UOL Notícias Internacional
 

14/08/2008

Polícia alemã descobre colônia de férias neonazista

Le Monde
Marie de Vergès
Correspondente em Berlim
Foi um campo de férias de um tipo um tanto peculiar que descobriram na sexta-feira, 8 de agosto, os inspetores da polícia do Mecklemburgo-Pomerânia-Ocidental, uma região do nordeste da Alemanha. Instalada na área central de um vasto terreno privado coberto por sobosques, a organização de juventude de extrema-direita Heimattreue Deutsche Jugend (HDJ), literalmente "juventude fiel à pátria", havia plantado 14 barracas brancas.

Os policiais evacuaram a área na sexta-feira, após terem descoberto a existência de indícios de propaganda nazista. As 39 crianças e adolescentes que estavam passando suas férias no campo, com idades de 8 a 14 anos, foram enviados de volta para casa. Todos eles lá se encontravam com o consentimento dos seus pais, dos quais uma dúzia, aliás, estava presente no local.

Entre os elementos de prova que foram encontrados pelos investigadores estão fitas cassetes; livros; peças de tecido nas quais estavam impressas cruzes suásticas; e ainda mapas geográficos representando a Europa e a Alemanha conforme as fronteiras de antes de 1918. "Nesses mapas, nos quais não constava nenhum nome, as crianças deviam, por exemplo, situar "a província alemã de Memel", um território que pertence hoje à Lituânia", relata o porta-voz da polícia de Rostock. "A maioria dentre eles estava trajando um uniforme composto por uma bermuda cinza e uma camiseta azul claro", descreve o funcionário.

Proibição exigida
A organização pretende se valer de sinais que façam com que ela se pareça com os grupos de escotismo e as imagens que lhes dizem respeito. A insígnia que ela escolheu como símbolo representa uma fogueira de acampamento. O tom empregado pelos seus dirigentes remete à retórica ultranacionalista: em seu site na Internet, a HDJ descreve a si mesma como "um movimento de juventude devotado ao povo e à pátria, destinado a todas as moças e a todos os rapazes alemães de 7 a 29 anos".

Chocados pelos relatos das tentativas de doutrinamento às quais as crianças foram submetidas, diferentes responsáveis políticos, tanto os de direita como os de esquerda, exigiram que a organização fosse proibida. Na opinião de muitos especialistas, a HDJ é a herdeira direta do movimento neonazista Jeunesse Wiking, proibido desde 1994. Segundo certas estimativas, ela reuniria cerca de 400 membros, majoritariamente no leste do país.

Este caso vem lembrar, aliás, que a ex-RDA (a antiga Alemanha Oriental) continua sendo a mais atingida pelo ressurgimento da extrema-direita desde a reunificação, em 1990. "Não se deve exagerar a importância da direita radical na Alemanha, mas a sua particularidade é de estar muito implantada nos "novos Länder" [Estados]. O fenômeno pode ser observado, entre outros, com essas organizações de jovens que exercem uma influência nefasta sobre uma geração inteira", explica Wolfgang Wippermann, um professor de história contemporânea na Universidade livre de Berlim e um especialista nessa vertente.

Nesse sentido, vale lembrar que os partidos de extrema-direita estão representados em três dos seis Parlamentos regionais da ex-Alemanha do Leste - a Saxônia, o Mecklemburgo-Pomerânia-Ocidental, e o Brandeburgo. Além disso, crimes comuns de natureza xenófoba vêm confirmar regularmente a influência que os neonazistas exercem. Jean-Yves de Neufville

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