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29/08/2008

A América do Sul consegue resistir à crise internacional

Le Monde
Paulo A. Paranaguá
A América Latina conseguirá manter sua trajetória econômica favorável, apesar da crise internacional. Esta avaliação é de autoria de um organismo das Nações Unidas que, ao longo dos últimos sessenta anos tornou-se uma referência em matéria de conjuntura regional. A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) considera que a região deverá concluir o ano de 2008 com um crescimento global de 4,7% do produto interno bruto (PIB), contra 5,7% em 2007.

Este estudo, que foi divulgado na quarta-feira (27), em Santiago do Chile, prevê para 2009 um crescimento de 4%. Esta previsão baseia-se essencialmente no bom desempenho das economias sul-americanas (+ 4,5%), enquanto a América Central e o México alcançaram um resultado relativamente inferior, registrando um crescimento do PIB de apenas 2,8%.

Os números regionais apontam para situações bastante disparatadas. Assim, o Peru registra a maior taxa de crescimento entre todas, com 8,3%, enquanto o México acabou ocupando a última posição nesse pelotão, com apenas 2,5%. Por sua vez, o Brasil, o Chile, a Colômbia e a Venezuela se mantêm próximos da média.

O prognóstico da Cepal para 2009 permite prever que a região conhecerá seu sétimo ano consecutivo de crescimento, com uma taxa média superior a 3% do PIB por habitante, ou seja, uma situação que a América Latina nunca havia conhecido ao longo dos últimos quarenta anos. Esta melhora sensível deve-se em grande parte aos aumentos dos preços das matérias-primas, principalmente das cotações dos hidrocarbonetos e dos minérios.

Sobressaltos

Entretanto, as "remessas", ou seja, as quantias que têm sido enviadas regularmente para as suas famílias pelos imigrantes latinos instalados na América do Norte e na Europa, contribuíram igualmente para esse bom desempenho. Em certos países da América Central e do Caribe, essas remessas constituem uma parte substancial do PIB.

O desaquecimento que a economia internacional vem registrando atualmente poderia traduzir-se por uma redução das importações e das remessas. No passado, em conseqüência das crises internacionais e da recessão que atingiram os países industrializados, os quais são compradores tradicionais das exportações latino-americanas, a região acabou sofrendo prejuízos importantes.

Atualmente, para enfrentarem uma conjuntura que se tornou desfavorável, as economias da América Latina estão mais fortes, pois elas estão nitidamente menos endividadas (33% do PIB em 2007 contra 36% no ano anterior) e, em certos casos, mais diversificadas. Enquanto isso, os equilíbrios financeiros passaram a ser mais respeitados, o que permitiu a manutenção de reservas de câmbio mais conseqüentes (46% do PIB no caso da Bolívia). No então, o México e a América Central permanecem mais dependentes dos sobressaltos econômicos nos Estados Unidos.

A melhora registrada na América Latina foi repercutida no plano social, com uma redução do desemprego (7,5% da população) e com a criação de empregos de melhor qualidade, o que contribuiu para a redução da pobreza. Contudo, um latino-americano em cada três permanece "pobre", conforme lembra a Cepal, o que abrange uma população de 190 milhões de pessoas.

Além disso, os sucessivos aumentos dos gêneros alimentícios são suscetíveis de inverter essa tendência. No médio prazo, um eventual aumento de 15% dos preços dos alimentos acabaria arrastando novamente para a pobreza 15 milhões de latino-americanos, segundo aponta o relatório da comissão.

Somando-se à disparada das cotações do petróleo, os aumentos dos preços dos gêneros alimentícios de base maximizam o principal risco que paira sobre a região, apontado com ênfase pela Cepal: o da inflação, que deveria situar-se num patamar médio de 6,5% até o final de 2008. A Venezuela está na frente entre os países que mais vêm sofrendo da deriva inflacionária, com 32%, seguida pelo Nicarágua (23%) e a Bolívia (17%). Jean-Yves de Neufville

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