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04/12/2007
Após derrota, Chávez "felicita" oposição, mas diz ser "feito para longas batalhas"

De Marie Delcas
Enviada especial a Caracas


O presidente venezuelano Hugo Chávez foi derrotado no seu referendo. Uma curta maioria de eleitores recusou a reforma constitucional que deveria, segundo ele, garantir "a transição do país rumo ao socialismo". O chefe do Estado reconheceu o resultado que foi proclamado numa hora avançada da madrugada de domingo, 2 de dezembro, pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), com base em 90% dos votos já computados.

CHÁVEZ VENCIDO EM REFERENDO
Rodrigo Arangua / AFP
Cartaz referente ao referendo do último domingo é visto em frente a supermercado de Caracas; eleitorado venezuelano rejeitou proposta de reforma constitucional
O 'NÃO' DA POPULAÇÃO
"OPOSIÇÃO A CHÁVEZ NÃO TEM LÍDER"
CHÁVEZ 'FELICITA' OPOSIÇÃO
É "VONTADE DA MAIORIA", DIZ LULA
ÁLBUM ESPECIAL DO REFERENDO
Os 69 artigos modificados da Constituição (de um total de 350) haviam sido divididos em dois blocos: 50,7% dos eleitores recusaram o primeiro bloco, que correspondia ao projeto que foi apresentado pelo próprio presidente, enquanto 51,05% rejeitaram o segundo, que incluía as modificações acrescentadas pela Assembléia. A abstenção ultrapassou 44% do total dos eleitores.

Entre abraços efusivos, aplausos e "buzinaços", os partidários do "não"
celebraram uma vitória na qual muito poucos acreditavam. Os dirigentes da oposição, que denegriam o CNE —acusado de parcialidade— fizeram um apelo em favor da "reconciliação nacional", mas evitaram, ainda assim, todo triunfalismo contra Hugo Chávez.

Este revês eleitoral do presidente —o primeiro em nove anos— foi comemorado como uma vitória da democracia. "A oposição vai recuperar a confiança nas instituições e isso é algo muito positivo", comenta Manlio Ostili, um engenheiro que se diz feliz com a vitória do "não". "Ninguém mais vai poder dizer que Chávez é um ditador", sublinha Raul Hernandez, um executivo que trabalha numa empresa pública e se diz um "chavista" convicto.

"Eu ouvi a voz do povo"

"Aqueles que votaram contra a minha reforma, eu os felicito e agradeço a eles. Eles demonstraram que este caminho é o certo: a democracia venezuelana amadureceu", declarou o presidente venezuelano durante uma coletiva de imprensa noturna que foi transmitida por todos os canais do país.

CRONOLOGIA
1992Hugo Chávez, oficial do exército venezuelano, fracassa numa tentativa de golpe de Estado
1998Chávez é eleito presidente
1999A nova Constituição "bolivariana" é adotada por ocasião de um referendo
2000Chávez é reeleito presidente
2002Golpe contra Hugo Chávez, que renuncia, a pedido do exército, e depois é reconduzido ao poder pelos seus partidários
2003-2004Greve política na companhia Petroleos de Venezuela (PDVSA)
2004Chávez triunfa no "referendo revocatório", o qual havia sido pedido pela oposição para obter a sua demissão
2005A oposição boicota as eleições legislativas
2006Terceira eleição de Hugo Chávez
2007Reforma constitucional é rejeitada por ocasião de um referendo
Sorridente, o presidente Chávez lançou mão de ironia: "Por enquanto, nós não conseguimos", disse. Estas são as palavras que, na qualidade de tenente-coronel golpista, ele havia pronunciado, em 4 de fevereiro de 1992, no momento em que a tentativa de rebelião militar que ele estava liderando acabava de fracassar.

"Nós somos feitos para as longas batalhas", sublinhou Hugo Chávez, ao falar em defesa do seu projeto socialista. "Além disso, no passado, nós fomos capazes de transformar derrotas aparentes em vitórias políticas", acrescentou. "Eu ouvi a voz do povo, e sempre a ouvirei".

Ao ser alertado para o fato de que a reforma constitucional estava sendo rejeitada por uma parte da sua base, o presidente havia apostado, ao longo dos últimos dias, na carta do plebiscito. "Votar 'sim', é votar em Chávez, votar 'não' é votar em George W. Bush", havia insistido o chefe do Estado.

O reforma pretendia sacramentar o caráter socialista do Estado e da economia venezuelanos, além da existência dos "conselhos comunais", como a expressão do poder popular. O movimento estudantil, os partidos de oposição, a Igreja e um setor dissidente do "chavismo" haviam feito apelos para votar "não".

Teodoro Petkoff, o diretor do jornal diário "Tal Cual", lembrou que a derrota de uma reforma autoritária foi tornada possível graças aos votos destes "chavistas críticos".

O anúncio dos resultados encerrou uma noitada de apurações que se revelou tensa e repleta de suspense, ao contrário da própria votação que havia sido tranqüila. Às 18h, hora local, uma notícia da agência de notícias Reuters, aliás, deu conta da vitória do "sim", com base nas sondagens de boca-de-urna que foram realizadas por três institutos de pesquisas. O serviço de imprensa da presidência da República convocou então uma coletiva de imprensa para 20h.

Entretanto, por volta das 21h, Jorge Rodriguez, o vice-presidente da República e chefe da equipe de campanha em favor do "sim", anuncia um resultado "apertado". Ele celebra "a vitória da democracia", e conclama os seus compatriotas a manterem a calma e a respeitarem o resultado eleitoral. Naquele momento, muitos são os venezuelanos que já estão convencidos de que o "sim" foi derrotado.

A tensão aumenta. O Conselho eleitoral tarda a divulgar um primeiro boletim de apurações, ao passo que o voto eletrônico —utilizado em mais de 90% das repartições eleitorais— permitia esperar que o resultado fosse muito rápido. As ruas de Caracas estão desertas e os venezuelanos seguem acompanhando os desdobramentos em casa, e não desgrudam da frente do seu televisor. Juan Contreras, um líder comunitário do bairro popular "23 de Enero", onde, algumas horas mais cedo, Hugo Chávez havia votado, confirma que "tudo está calmo, mas as mentes estão fervendo".

Os apresentadores tentam então manter a programação atraente, à medida que as horas vão passando. Diante da falta de resultados, ninguém se atreve a fazer qualquer análise. A lei proíbe que os meios de comunicação publiquem estimativas antes da publicação do primeiro boletim oficial. Às 22h, os rumores começam a se espalhar. Os partidários do "sim" e os partidários do "não" teriam combinado entre eles de publicar os resultados o mais tarde possível —"quando todo mundo estiver dormindo"— de maneira a evitar todo e qualquer ato de violência. Mas os opositores estão com um sorriso nos lábios. Então, eles se impacientam. Às 1h10 da manhã, o Conselho eleitoral anuncia os resultados. E Hugo Chávez mostra ser um bom perdedor.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

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