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15/08/2008

Pobreza e energia são desafios de Lugo na presidência do Paraguai

Le Monde
Christine Legrand
Em Buenos Aires
O novo presidente do Paraguai, o ex-bispo Fernando Lugo, assume suas funções nesta sexta-feira (15). Ele deverá enfrentar vários desafios, pois sua eleição à frente de uma coalizão de centro-esquerda, em 20 de abril, provocou imensas esperanças nesse pequeno país minado pela pobreza e a corrupção, mas que não deixa de ser um enclave estratégico na América Latina. "Imagine o que significa assumir a presidência sem medicamentos nos hospitais, sem combustível em um país devastado, que pode se incendiar em menos de dois ou três meses", advertiu Lugo há pouco tempo.

Na véspera de sua posse, o presidente denunciou um complô orquestrado pelo governo de saída, do Partido Colorado, no poder há 61 anos, aliado tradicional de poderosos grupos econômicos. Lembrando que 35% dos 6 milhões de paraguaios vivem na pobreza e 20% na indigência, ele anunciou novos impostos para saldar a dívida social.

Eleito com 40,8% dos votos, o presidente Lugo não goza de maioria no Parlamento. Divergências existentes no seio da coalizão heterogênea que ele levou ao poder, a Aliança Patriótica para a Mudança, que reúne partidos e movimentos de esquerda do mundo agrário, indígena e sindical, assim como o Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA). Liberais criticaram a escolha do ministro das Relações Exteriores, Alejandro Hamed, que foi embaixador no Líbano. A embaixada americana em Assunção considera Hamed um inimigo de Israel e um defensor da causa palestina.

Lugo se diz próximo do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. As relações entre Assunção e Brasília, no entanto, correm o risco de ser colocadas à prova sobre a questão energética e pela presença de 300 mil brasileiros que trabalham na agricultura instalados no sudeste do Paraguai. Esses "brasiguaios" que cultivam a soja desde os anos 1970 temem ser expropriados.

O peso do Brasil
Lugo prometeu uma reforma agrária "integral" nesse país basicamente agrícola, onde 1% da população controla 77% das terras cultiváveis. O novo presidente, que se havia feito o apóstolo dos camponeses sem-terra quando era bispo de San Pedro, uma das regiões mais pobres do Paraguai, condenou a recente destruição de plantações pertencentes a grandes fazendeiros brasileiros. O dirigente agrário Elvio Benitez acusa os brasiguaios de ocupar ilegalmente terras paraguaias. Ele criticou na quarta-feira (13) a escolha do ministro da Agricultura, Candido Vera Bejarano.

Reivindicando a "soberania energética" de seu país, Lugo pede uma revisão do tratado que rege a central hidrelétrica de Itaipu, que o Paraguai compartilha com o Brasil. Os paraguaios consomem apenas 12% da energia produzida, mas têm a obrigação de vender a excedente aos brasileiros a um preço bem inferior ao de mercado.

Brasília se diz disposta a discutir o preço da eletricidade, mas rejeita uma revisão do tratado antes do reembolso dos créditos obtidos para a construção de Itaipu, em 2023. Lugo renunciou a nomear para a direção da central seu principal conselheiro, o engenheiro Ricardo Canese, crítico virulento do Brasil, que acusa de "roubar" a energia do Paraguai. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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