UOL Notícias Internacional
 

25/08/2008

Em Roma, as gaivotas formam uma legião urbana contra os pombos

Le Monde
Philippe Ridet
Correspondente em Roma
De vez em quando, o visitante chega a acreditar que está num porto da Bretanha. Quer de manhã, quer na parte da tarde, os chiados das gaivotas surpreendem mais de um turista que, não raro desnorteado, se pergunta se não seria o caso de trocar de roupa por uma de marinheiro, mais adequada. Contudo, Roma, que está situada a 20 quilômetros do litoral, tornou-se um local de nidificação para esta espécie (Larus cachinnans ou gaivota do Cáspio) que os ornitologistas até então haviam observado apenas em ilhas e em falésias inacessíveis. A espécie se distingue pela sua esbelteza, suas patas compridas, uma grande envergadura e uma testa plana.

Segundo Fulco Pratesi, um jornalista e ambientalista italiano, o aparecimento desta ave no país remonta a 1971. "Num dia daquele ano", conta Pratesi num artigo publicado na revista semanal "L'Espresso", "um amigo me trouxe dentro de uma caixa de sapatos um pássaro ferido e sem força que ele havia recolhido ao largo da orla da Toscana". O fundador e atual presidente de honra do ramo italiano da WWF (World Wide Fund for Nature - uma ONG ecologista internacional) resolve então levar o pássaro - uma fêmea - para o zoológico de Roma. Lá, ela é colocada perto da piscina dos leões-marinhos, onde se alimenta dos restos das sardinhas que escaparam da gulodice desses mamíferos aquáticos provenientes dos oceanos polares e temperados.

Um animal "fascinante", segundo afirma Fulco Pratesi, a gaivota seduz um macho que estava passando por ali e, de modo totalmente inesperado, sobre rochedos de cimento, o casal funda uma família.

Os descendentes do casal formam atualmente uma legião: são cerca de trezentos casais, cujo número chega a aumentar para um milhar, segundo avaliam alguns ornitologistas. A sua vida metropolitana conduz as gaivotas a nidificarem sobre os tetos dos palácios e as cúpulas dos monumentos, os quais ficam esbranquiçados por causa dos seus excrementos. Elas tornam-se "proprietárias" do espaço que ocupam e, por conta disso, reagem com violência à intrusão de outras aves no seu domicílio, que elas expulsam aos gritos e desfechando bicadas.

Para se alimentarem, elas têm à sua disposição as lixeiras da capital italiana, cujo conteúdo elas disputam com os gatos. As gaivotas também são ávidas por passarinhos, principalmente os pombos recém-nascidos, e contribuem com isso para o controle dos nascimentos desta espécie que ocupa o espaço urbano de maneira maciça e abusiva.

Alguns romanos criticam as gaivotas, alegando que os seus chiados estridentes contribuem para aumentar mais ainda o nível sonoro da cidade, que já é bastante elevado. Mas, depois do anoitecer, quando elas passam acima dos projetores que iluminam os monumentos, a sua barriga branca parece acender-se. Eles passam então a adquirir o aspecto de estrelas cadentes. Jean-Yves de Neufville

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