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18/08/2008

Paulo Coelho, "Harry Potter" e "Pinóquio" em árabe são proibidos em Israel

Le Monde
Benjamin Barthe
Correspondente em Jerusalém
A lista das ameaças que pesam sobre o Estado de Israel acaba de receber um acréscimo de peso: trata-se da versão em árabe de "Pinóquio", o célebre conto infantil, criado no final do século 19 pelo escritor italiano Carlo Collodi. Alegando que este livro foi impresso num "país inimigo", no caso, no Líbano, o ministério israelense das finanças proibiu a sua importação. Esta decisão alveja mais precisamente a editora Kol Bo Sefarim, baseada em Haifa e especializada na distribuição de livros de literatura em língua árabe. Além das aventuras conturbadas da marionete de Gepetto, os palestinos de Israel não poderão ler em sua língua natal livros tão subversivos como os da série de "Harry Potter", e nem mesmo "O Alquimista" de Paulo Coelho.

Na tentativa de justificar sua iniciativa, o ministério israelense das finanças cita um decreto que foi promulgado em 1939, na época do Protetorado britânico na Palestina, que proíbe toda e qualquer forma de comércio com "países inimigos". Se esses livros tivessem sido impressos no Egito ou na Jordânia, os dois únicos países árabes que estão oficialmente em paz com o Estado judaico, a sua venda teria sido possível. Mas, pelo fato de provirem do Líbano, um país que está incluído na "lista negra" da diplomacia israelense junto com o Irã e a Síria, eles não estão autorizados a penetrar no território de Israel. "Isso é absurdo", exclama Salah Abassi, o dono da editora penalizada com a decisão, em entrevista ao diário "Maariv". "Israel já está fazendo comércio com a Síria. Maçãs das Colinas do Golã são enviadas para Damasco através do ponto de passagem fronteiriço de Kuneitra. Nós estamos no século 21. Além disso, trata-se neste caso de belas letras, não de produtos tóxicos".

Visivelmente, as autoridades alfandegárias locais não parecem concordar com essa argumentação. Dois anos atrás, elas já haviam confiscado na fronteira com a Jordânia um carregamento de 4.000 livros que haviam sido encomendados por Salah Abassi. Uma vez que eles haviam sido impressos no Líbano e na Síria, todos eles haviam sido enviados para a máquina trituradora. Este novo caso está comovendo a imprensa israelense, tanto mais que o autor da "infração" havia sido o principal instigador, no passado, de uma campanha visando a traduzir em árabe diversos sucessos de livraria israelenses, que haviam sido exportados para o Líbano, a Arábia Saudita e o Bahrein.

Chega agora a vez de Israel, sempre muito lépido quando se trata de denunciar o boicote dos seus artistas por parte dos seus vizinhos árabes, ser surpreendido em flagrante delito de censura. Daqui para frente, caberá ao ministro das finanças, Roni Bar On, suspender esta sanção. Tal decisão faria com que Pinóquio, Harry e companhia possam encantar os jovens árabes israelenses. Jean-Yves de Neufville

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