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20/05/2008
A história da 'Chináfrica' ou a aventura dos chineses no continente negro

Por Serge Michel e Michel Beuret
Especial para o Le Monde


O último ato da globalização está se desenrolando longe dos olhares dos ocidentais. Os seus atores são milhares de migrantes chineses que vêm se instalando por toda parte na África com o objetivo de construir, produzir e comerciar. Serge Michel e Michel Beuret, acompanhados do fotógrafo Paolo Woods, foram ao seu encontro.

A seguir, o "Le Monde" publica trechos do prólogo do seu livro que está sendo lançado nesta terça-feira (20), intitulado "La Chinafrique, Pékin à la conquête du continent noir" (A "Chináfrica", Pequim e a conquista do continente negro, Editora Grasset & Fasquelle, 2008), ilustrado por fotos de Paolo Woods.

"Ni hao, ni hao". Nós caminhávamos havia dez minutos por esta rua de Brazzaville quando uma alegre turminha de crianças congolesas parou de correr atrás de uma bola para nos cumprimentar. Os brancos, na África, estão acostumados a ouvir saudações do tipo: "Hello mista!", "salut toubab!", ou ainda, "Monsieur Monsieur!". Mas esses moleques, alinhados e sorridentes à beira da calçada, enriqueceram o repertório. Eles gritaram: "Ni hao, ni hao", ou seja, bom dia em chinês, antes de prosseguirem o seu jogo. Para eles, todos os estrangeiros são chineses.

Algumas centenas de metros mais adiante, operários de uma companhia chinesa estavam trabalhando na construção da nova sede da televisão nacional congolesa, um edifício de vidro e de metal que parecia ter caído do céu neste bairro popular. Além disso, na entrada da rua, esta mesma companhia também construia uma mansão suntuosa destinada a um membro do governo, sem dúvida numa forma de agradecimento pela atribuição da obra da televisão. Na cidade, outras empresas chinesas estavam dando os últimos retoques no novo ministério das relações exteriores e da francofonia, e ainda tapavam os buracos de obus nos prédios atingidos pela guerra civil.

Histórias de uma nova África
A 2.250 quilômetros a noroeste dali, na periferia de Lagos, na Nigéria, a usina da Newbisco estava vivendo uma maldição. Fundada por um britânico antes da independência de 1960, esta unidade de produção de biscoitos água e sal conheceu muitos proprietários diferentes, uma vez que nenhum deles se mostrou capaz de mantê-la lucrativa num país onde as exportações petroleiras e a corrupção sufocam qualquer outra atividade econômica. Em 2000, o seu penúltimo patrão, um indiano, revendeu a Newbisco, já num estado bastante deteriorado, para o homem de negócios chinês Y. T. Chu. Quando nós entramos na usina, numa manhã de abril de 2007, um cheiro de farinha e de açúcar flutuava no ar. As esteiras rolantes carregavam a cada hora mais de três toneladas de pequenos biscoitos que eram imediatamente embalados por dezenas de operárias. "Nós cobrimos apenas 1% das necessidades do mercado nigeriano", disse Y. T. Chu com um sorriso.

Os repórteres retornam quase sempre da África com histórias dramáticas de crianças esfomeadas, de conflitos étnicos e de ondas de violência incompreensíveis. É claro, nós fomos testemunhas do tudo isso no decorrer das nossas reportagens na África ao longo dos últimos anos, mas, desta vez, no momento de começar a redação deste livro, são as imagens de uma África nova que predominam em nossa mente: as crianças de Brazzaville que cumprimentam em chinês, a usina de biscoitos de Lagos, ou ainda a auto-estrada que foi construída no Sudão, e que nós utilizamos no verão de 2007.

Nós estávamos viajando de carro havia duas horas entre Cartum e Port-Soudan quando um trecho do livro de Robert Fisk voltou a assombrar a nossa mente. Em 1993, foi numa aldeia situada à esquerda desta estrada que o repórter britânico marcara um encontro com Osama Bin Laden, que havia se refugiado no Sudão após ter conclamado os muçulmanos à guerra santa contra os americanos na Arábia Saudita. Para agradecer aos seus anfitriões sudaneses, ele explicou para Fisk que iria construir uma nova estrada de 800 quilômetros entre a capital e o grande porto. Em 1996, o terrorista foi obrigado a fugir novamente, desta vez para o Afeganistão, onde ele desenvolveu outros projetos, que não diziam respeito à engenharia civil. Quem se habilitaria a concluir a sua obra? Os chineses. Eles prevêem até mesmo construir uma ferrovia ao lado da auto-estrada. As companhias chinesas, que chegaram maciçamente ao país a partir de meados dos anos 1990, nele já investiram US$ 15 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões), em particular na exploração de poços de petróleo que fornecem atualmente à China cerca de 10% das suas importações.

