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26/08/2008

As polêmicas "relâmpago" de Silvio Berlusconi

Le Monde
Philippe Ridet
Em Roma
Silvio Berlusconi quer permanecer o chefe de orquestra do debate político italiano. No momento em que o Partido Democrata (PD, de centro-esquerda), de volta das férias, estará reunido num congresso durante duas semanas em Florença, o presidente do Conselho está decidido a ditar seu próprio ritmo e suas temáticas. Em entrevista à revista semanal "Tempi", ele anunciou uma reforma da Justiça, própria para dividir a oposição e tranqüilizar o seu campo.

Enquanto as discussões a respeito do "federalismo fiscal" ("a mais importante das reformas desde o pós-guerra", conforme havia anunciado o presidente do Conselho) mal começaram a ocupar o centro da cena política, Silvio Berlusconi assume o risco de deflagrar um novo enfrentamento com os juizes, declarando a sua intenção de modificar a organização judiciária tal como ela está definida desde 1948.

Entre as medidas propostas estão a separação das carreiras entre os juizes e os procuradores, e a introdução de critérios de "mérito" para avaliar o trabalho dos magistrados. Além disso, o Conselho superior da magistratura, que nomeia e administra as carreiras dos magistrados, seria também reformado por meio de uma redução do número de representantes dos juizes, em proveito de personalidades a serem eleitas pelo Parlamento.

Juízes "ideólogos"
Aproveitando a oportunidade, Silvio Berlusconi, que já havia provocado mais uma vez a revolta da magistratura contra ele ao escapar dos processos envolvendo a duração do seu mandato, fustiga os juízes "ideólogos e justiceiros" enquanto celebra os méritos dos magistrados que "dão conta conscienciosamente do seu trabalho" e ainda, elogia o juiz Giovanni Falcone, em quem, segundo ele, esta reforma estaria inspirada.

A menção do nome deste magistrado que foi assassinado pela Máfia em 1992 instaurou um novo campo de batalha para a oposição. Além dos protestos muito vivos que foram divulgados por membros da Associação Nacional dos Magistrados ("Nós corremos riscos de ver um modelo autoritário ser tomado como referência, o qual modelo seria o do fascismo"), a referência ao juiz provocou a indignação de Antonio Di Pietro (do partido Itália dos Valores), que disputa a bandeira do anti-berlusconismo com o PD: "Queremos que Berlusconi deixe o juiz Falcone tranqüilo. É como se o diabo falasse em água benta", declarou.

Contudo, o presidente do Conselho não se contenta apenas em querer atrair seu adversário para o seu terreno. Ele o julga, empregando para tanto seu vocabulário de empreendedor: "A tentativa de vender um produto que está fora de moda, enfatizando a qualidade da embalagem, é uma tática que pode funcionar momentaneamente. Mas o consumidor não é estúpido e, na Itália, o eleitor tampouco é estúpido".

É justamente este eleitor-consumidor ao qual o poder quer agradar, surfando de uma polêmica para outra para mantê-lo despertado. No domingo, 24 de agosto, chegou a vez da ministra da Instrução, Mariastella Gelmini, entrar nessa ciranda. A sua proposta consiste em organizar "cursos de recuperação" para os docentes do sul da Península (majoritários) que "andaram reduzindo a qualidade geral" do ensino. Jean-Yves de Neufville

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