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20/08/2008

Angela Merkel completa mil dias no poder e vislumbra dificuldades pela frente

Le Monde
Marie de Vergès
Correspondente em Berlim
Angela Merkel comemorou, na segunda-feira (18/08), um aniversário um tanto peculiar: os seus mil dias no exercício do cargo. Ou seja, o período de tempo que correu desde o dia 22 de novembro de 2005, a data da eleição, pelos deputados alemães, da dirigente do Partido Democrata-Cristão (CDU) para a chancelaria da Alemanha, à frente de uma grande coalizão que reunia os conservadores (CDU-CSU) e o Partido Social-Democrata (SPD). Daqui para frente, treze meses que se anunciam desde já como repletos de perigos a separam das próximas eleições legislativas.

No final de julho, antes do recesso das férias, Angela Merkel apresentou um balanço do trabalho realizado pelo seu governo. Sem surpresa, a chanceler declarou-se satisfeita, elaborando um quadro lisonjeiro dos avanços que foram obtidos ao longo de pouco menos de três anos. Esses avanços incluem 1,6 milhão de novos empregos criados, a perspectiva de um déficit zero em 2011 para o Estado federal, encargos sociais menos elevados, e ainda, um aumento das alocações familiares.

O seu governo pode vangloriar-se de ter realizado com sucesso as principais reformas previstas pelo contrato de coalizão: a passagem para 67 anos da idade da aposentadoria, o retorno ao equilíbrio das finanças públicas, a reforma do sistema de saúde, assim como da reforma do federalismo que resultou na redistribuição de certos domínios de competência entre o Estado federal e os Länder (Estados).

Contudo, o tempo está ficando curto até as eleições legislativas. Além disso, em relação a certos dossiês, as posições da CDU e do SPD parecem irreconciliáveis. Este é o caso, entre outros, da reforma dos direitos de sucessão, que se encontra por enquanto bloqueada, ou da questão do salário mínimo, que segue dividindo os dois partidos. Entre divergências políticas e cálculos eleitorais, a paralisia está ameaçando e apresenta o risco de respingar sobre a popularidade da chanceler.

Existe também um outro obstáculo: o desaquecimento da conjuntura. Após ter colhido os frutos do retorno do crescimento e da diminuição do desemprego que foram registrados nos últimos dois anos e meio, Angela Merkel tem muito a temer de uma deterioração da situação econômica.

A líder do governo tem excelentes razões para meditar a respeito da experiência do seu predecessor, o social-democrata Gerhard Schröder. Em julho de 2001, mil dias depois de o chanceler assumir suas funções, no decorrer do seu primeiro mandato, o SPD havia aberto uma ampla dianteira nas pesquisas, com 41% das intenções de voto. Um ano mais tarde apenas, Schröder foi reeleito por conta de uma vitória muito apertada da coalizão SPD-Partido Verde. O crescimento acelerado do desemprego, na esteira da crise econômica mundial, por pouco não reduzira a pó seu projeto de governo.

"Comparar Gerhard Schröder com Angela Merkel é um pouco arriscado, pois se trata de duas personalidades muito diferentes entre si, mas a má conjuntura que se anuncia apresenta o risco de fragilizar da mesma maneira a chanceler", reconhece Gero Neugebauer, um cientista político na Universidade Livre de Berlim.

Capital de estima elevado
Nada diz que o seu partido conseguirá manter sua dianteira nas pesquisas até o pleito: a CDU e a sua aliada bávara, a CSU, vêm sendo creditadas de 43% das intenções de voto, contra 25% para o SPD, segundo uma pesquisa realizada pelo instituto Politbarometer, que foi divulgada na sexta-feira (15/08).

Contudo, Angela Merkel ainda pode apostar num capital de estima elevado junto à opinião pública, um sucesso que pode ser explicado em grande parte pelo seu desempenho impecável na cena internacional. Se o eleitorado pudesse escolher o chefe do governo por meio de um pleito direto, sem passar por eleições legislativas, Angela Merkel triunfaria com ampla folga, com 59% dos votos, segundo uma pesquisa publicada na quarta-feira (13/08) pela revista "Stern". "A popularidade da chanceler Merkel é muito superior àquela do seu partido, e isso poderia ser decisivo no momento das eleições", afirma Gero Neugebauer. Jean-Yves de Neufville

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