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12/07/2007
Na França, a maconha continua se banalizando

Sandrine Blanchard

Chegou a "bíblia" da maconha. Desde terça-feira, 10 de julho, está disponível para o grande público o livro intitulado "Cannabis, données essentielles" (Cannabis, dados essenciais). Este constitui a primeira monografia realizada pelo Observatório Francês das Drogas e das Toxicomanias (OFDT) a respeito da substância ilícita a mais consumida na França.

Todos os resultados dos estudos, pesquisas e dados epidemiológicos, científicos ou sociológicos, os mais recentes, e em certos casos inéditos, estão aqui sintetizados para apresentar um quadro o mais próximo possível da realidade da maconha no território francês.

Conforme todos sabem, o "baseado" banalizou-se amplamente no país. Ele conta cerca de quatro milhões de consumidores, dentre os quais 1,2 milhão são usuários regulares e 550.000 usuários no dia-a-dia.

Esses números colocam a França entre os países que mais consomem a planta na Europa, ao lado da República Tcheca, da Espanha e do Reino Unido. Dentre os jovens, independentemente das categorias sociais às quais eles pertencem, a experimentação da maconha tornou-se um "modelo dominante", sublinha Jean-Michel Costes, o diretor do OFDT.

Desde 2000, o seu consumo regular alcançou praticamente o mesmo nível que o do álcool. Em 2005, 49,5% dos jovens com idade de 17 anos declararam já terem fumado maconha em momentos da sua vida, 27,9% no decorrer dos últimos trinta dias, 10,8% de maneira regular e 5,2% cotidianamente.

A experimentação, que vem sofrendo um aumento muito nítido desde o início dos anos 1990, também se tornou mais precoce. Em média, é por volta dos 15 anos que as pessoas fumam o seu primeiro baseado. Depois disso, o consumo da maconha fica mais vinculado à "intensidade da sociabilidade e dos contatos com amigos" do que ao meio social ou ao percurso escolar. Assim, o usuário de maconha é, em primeiro lugar, um "assíduo freqüentador de festas". Quanto mais o número de saídas - para ir ao café, aos pubs ou em casas de amigos -, mais o consumo aumenta.

Enquanto a experimentação da maconha não parou de se disseminar, o movimento, entretanto, parece estar se estabilizando desde 2002. Em contrapartida, a proporção de consumidores regulares (ao menos dez vezes por mês) entre os que têm entre 15 e 34 anos, passou de 3,8% em 2000 para 5,9% em 2005 e, neste caso, parece ter um vínculo direto com a situação escolar ou profissional. Se recorrermos a uma descrição esquemática, o consumo "festivo" é encontrado com maior freqüência entre os jovens oriundos de meios favorecidos que possuem um bom nível escolar.

Em contrapartida, encontramos com maior freqüência o usuário regular entre os jovens que enfrentam dificuldades ou uma situação de fracasso escolar, e ainda entre os desempregados. "Um melhor nível de instrução autoriza a experimentação e não constitui um empecilho para o usuário, mas "protegeria" de uma tendência a se dedicar a um consumo regular e de um consumo problemático", comentam os especialistas.

Este panorama traz algumas surpresas. Assim, os executivos e os profissionais de nível superior revelam ser consumidores regulares, numa proporção muito maior que a dos operários. Quanto aos estudantes do ensino superior, eles não se mostram mais "chegados" do que os jovens da sua idade que já ingressaram no mercado de trabalho. "A maconha é uma realidade complexa. Certos jovens conseguem lidar com o seu consumo e abandoná-lo eventualmente, enquanto para alguns outros este produto só faz reforçar as dificuldades que eles enfrentam", explica Jean-Michel Costes.

Para abastecerem, os usuários recorrem à doação (58,7%), à compra junto a amigos ou a traficantes (36,8%), e ainda à cultura caseira (5%), a qual se encontra em pleno desenvolvimento, inclusive nos meios urbanos. Cerca de 200.000 pessoas optaram por se dedicar à produção caseira, número considerado como uma "estimativa baixa". Cada vez mais disseminada, a maconha vem se tornando também cada vez mais barata. O preço médio de um grama de resina diminuiu de 30% em dez anos, até alcançar atualmente cerca de 4 euros (R$ 10,4).

Quanto ao grama de erva, ele custa 5 euros e mais algumas poeiras de centavos (pouco mais de R$ 13), contra 10 euros em 1996. Segundo um estudo qualitativo realizado junto a usuários regulares, o orçamento mensal que eles dedicaram à compra da maconha em 2006 situa-se entre 80 e 150 euros (entre R$ 208 e R$ 390), sem contar a compra do tabaco (quando optam por misturar os dois).

No total, o faturamento anual que a venda de maconha representa na França é estimado, com base em dados computados a partir de declarações, em 832 milhões de euros (R$ 2,16 bilhões). A parte a mais importante deste montante deve ser atribuída ao consumo dos jovens com idade de 15 a 24 anos.

Segundo avaliam os especialistas, o faturamento do tabaco, em valores brutos, alcança 13,7 bilhões de euros (R$ 35,6 bilhões), enquanto o faturamento do álcool é de 14,2 bilhões (R$ 36,9 bilhões).

Considerando-se a totalidade das despesas suportadas pela coletividade (tratamentos médicos, repressão, prevenção, etc.), o custo social da maconha pode ser estimado em 919 milhões de euros (cerca de R$ 2,4 bilhões), dos quais apenas 36,5 milhões de euros são alocados para a prevenção, contra 523,5 milhões para a repressão, o que corresponde a 0,06% do PIB, ou ainda, pouco mais de 15 euros (R$ 39) por habitante.

Comparativamente, o custo social do álcool e do tabaco alcançavam respectivamente, em 2003, 2,37% e 3,05% do PIB, ou seja, 599 euros (R$ 1.557) e 772 euros (R$ 2.006) por habitante.

Entre cânceres, doenças respiratórias e perturbações psiquiátricas, entre outros, os danos que a maconha pode causar à saúde podem ser múltiplos "sem que os estudos explicitem, até hoje, em quais níveis de consumo esses riscos são suscetíveis de aparecerem", sublinha o OFDT.

Os riscos de morte violenta são essencialmente vinculados aos acidentes de trânsito. O número anual de vítimas que sofreram diretamente das conseqüências do ato de dirigir sob o efeito da maconha seria de cerca de 230, com base num total de 6.000 mortos nas estradas.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

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