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01/09/2008

A caridade quer tirar proveito das vantagens oferecidas pela Internet

Le Monde
Eric Nunès
Atualmente, a França parece ser mais generosa do que foi na virada do século. Esta é a conclusão à qual chegou um estudo do Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e de Estudos Econômicos) sobre as doações efetuadas pelos particulares para os organismos caritativos, que foi publicado em maio.

Em 2000, apenas 5% das famílias haviam optado por desembolsar alguma quantia para esse fim; cinco anos mais tarde, a porcentagem disparou para alcançar 9% das famílias, que enviaram doações em proveito "de associações ou de fundações que garantem o fornecimento gratuito de refeições ou de tratamentos médicos, ou ainda de entidades que favorecem a obtenção de um alojamento para pessoas em dificuldade". Vale acrescentar que esta generosidade é dinamizada por uma fiscalidade mais incitativa.

Esta empolgação andou suscitando vocações na Internet, onde sites se oferecem para desempenharem o papel de "facilitador" de generosidade. Os métodos tradicionais de solicitação têm um custo importante: "Atualmente, 85% das doações são efetuadas por remessas de quantias pelo correio. A taxa de cobertura para esse tipo de solicitação é de 25% a 30%", avalia Alexandre Ayad, um co-fundador da Izi-collecte.com. Para cada 100 euros (cerca de R$ 240) coletados, 25 a 30 euros (R$ 60 a R$ 70) seriam investidos na compra de papel, em despesas com remessas pelo correio ou ainda em presentes destinados a "convencer" os doadores potenciais.

"Para um grande número de organismos de tamanho pequeno ou médio, o acesso à Internet é impossível por razões financeiras e técnicas. Nós fazemos com que essas associações caritativas possam obter uma visibilidade na Web e tenham condições de negociar com os bancos condições eqüitativas para a coleta das doações", prossegue Alexandre Ayad.

Cada um dos organismos associados dispõe, no site, de uma página na qual é detalhado um projeto que está por ser financiado. Uma barra de medição permite que o doador avalie a progressão do volume das doações, para cada causa, além da proporção da sua contribuição no quadro do projeto que ele apóia. "Para cada doação efetuada, nós cobramos uma taxa de 95 centavos de euro" (R$ 2,27), precisa um funcionário da Izi-collecte.

Uma das suas concorrentes, a Aiderdonner.com, incorpora em seu site um bom número de ferramentas próprias da "Web 2.0", geralmente utilizadas para operações de marketing comercial de grande vulto. Desta forma, é possível compartilhar uma causa com a sua rede, recorrendo a Facebook, além de transmitir essa mensagem por e-mail, criar a sua própria página e comentar cada uma das suas doações. Com isso, essas "ferramentas da Internet" permitem não apenas financiar determinadas ações, como também levar ao conhecimento dos parentes e amigos, e muito além, a dimensão da sua própria "generosidade".

Trata-se de um método de comunicação que andou atraindo o interesse das grandes companhias. Assim, ficamos sabendo ao visitar o site da Aiderdonner.com que o fabricante de equipamentos de informática Dell "contribuirá à altura dos montantes que serão coletados" pelas suas funcionárias por ocasião da corrida a pé organizada por La Parisienne que será realizada em 7 de setembro. Esta manifestação é associada à Fundação para as Pesquisas Médicas. O site cobra uma taxa de 5% sobre cada doação.

O mecenato das empresas constitui um dos eixos de desenvolvimento da entidade Charitic.fr. Da mesma forma que as suas concorrentes, esta recém-nascida oferece uma página de apresentação para cada associação, além de um sistema de coleta de doações. O site também está dirigido às sociedades que desejam divulgar em grande escala suas "ações de mecenato e de responsabilidade social". "O site Charitic.fr oferece às empresas uma solução para a coleta de doações on-line a serem feitas pelos seus assalariados ou pelos seus parceiros (clientes, fornecedores. . .), o que permite desenvolver uma ação de mobilização transversa e original. Neste espaço, essas empresas apresentam as ações que elas pretendem apoiar, ressaltando as quantias que são doadas pelos seus empregados", explica Laurence Amand-Jules, a fundadora. O objetivo é de valorizar o engajamento caritativo da empresa aos olhos dos seus próprios funcionários e dos seus parceiros externos. Jean-Yves de Neufville

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