UOL Notícias Internacional
 

30/08/2008

A Corte Penal Internacional quer que a Colômbia julgue seus paramilitares

Le Monde
Marie Delcas
Em Bogotá
"A Corte Penal Internacional (CPI) garantirá que a impunidade não prevalecerá na Colômbia", declarou o procurador desta entidade com sede em Haia (Holanda), Luis Moreno Ocampo, na quarta-feira, 27 de agosto em Bogotá, no final de uma visita de três dias, a segunda que ele efetua neste país em menos de um ano. "Em termos de gravidade, a Colômbia situa-se num nível equivalente ao do Congo Kinshasa, com 5.000 mortos desde 2002", acrescentou o procurador. "Tanto as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, de extrema-esquerda) quanto os grupos paramilitares de extrema-direita cometeram crimes contra a humanidade", sublinhou.

A extradição para os Estados Unidos de 13 chefes paramilitares, no mês de junho, esteve na origem da visita de Luis Moreno Ocampo. Eles serão julgados neste país por tráfico de drogas. A CPI quer obter maiores esclarecimentos a respeito das razões que motivaram as autoridades de Bogotá a extraditarem esses homens que tinham sem dúvida muito a dizer perante a justiça colombiana, sobretudo em relação às cumplicidades das quais eles beneficiaram por parte de integrantes do atual governo.

O escândalo da "para-política", em torno dos vínculos entre as milícias paramilitares e homens políticos, eleitos da maioria presidencial, transformou-se num enfrentamento entre o presidente Álvaro Uribe e a Corte suprema colombiana. Na segunda-feira, o seu presidente, Francisco Ricaurte, denunciou "um complô fomentado por um setor do governo colombiano em parceria com os grupos paramilitares visando a desacreditar a Corte suprema de justiça".

Há vários meses, a Corte vem conduzindo o inquérito. Mais de trinta eleitos foram presos e estão aguardando sua sentença na prisão. O presidente Uribe não se cansa de fustigar a parcialidade do alto tribunal. O chefe do Estado acusa certos juízes de fabricarem testemunhos contra os seus aliados.

A imprensa conferiu um novo rumo ao caso quando revelou que dois emissários dos paramilitares haviam sido recebidos secretamente no palácio presidencial. Este anúncio provocou a viva reação do presidente da Corte suprema. Francisco Ricaurte está convencido de que membros do governo estão dispostos a tudo para dificultar o trabalho da justiça.

Álvaro Uribe admitiu que dois dos seus próximos colaboradores haviam participado, com o seu acordo, de um encontro com os representantes dos paramilitares. Contudo, ele acrescentou que as provas que estes diziam ter contra a Corte não foram levadas a sério.

O presidente da República defendeu-se de estar exercendo pressões sobre a justiça, atacando os magistrados, "que nada fizeram contra os paramilitares antes de 2002", a data da sua ascensão ao poder. Além disso, ele repetiu suas acusações no que diz respeito ao "tráfico de testemunhos" ao qual se dedicaria a Corte.

Entretanto, o analista Pedro Medellín considera que "as revelações a respeito das reuniões entre representantes dos paramilitares e próximos colaboradores de Álvaro Uribe estão surgindo num péssimo momento". Para escaparem da jurisdição da Corte suprema e serem julgados por tribunais da justiça ordinária, diversos parlamentares optaram por pedir demissão do seu cargo. Dois dentre eles acabam de ser colocados em liberdade, inclusive Mario Uribe, um primo do chefe do Estado.

A destituição e o indiciamento de um antigo procurador regional, Guillermo Valencia Cossio, não contribuíram nem um pouco para melhorar a imagem das instituições. Acusado de cumplicidade com um chefe da máfia local, ele é o irmão de Fabio Valencia Cossio, o ministro da justiça. E, também neste caso, foi a imprensa que revelou conversas telefônicas comprometedoras. Jean-Yves de Neufville

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