Durante mais de um ano, nós percorremos milhares de quilômetros e visitamos quinze países com o objetivo de contar o que a China está fazendo na África. Esta idéia já caminhava em nossa mente havia certo tempo, mas ela acabou vingando por ocasião de um encontro improvisado com Lansana Conté, o presidente da Guiné, no final de outubro de 2006. Havia uma dezena de anos que ele não dava entrevista para a imprensa estrangeira. Por que aceitar nos receber, naquele dia, em sua aldeia natal, situada a três horas de viagem da capital, Conacri? Talvez porque precisasse provar que ele ainda estava vivo, num momento em que corriam boatos de que estava agonizando e que o país estava se deixando dominar pelo caos.

"Ao menos, eles trabalham"
De fato, a discussão foi bastante sombria, apesar do cenário encantador da imensa mansão do presidente Conté, com vista sobre o seu lago privado. Ele chamou a maior parte dos seus ministros de "ladrões" e fustigou os brancos, "que nunca pararam de se comportar como colonizadores". Cantou as glórias de uma Guiné agrícola e pareceu arrasado com a descoberta em alto-mar de jazidas petrolíferas que, em sua opinião, farão da Guiné um país ainda mais corrupto.

Uma única vez, o rosto do presidente ficou iluminado: foi quando a discussão abordou o assunto dos chineses. "Os chineses são incomparáveis!", exclamou o general idoso. Ao menos, eles trabalham! Eles não têm medo de pisar na lama junto com a nossa gente. Alguns deles são cultivadores, como eu. Eu lhes entreguei uma terra cansada; vocês deveriam ver o que eles fizeram com ela!"

A presença de chineses na África não é mais uma surpresa. Ao longo dos últimos quatro ou cinco anos, nós os vimos progredirem por todos os lados no decorrer das nossas reportagens, em Angola, no Senegal, na Costa do Marfim ou em Serra Leoa. Mas o fenômeno passou para uma outra escala. As coisas estão ocorrendo em alta velocidade, como se de repente eles tivessem multiplicado seus esforços a ponto de penetrarem no imaginário de um continente inteiro, desde o velho presidente guineense, que há muito não viaja mais, a não ser para se fazer tratar na Suíça, até os moleques congoleses, novos demais para diferenciarem um europeu de um asiático.

No espaço de poucos anos, a questão da presença da China na África, passou de um assunto complexo reservado a especialistas em geopolítica, para um tema central nas relações internacionais e na vida cotidiana do continente. E contudo, pesquisadores e jornalistas continuam trabalhando com os mesmos números macroeconômicos: o comércio bilateral entre as duas regiões foi multiplicado por 50 entre 1980 e 2005. Ele quintuplicou entre 2000 e 2006, passando de US$ 10 bilhões para US$ 55 bilhões (de R$ 16,5 bilhões para R$ 90,5 bilhões), e deverá alcançar US$ 100 bilhões -cerca de R$ 165 bilhões- em 2010. Cerca de 900 companhias chinesas já teriam se instalado em solo africano. Em 2007, a China teria tomado o lugar da França como o segundo maior parceiro comercial da África.

Só que estes são números oficiais, que não levam em conta os investimentos de todos os migrantes. Aliás, quantos são eles? Um seminário universitário que foi realizado no final de 2006 na África do Sul, onde a comunidade chinesa é a mais numerosa, arrisca o número de 750.000 para todo o continente. Os jornais africanos, por sua vez, não raro se deixam levar pela euforia e chegam a se referir a "milhões" de chineses. Do lado chinês, a estimativa mais elevada é apresentada pelo vice-presidente da Associação da Amizade entre os Povos da China e da África, Huang Zequan, que percorreu 33 dos 53 países africanos. Numa entrevista que ele concedeu ao "Jornal do Comércio" chinês, em 2007, ele avalia que 500.000 dos seus compatriotas vivem hoje na África (contra 250.000 libaneses e menos de 110.000 franceses).

