram-se em particular sobre uma substância, o liposacaride (LPS), que é um dos constituintes da parede das bactérias de tipo Gram negativo, também conhecida pelo nome de endotoxina. Essas bactérias são produzidas continuadamente no intestino. O LPS se transfere então no sangue.

"O nosso estudo permite mostrar que o tipo de dieta seguida, dependendo de se ela é mais ou menos gordurosa, modula a quantidade de endotoxina no sangue, fora de todo processo infeccioso", explica o professor Amar. O aumento da taxa sangüínea de LPS provoca uma reação inflamatória que resulta no desenvolvimento de uma diabetes e de uma obesidade nos ratos que foram submetidos a um regime alimentar rico em gorduras.

"Nós também pudemos comprovar que esta ação inflamatória do LPS passa por um 'interruptor', no caso um receptor chamado CD14, presente em células sangüíneas assim como na superfície das células do tecido adiposo e do fígado", acrescenta o professor Amar. "Quando se inibe a reação inflamatória, impede-se com isso a aquisição de peso e o aparecimento de um diabetes nos ratos submetidos a uma dieta rica em gordura".

Perspectivas importantes

O mecanismo que conduz da inflamação até à resistência à insulina já era conhecido. A inflamação no tecido adiposo provoca a liberação de citoquines.

Esses mediadores vão agir sobre o receptor da insulina situado na superfície das células. As moléculas de insulina produzidas pelo organismo vão efetivamente se afixar neste receptor, mas a "mensagem" que elas trazem não consegue ser passada para a célula, que resiste então à insulina.

Desta forma, desponta uma avalanche de eventos, a qual foi analisada no nível molecular pela equipe de Toulouse. Resumindo: a dieta rica em gorduras modifica a flora bacteriana e facilita a passagem no sangue do LPS. A elevação da taxa sangüínea de LPS desencadeia uma reação inflamatória por intermédio de um receptor. Esta reação provoca, no rato, um aumento do peso e uma diabetes, os quais podem ser debelados inibindo a reação inflamatória.

"Esta explicação não exclui o mecanismo que foi descrito pela equipe de
Jeffrey Gordon", comenta o professor Amar.

O cientista acrescenta que a sua equipe dispõe de dados preliminares, ainda não publicados, que mostram que os processos evidenciados no rato também existem no homem, mas isso ainda está por ser confirmado. "Com esses estudos aparecem várias perspectivas importantes: seria possível prevenir o desenvolvimento de uma obesidade e de uma diabetes de tipo 2 modulando a taxa de LPS no sangue?", sublinha o professor Amar.

A resposta poderia ser fornecida no futuro estudando-se o impacto de uma modificação da flora bacteriana intestinal sobre a taxa de LPS. "Uma adaptação da flora por meio de uma alimentação apropriada seria suscetível de diminuir a passagem do constituinte tóxico da parede bacteriana do intestino para a circulação sangüínea", explica o professor Amar.

Concretamente, alguns pro bióticos, que são bactérias benéficas para o homem contidas em alimentos tais como os iogurtes, poderiam ser testados com este objetivo.

Números

Obesidade: Em 2006, a França contava cerca de 6 milhões de obesos
("Le Monde" de 20 de setembro de 2006), segundo a mais recente enquête que tem por nome Obepi (Obesidade epidemiologia). Isso representa 12,4% da população com idade acima de 15 anos e traduz um aumento de 50% em dez anos.

Uma pesquisa realizada por uma equipe francesa mostra que o crescimento dessa taxa é mais importante entre os filhos de operários, ao passo que a obesidade diminuiu entre as crianças cujos pais exercem uma profissão intermediária ou ocupam um posto de executivo. Nos Estados Unidos, 24,6% da população é considerada atualmente como obesa (ao menos 15 kg a mais do que a normal), contra 20% em 2000.

Diabetes: Em todo o mundo, mais de 200 milhões de pessoas são diabéticas. No ritmo atual, as previsões para 2030 apontam a possibilidade de haver cerca de 360 milhões de diabéticos. O aumento será particularmente acentuado nos países em desenvolvimento.

A região onde ele deverá ser o mais elevado é o Oriente Médio (+ 164%), seguido pela África (+ 162%) e a Ásia do Sudeste (+ 161%).

O aumento deverá ser de 150% na Índia, de 148% na América Latina, de 104% na China, e de 72% na América do Norte.

Na Europa, o número de diabéticos, que era de 28,3 milhões em 2000, deverá ser de 37,4 milhões, ou seja, um crescimento de 32%.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

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