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21/08/2008

Dorival Caymmi, um músico brasileiro

Le Monde
Patrick Labesse
Gilberto Gil e Caetano Veloso dizem que ele é o seu pai espiritual, e João Gilberto o considera como seu ídolo. Um músico entre os mais respeitados na comunidade artística brasileira, amigo do escritor Jorge Amado (1912-2001), o cantor, autor e compositor Dorival Caymmi morreu em 16 de agosto, no Rio de Janeiro, de um câncer, que ele tratava havia vários anos, segundo declarou, na TV Globo, a sua neta Stella Caymmi. Ele tinha 94 anos.

Considerado como um dos criadores que definiram as bases da música popular moderna do Brasil, pai dos cantores Nana Caymmi, Dori Caymmi e Danilo Caymmi, ele nasceu em Salvador, Bahia, em 30 de abril de 1914. Quando a sua morte foi anunciada, os governadores da Bahia e do Rio de janeiro, onde ele vivia desde 1938, declararam luto oficial de três dias. "A sua música faz parte da herança cultural da nação", declarou o presidente Lula, ao prestar-lhe uma homenagem.

O filho de um imigrante italiano e de uma baiana, Dorival Caymmi se notabiliza pela primeira vez no final dos anos 1930, quando compõe "O Que é Que a Baiana Tem?" para a cantora e atriz Carmen Miranda (1909-1955), uma das primeiras artistas brasileiras a conquistar uma notoriedade importante na Europa e nos Estados Unidos - ela receberá o apelido de "Brazilian bombshell in Hollywood" (a brasileira explosiva de Hollywood) por conta dos incontáveis filmes que ela estrelou.

A partir do sucesso desta música, Dorival Caymmi inicia uma carreira que durará cerca de sessenta anos, ao longo da qual ele gravará mais de vinte álbuns e comporá cerca de cem músicas. Foram sambas e baladas que se tornaram clássicos, entre os quais "Samba da Minha Terra", "Promessa de Pescador", "O Vento" e "Saudade da Bahia". São músicas que expressam toda a sua gratidão para com a sua terra, a sua paixão pelo mar e seu carinho pelos pescadores, e que prestam homenagem ao povo negro e às mulheres da Bahia, a "africana".

Músico de importância crucial para o patrimônio musical
A partir dos anos 1960, artistas de maior relevância retomam suas composições ou delas se inspiram. Este foi o caso dos mestres da bossa nova, um gênero do qual se comemora o jubileu neste ano, e de artistas como Antonio Carlos Jobim e João Gilberto, os tropicalistas Gilberto Gil e Caetano Veloso, Baden Powell, a cantora Joyce...

Em 1978, quando Sarah Vaughan vai gravar um disco no Rio, Dorival Caymmi dá um pulo até o estúdio para acompanhá-la numa das suas composições ("Das Rosas"). Alguns anos atrás, Marisa Monte, uma das jovens estrelas da música brasileira, cantou em duo com a cabo-verdiana Cesaria Evora "É Doce Morrer no Mar", uma composição de Dorival Caymmi, mais uma vez.

Todas essas interpretações se destacam como homenagens prestadas a um músico que reveste uma importância crucial para o patrimônio musical brasileiro. Na França, Caymmi foi contemplado com a medalha da ordem das Artes e das Letras, em 1984, e foi o objeto de um retrato documentário realizado em 1999 por Aluisio Didier, intitulado "Um Certo Dorival Caymmi".

Muito além das releituras das suas músicas, o nome de Dorival Caymmi vem se perpetuando através dos seus filhos, Dori, Danilo e Nana Caymmi, três vozes renomadas no Brasil. Eles foram formados por impregnação no começo das suas carreiras, acompanhando seu pai em suas turnês ou nos estúdios de gravação. Jean-Yves de Neufville

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