Como se não passassem de integrantes de um exército de formigas, esses migrantes não têm nome, nem mesmo um rosto, e permanecem mudos. Na maioria dos casos, os jornalistas se queixam de que eles se recusam a falar. E o tom dos artigos para descrevê-los se mostra inquieto, e até mesmo alarmista, como se a chegada de uma nova potência não passasse de mais uma calamidade para o continente negro, cujos sofrimentos já são infindáveis.

Parece preferível enxergar as coisas de outra maneira. A entrada da China na cena africana poderia muito bem representar, para Pequim, o seu coroamento como superpotência mundial, uma nação capaz de fazer milagres tanto em sua própria casa quanto nas mais ingratas das terras do planeta. Além disso, para a África, este encontro talvez seja a concretização da recuperação tão esperada desde o processo de descolonização, nos anos 1960. Quem sabe, a hora do continente esteja finalmente chegando -não só a hora da realização da derradeira esperança do presidente guineense, como também dos 900 milhões de africanos-, sinal de que mais nada será como antes. Neste contexto, vale conhecer melhor os protagonistas deste enredo.

Aventura chinesa na África
Os chineses, primeiro. A história, tal como é contada no Ocidente, reza que eles vivem há milênios uma aventura trágica, essencialmente coletiva e confinada no interior das suas imensas fronteiras. Um dia de dezembro de 1978, no momento em que o Império do Meio estava apenas se recuperando dos tormentos da revolução cultural, Deng Xiaoping acenou para os seus compatriotas com um slogan revolucionário: "Enriqueçam". Vinte anos mais tarde, este se tornou o credo de 1 bilhão e 300 milhões de chineses e, ao menos para uma parte dentre eles, isto já é uma realidade. Para os outros, sobretudo os rurais, a vida tornou-se impossível. Desde tempos imemoriais, na China, esta categoria da população busca deixar a sua terra por um mundo melhor. A diáspora chinesa, dizem, é a mais numerosa no mundo, com 100 milhões de pessoas, além de ser a mais rica.

Até o ano de 2000, Pequim ainda tentava frear este movimento, de modo a evitar que a imagem do regime saísse manchada. Atualmente, o incentiva, em particular no que diz respeito aos bravos que querem tentar a sua chance na África. Aos olhos dos dirigentes chineses, e singularmente na concepção do presidente -que ganhou até mesmo o apelido de Hu Jintao, o Africano-, a emigração acabou se tornando uma parte da solução ao problema que consiste em reduzir a pressão demográfica, o superaquecimento econômico e a poluição.

"Nós temos 600 rios na China, dos quais 400 morreram por causa de poluição", afirmou um cientista em entrevista ao "Le Figaro", pedindo para que o seu nome não fosse citado. "Nós não conseguiremos superar este problema sem enviar ao menos 300 milhões de pessoas para a África!"

Até o momento, centenas de milhares deles já deram o grande salto.

É assim que termina, em meio ao mais completo silêncio, uma das últimas etapas da globalização, com o encontro das duas culturas mais distantes entre si que a terra já tenha visto. Na África, que é o seu novo "faroeste", os chineses estão descobrindo às apalpadelas os grandes espaços e o exotismo, a rejeição, o racismo e a aventura individual -e até mesmo espiritual. Eles compreendem que o mundo é mais complicado do que as descrições que dele faz o jornal "O Cotidiano do Povo". Esses migrantes se encontram ora na posição de predadores, ora na de heróis da sua própria história, ora conquistadores, ora samaritanos. É claro, eles tendem a ficar entre eles, a se alimentar da mesma forma que em seu país, não fazem esforços para aprender as línguas autóctones, nem mesmo o francês ou o inglês; e, em muitos casos, eles não escondem a sua reticência, com um careta de nojo, diante da idéia de abraçarem os costumes locais, isso para não mencionar um eventual matrimônio com uma mulher africana.

De tanto terem permanecido enclausurados atrás das suas grandes muralhas ao longo de milênios, os chineses teriam perdido a vontade de se adaptar às outras civilizações ou de coabitar com elas. Mas nenhum deles retornará incólume da África. As suas viagens, e descobertas, abalam daqui para frente a inércia da China, da mesma forma que pode ter lhe proporcionado durante os anos 1980, a sua conversão ao capitalismo. Esses chineses farão nascerem novas idéias, novas ambições.

Aliás, o seu governo, por sua vez, também passou por um processo de mudanças desde que ele intensificou a sua presença na África. Muito apegado ao seu lema de "não-ingerência" nos assuntos internos de outros países, ele vai se dando conta progressivamente de que um apoio declarado demais a certos ditadores pode causar-lhe prejuízos consideráveis. Foi assim que Pequim, após ter sido o mais confiável dos aliados de Cartum ou de Harare, tenta atualmente frear o ímpeto guerreiro do Sudão no Darfur, enquanto a sua ajuda a Robert Mugabe, o ditador zimbabuense, foi sensivelmente reduzida.

