UOL Notícias Internacional
 

12/08/2008

Centenas de pingüins encalham no litoral brasileiro

Le Monde
Annie Gasnier
Correspondente no Rio de Janeiro
Naquela manhã, os banhistas da praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, tiveram uma surpresa e tanto quando viram um pingüim-de-magalhães surgindo das ondas. Mas o pequeno animal preto e branco, enfraquecido, não ficou bamboleando elegantemente na areia. Sem demora, os nadadores-salvadores se encarregaram de ampará-lo e o conduziram ao local onde já se encontram muitos dos seus congêneres, no zoológico de Niterói, perto do Rio. Mas, este zoológico já está lotado: nele, mais de duzentas dessas aves já vêm sendo tratadas, no que vem a ser uma amostragem das centenas de pingüins que têm sido encontrados, vivos ou mortos, no litoral do Brasil desde o mês de junho.

Nesta temporada de migração, durante a qual os pingüins-de-magalhães fogem do inverno que castiga suas colônias na Patagônia, na Argentina, para seguirem os cardumes de peixes rumo ao norte, é normal encontrar alguns desses animais enfraquecidos, encalhados na orla, ao sul do Rio de Janeiro. Mas, neste ano, os pingüins encalhados revelam ser muito mais numerosos que de costume. Além disso, eles se deslocaram até locais bem mais distantes, inclusive até Maceió (no Estado de Alagoas), perto da linha do Equador. Ou seja, a milhares de quilômetros de distância das suas bases argentinas.

Uma quantidade tão grande de pingüins perdidos incentivou cidadãos anônimos a "ajudarem" os veterinários e biólogos que perderam o controle da situação, levando uma ou várias dessas aves para a sua casa. Mas esses salvadores bem intencionados, acreditando que, sob os trópicos, elas sofrem demais com o calor, as mantiveram dentro da sua geladeira ou do seu congelador, o que as mata na certa. A imprensa foi obrigada a apresentar as mensagens dos especialistas, que pedem para que os pingüins sejam mantidos envoltos em toalhas de banho, até serem entregues para os veterinários.

Em sua maioria, essas aves são jovens animais sem experiência, que estão fazendo a sua primeira viagem a caminho da África do Sul. Elas chegam à costa exaustas, emagrecidas e sofrendo de hipotermia. Em muitos casos, elas estão feridas, ou ainda, a sua penugem está encharcada de petróleo ou de óleo.

O Instituto dos Mamíferos Aquáticos (IMA), em Pituaçu, na Bahia, que improvisou um abrigo por meio de barracas e de caixas de papelão para acolher 150 pingüins, fez um apelo à população para que esta faça doações de peixes, uma vez que cada um dos seus protegidos engole 1 quilo de sardinhas por dia. A entidade conta com benévolos para examinar as aves, alimentá-las e tratá-las. Quando eles estão finalmente recuperados, os pingüins são encaminhados, de avião militar, até o Centro de Reabilitação dos Animais Marinhos (Cram), em Rio Grande (RS). Eles serão libertados em setembro, quando a migração será retomada em direção à Patagônia.

Segundo um especialista do Fundo Internacional para a Proteção dos Animais (IFAW), esses encalhes em massa "parecem ser de origem natural, uma vez que este fenômeno já ocorreu três vezes em vinte anos". A corrente marinha das Malvinas, que circula pelo sul do Brasil, estaria extremamente agitada em razão do fenômeno climático la Niña, e por causa dela os pingüins perderiam seu rumo. Jean-Yves de Neufville

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