UOL Notícias Internacional
 

23/08/2008

Mais ricos, os chineses querem adotar cada vez mais crianças

Le Monde
Sylvie Kauffmann
Em Pequim
O número de crianças para adoção por famílias ocidentais diminui na Rússia, no Vietnã e no Camboja, que introduziram procedimentos mais restritivos, mas também na China.

Na China, entretanto, as razões da diminuição do número de crianças para adoção por estrangeiros são diferentes: os próprios chineses começaram a adotar, à medida que o nível de vida, impulsionado pelo crescimento, aumentou.

Os números são testemunha disso. Em 2004, conforme informou na terça-feira (19/08), o responsável por assuntos sociais do ministério de assuntos civis, Wang Suying, 53.500 crianças chinesas foram adotadas, e 12.500 dentre elas tinham sido adotadas por famílias estrangeiras.
Em 2007, esses números caíram para 46 mil e 10 mil.

Há outro fator que sem dúvida contribuiu para essa diminuição: em maio de 2007, as autoridades chinesas divulgaram regras mais exigentes para os candidatos estrangeiros à adoção.

Citado pela imprensa chinesa, Wang disse que, em termos de adoção, a mentalidade evoluiu na China. Durante muito tempo, os casais chineses adotaram crianças para assegurar que haveria alguém para cuidar deles quando chegassem à velhice, e, nesse caso, os meninos eram preferidos em relação às meninas.

Mas hoje, disse, cada vez mais os chineses se candidatam à adoção simplesmente pelo amor às crianças. E os meios crescentes de uma classe média que não pára de aumentar tornam as coisas mais fáceis materialmente.

Em virtude da lei chinesa sobre a adoção, os casais que desejam adotar uma criança devem ter uma boa saúde, pelo menos 30 anos de idade, não ter outros filhos e ter uma renda confortável e estável. Como os chineses - que ainda estão submetidos à política do filho único - estão cada vez mais dispostos a adotar, o tempo de espera dobrou e hoje é superior a dois anos.

Apesar disso, no seio da sociedade chinesa, a adoção ainda é um assunto sobre o qual pouco se fala. Os pais que adotaram uma criança são muito discretos sobre sua experiência e as próprias crianças são, na maioria das vezes, mantidas na ignorância no que diz respeito a sua origem.

Por outro lado, um fato suscitou uma formidável atenção pública em relação à adoção: o terremoto em Sichuan, em 12 de maio. As linhas telefônicas dos serviços de adoção em toda a China ficaram congestionadas por pais que queriam adotar os órfãos de Sichuan, que foram estimados em mais de 4 mil, duas semanas depois do abalo.
Inúmeros chineses que vivem no exterior também se manifestaram. Foi até mesmo antecipado que as regras de adoção poderiam ser atenuadas, permitindo a adoção por famílias que já tinham um filho.

Os números, entretanto, diminuíram bastante. Em 29 de maio, as autoridades descontaram 1.879 crianças que não haviam tido contato com seus pais depois do terremoto.

Na terça-feira, Wang, responsável pelos assuntos sociais, declarou que "menos de cem" órfãos de Sichuan foram de fato adotados. Mas esse número, advertiu, pode aumentar: a contagem oficial dos desaparecidos no terremoto está em 18.176 (quase 70 mil pessoas morreram); entre eles estavam muitos pais cujos filhos sobreviveram.

Se os corpos desses pais forem encontrados, as crianças serão oficialmente declaradas órfãs. Por enquanto, a prioridade para a adoção é dada aos pais que perderam seus filhos na catástrofe. Eloise De Vylder

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