E a África, como fica?
Falemos agora da África. As potências coloniais a saquearam até 1960, quando buscaram perenizar seus interesses no continente apoiando os seus regimes mais brutais. A ajuda internacional, que é estimada em US$ 400 bilhões (cerca de R$ 660 bilhões) para todo o período que vai de 1960 a 2000 (US$ 400 bilhões não só equivalem ao PIB da Turquia em 2007, como também à totalidade dos fundos que a elite africana teria escondido nos bancos ocidentais), não produziu os efeitos esperados, e, segundo uma teoria em voga, teria até mesmo piorado as coisas. Isso não impediu a África de sobreviver por conta do sentimento de culpabilidade dos ocidentais, os quais acabaram ficando desanimados com ela. Ao provocar o fracasso de todos os programas de desenvolvimento, ao manter-se como a vítima eterna das trevas, das ditaduras, dos genocídios, das guerras, das epidemias e dos avanços dos desertos, ela se mostra incapaz de participar um dia do banquete da globalização.

"Desde a independência, a África trabalha em promover seu retorno à situação de continente colonizado. Ao menos, se este fosse o objetivo, ela agiria exatamente desta maneira", escreve Stephen Smith em "Negrologia". E este jornalista americano acrescenta, com a terrível reflexão seguinte: "Contudo, mesmo seguindo esta meta, o continente está fracassando. Ninguém mais quer adquirir qualquer coisa nele".

Errado: a China é compradora. Para alimentar o seu crescimento desmedido, a República Popular tem uma necessidade vital em matérias-primas, as quais o continente tem para dar e vender: petróleo, minérios, além de madeira, peixe e produtos agrícolas. Nem a ausência de democracia, nem a corrupção constituem obstáculos para ela. Os seus "soldados de infantaria" estão acostumados a dormir numa esteira, a não comer carne todos os dias.

Eles encontram oportunidades lá onde outros nada enxergam a não ser desconforto ou desperdício. Eles perseveram lá onde os ocidentais há muito desistiram e partiram em busca de um lucro mais certo. A China enxerga mais adiante. Os seus objetivos vão muito além dos antigos domínios reservados coloniais e desenvolvem uma visão continental a longo prazo. Alguns consideram que tal atitude não passa de uma estratégia, aprendida de Sun Tsu: "Para bater teu inimigo, é preciso em primeiro lugar apoiá-lo, de modo que ele abrande a sua vigilância; para tomar, primeiro é preciso dar".

Outros acreditam sinceramente nas parcerias nas quais as duas partes saem lucrando, o que vem a ser um slogan recorrente da propaganda de Pequim. De fato, a China faz muito mais do que simplesmente se apoderar das matérias-primas africanas. Ela também escoa os seus produtos simples e baratos e conserta as estradas, as ferrovias, os edifícios oficiais. Está faltando energia? Ela constrói barragens no Congo, no Sudão, na Etiópia, e se prepara para ajudar o Egito a retomar o seu programa nuclear civil. O país carece de telefones? Ela está equipando a África inteira com redes de telefonia sem fio e de fibras óticas. As populações locais se mostram reticentes? Ela abre um hospital, um dispensário ou um orfanato. O branco era condescendente e fanfarrão? O chinês permanece humilde e discreto. Os africanos estão impressionados. Vários milhares deles já falam em chinês ou estão aprendendo a língua atualmente. Muitos outros admiram a sua perseverança, sua coragem e sua eficiência. E a África inteira comemora a chegada desta concorrência que está quebrando os monopólios dos comerciantes ocidentais, libaneses e indianos.

Portanto, a presença da China na África é muito mais do que uma parábola da globalização, é o seu grande remate, uma profunda modificação dos equilíbrios internacionais, um terremoto geopolítico. Estaria ela se instalando na África em detrimento definitivo do Ocidente? Será ela a luz providencial para o continente em trevas? Será que ela o ajudará a assumir finalmente o seu destino? Para responder a essas perguntas, nós sabíamos disso, alguns artigos não seriam suficientes. Era preciso explorar o terreno, viajar pela África afora, ir ao encontro dos chineses e dos africanos, e buscar compreender as motivações de todos eles; era preciso escrever este livro.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

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