UOL Notícias Internacional
 

09/08/2008

As novas moléculas testadas contra a Aids são mais eficientes e menos tóxicas

Le Monde
Por Paul Benkimoun
Enviado especial à Cidade do México
E se a melhor notícia da 17ª Conferência Internacional sobre a Aids, que foi realizada de 3 a 8 de agosto na Cidade do México, proviesse dos setores que desenvolvem os tratamentos anti-HIV? Por serem mais eficientes e por apresentarem menos efeitos colaterais, as moléculas recém descobertas incitam a aplicar de maneira mais precoce os tratamentos nas pessoas infectadas. A estes avanços vieram se acrescentar os resultados positivos de diversos testes que foram efetuados com novas moléculas, além do advento de uma nova classe de medicamentos, os inibidores da integrase, uma enzima indispensável para a replicação do vírus. Essas novas moléculas já começaram a ser testadas com sucesso em pacientes com os quais as terapias em vigor não estavam funcionando.

Em seu discurso de abertura da sessão plenária, na quinta-feira, 7 de agosto, Anton Pozniak, o diretor da pesquisa sobre o HIV no Chelsea and Westminster Hospital (de Londres), fez um balanço dos avanços que foram obtidos desde a Conferência de Toronto em 2006: "Nós conseguimos desenvolver tratamentos mais eficientes e mais bem tolerados. Nós estamos verificando uma menor toxicidade a curto prazo e também no longo prazo, e dispomos agora de medicamentos mais fáceis de tomar, em menor número, e que não devem ser conservados em geladeira".

Um dos coordenadores dos testes que foram efetuados com um desses novos medicamentos, o ANRS 139 "Trio", Yazdan Yazdanpanah, do centro hospitalar de Tourcoing (Norte da França), avalia que "nunca havia ocorrido uma chegada tão maciça e simultânea de vários novos medicamentos desde aquela das triterapias, em 1996". O Trio foi testado em 103 pacientes, que vinham sendo tratados por conta de uma infecção pelo HIV havia treze anos em média.

A pesquisa avaliou o efeito de uma tríplice associação de moléculas. Uma única destas já obteve autorização para a sua comercialização, o raltegravir (ou MK 0518, da Merck). As duas outras, o darunavir e a etravirina, têm sido objetos de uma autorização temporária. Naqueles pacientes que haviam sido submetidos a muitos outros tratamentos anteriormente e que se encontravam em situação de impasse, a carga viral (o número de cópias do ARN viral no sangue) revelou-se impossível de detectar -ou seja, inferior a 50 cópias por mililitro de sangue, após 24 semanas de tratamento.

Reservatório viral
A melhor eficiência e a menor toxicidade dos novos tratamentos conduziram os pesquisadores a se interrogarem a respeito de diferentes hipóteses. Em primeiro lugar, não seria o caso de se pensar em alterar o número de moléculas utilizadas, quer começando com três e suspendendo posteriormente a ministração de algumas delas, quer começando logo o tratamento com mais de três moléculas? O estudo Appolo, que desenvolve o ANRS, visa a responder a esta pergunta. Será possível "limpar" o reservatório viral, ou seja, diminuir significativamente o vírus que persiste "em estado dormente" no momento em que a carga viral não pode mais ser detectada?

"O raltegravir provoca uma queda drástica da carga viral, e poderia ter um impacto sobre o reservatório viral, mas nós ainda não sabemos se isso teria uma tradução clínica", explica Yazdan Yazdanpanah.

Uma outra questão precisa ser esclarecida: agora que a gama de medicamentos foi ampliada, qual seria o momento certo para se começar a ministrar um tratamento? As recomendações que foram elaboradas em diferentes países tais como os Estados Unidos ou a França convergem para não mais se esperar, de modo a evitar que as defesas imunológicas sejam demasiadamente alteradas. O critério é o número de linfócitos T CD4, que são os alvos principais do HIV. Em vez de se aguardar até que o seu número diminua para 250/mm3 de sangue, a tendência atual preconiza dar início ao tratamento antiretroviral se o seu número não for superior a 350/mm3. É também aconselhado começar o tratamento quando o seu número diminui até situar-se abaixo de 500/mm3, nos casos em que a carga viral for muito elevada.

A chegada simultânea ao mercado de várias novas moléculas e de uma nova classe terapêutica poderia muito bem representar um salto qualitativo considerável para os pacientes que já conheceram muitos outros medicamentos antiretrovirais. Além disso, ela deixa antever, para os pacientes que nunca foram submetidos a nenhum deles, um tratamento eficiente e menos tóxico, considera o professor Yazdanpanah.

Entretanto, Anton Pozniak lembrou que, em todo o mundo, nem todos os doentes têm acesso aos tratamentos, e menos ainda aos mais modernos dentre eles. Jean-Yves de Neufville

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