UOL Notícias Internacional
 

13/08/2008

Lula e Pascal Lamy redobram esforços para salvar a Rodada Doha

Le Monde
Alain Faujas
Nunca se falou tanto em comércio internacional durante Jogos Olímpicos! Entre as dezenas de chefes de Estado e de governo que estiveram em Pequim nos últimos dias, muitos foram aqueles que conversaram - e não apenas com o presidente Hu Jintao - a respeito dos meios para se retomar as negociações de Doha organizadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC), as quais desembocaram num impasse, em 29 de julho, em Genebra.

Isso porque uma multidão de países ricos ou pobres, industriais ou agrícolas, liderados pelo Brasil, a Tailândia, o Chile e a União Européia, não se conformam com tamanho fracasso, temendo que este acabe desencadeando guerras alfandegárias e recessões regionais.

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A sua análise - que é também a de Pascal Lamy, o diretor geral da OMC - é a seguinte: "Faltou realmente muito pouco para que nós conseguíssemos adotar um quadro capaz de propiciar um acordo por meio do qual a agricultura, a indústria e os serviços teriam sido beneficiados por uma liberalização sem precedente, e que teria sido particularmente benéfico para os países em desenvolvimento. Nós estivemos muito perto de solucionar antigos conflitos como o da banana ou aquele do algodão. Só que nós esbarramos na questão das cláusulas de salvaguarda em caso de importações que viessem a ameaçar as produções agrícolas locais. Então, vale a pena continuar tentando".

Isso porque o método empregado estava certo. "Não era possível negociar dossiês de uma extrema complexidade entre todos os 153 países membros da OMC", analisa Antoine Bouet, um economista que atua no International Food Policy Research Institute (IFPRI, Instituto Internacional de Pesquisas sobre Políticas Alimentares), em Washington.

"A teoria dos jogos", prossegue Bouet, "nos ensina que a mais eficiente das fórmulas de discussão foi aquela escolhida por Pascal Lamy: reunir em volta de uma mesma mesa os sete países mais importantes (Estados Unidos, União Européia, Austrália, China, Brasil, Índia e Japão) que prepararão o terreno para os outros. Por mais que alguns fiquem indignados com o fato de excluírem na prática os 143 outros países, este procedimento de fato constitui um progresso: a negociação deixou de ficar limitada a dois protagonistas (Estados Unidos e UE), como acontecia no passado, passando a envolver sete interlocutores".

Falta ainda concluir, e os dois homens estão redobrando seus esforços para que este objetivo seja alcançado. O presidente brasileiro, Lula, entrou em contato com muitos dos seus homólogos para tentar convencê-los de que existem sim meios para se chegar a um acordo. Ele organizaria de bom grado uma reunião em Brasília, em meados de setembro. Ele viajou para Buenos Aires para provar que ele não é um "traidor" no que se refere à indústria dos países em desenvolvimento, diferentemente do que foi alardeado pela imprensa argentina.

Pascal Lamy, por sua vez, estava se preparando para uma visita em Nova Déli, nos dias 12 e 13 de agosto, e deverá permanecer em Washington durante a semana de 18 a 23 de agosto. Essas reuniões têm por objetivo avaliar a vontade de conciliação da Índia e dos Estados Unidos, os dois países que provocaram o fracasso da reunião de Genebra. A meta de Lamy é de tentar montar um esquema sólido o bastante daqui até as eleições americanas e indianas, de modo que os governantes que forem escolhidos pelas urnas não tenham ressalvas por fazer em 2009. O desafio continua. Jean-Yves de Neufville

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