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21/08/2008

O príncipe Charles e o especulador

Le Monde
Marc Roche
Em Londres
Seu brasão negro ornado de 15 moedas de ouro e ladeado por duas aves com uma pluma no bico é testemunha. O príncipe Charles é sem dúvida o herdeiro do trono da Inglaterra, mas também é o 24º duque da Cornualha. E com esse título - o menos conhecido - uma das personalidades mais ricas do reino. Recentemente, para surpresa geral, o filho mais velho de Elizabeth II se lançou na especulação imobiliária britânica.

Até o monarquista mais dedicado aos Windsor deve estar desconcertado com a recente criação da Telesma, um fundo de investimentos em projetos imobiliários do qual o príncipe controla um terço dos ativos. Uma de suas associações filantrópicas, The Foundation for the Built Environnment [Fundação para o Ambiente Construído], age como consultora dessa estrutura dirigida pelo dono da Land Securities, a maior promotora imobiliária britânica cotada na Bolsa.

A missão do fundo é investir em projetos de desenvolvimento sustentável no Reino Unido. O Crédit Suisse está encarregado de levantar o resto do capital junto a grandes fortunas do Oriente Médio que desejam colocar seus petrodólares em propriedades com a etiqueta "Charles Inc".

"A existência da monarquia é fundamentalmente antidemocrática, um fator de divisão social em um ambiente feudal": para Stephen Haseler, chefe autoproclamado do movimento republicano, essa iniciativa salienta a ânsia de lucros da realeza. Jorge VI, o pai da rainha, um dia chamou a família real de "a Firma". A expressão é mais que nunca atual. E o príncipe Charles vestiu sem dificuldade os hábitos de presidente dessa empresa florescente.

Os lucros brutos do ducado da Cornualha superaram os 16 milhões de libras (20,2 milhões de euros) no exercício 2007-2008. Esse desempenho é tanto o resultado do sucesso da linha de alimentos biológicos Duchy Originals quanto de investimentos imobiliários. Durante estes últimos sete anos a compra e venda de terrenos, casas, escritórios ou espaços comerciais trouxeram 43 milhões de libras ao tesouro principesco. Elizabeth II também não fica atrás, como demonstra o aumento dos lucros do Crown Estate, que administra os enormes ativos imobiliários da coroa.

Mas a constituição da Telesma ocorre no pior momento. A combinação de crise de crédito, desmoronamento do setor imobiliário e desaceleração econômica obriga dezenas de milhares de famílias a abandonar suas moradias a seus credores. Esse país de pequenos proprietários está em plena depressão. Quanto ao imobiliário comercial, desmorona.

Para os críticos dessa aventura na selva da especulação, o príncipe de Gales responde que, ao contrário de seus pares promotores imobiliários bilionários - os Westminster, de Walden ou Buccleuch -, ele é apenas um milionário de segunda categoria. Aliás, as ruínas inabitáveis do castelo de Tintagel são a única residência oficial na Cornualha. Lá onde nasceu, segundo a lenda, o rei Arthur. Nobody is perfect. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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