UOL Notícias Internacional
 

01/09/2008

A ciência dos animais opera a sua "grande revolução"

Le Monde
Christiane Galus
A ciência dos animais, a zoologia, ainda nos dias atuais costuma ser considerada em função da imagem dos grandes naturalistas que surgiram ao longo da história, tais como Buffon (Georges-Louis Leclerc, conde de Buffon, 1707-1788), Edmé-Louis Daubenton (1732-1786), Frédéric Cuvier (1773-1838) e Geoffroy Saint-Hilaire (1772-1844), para citar apenas alguns deles.

Mas, no espaço de dois séculos, esta disciplina sofreu mudanças profundas e diversificou-se consideravelmente, tirando proveito dos avanços da biologia molecular, da genética e de tecnologias inovadoras tais como a da fabricação de imagens para fins científicos por meio de ferramentas informáticas; ou ainda, a do microscópio para tomografia, que permite estudar cortes de camadas espessas e reconstituí-las em três dimensões.

Para lidar com essa multiplicidade de avanços científicos, os especialistas acenam atualmente com a "zoologia integrada". Este é o tema do congresso internacional que está sendo realizado até 29 de agosto em Paris e na faculdade das Ciências de Orsay (no departamento da Essonne, na região parisiense). Esta nova zoologia tem como objetivo "de integrar diversas informações a respeito dos organismos, assim como das suas interações", conforme explica Jean-Marc Jallon, um professor de biologia na Faculdade das Ciências de Orsay, e o presidente do congresso.

"Atualmente, os zoólogos estão à procura de mecanismos comuns, ao passo que, durante muito tempo, eles cultivaram as diferenças entre os organismos. A grande revolução da zoologia consiste nessa busca da unidade, como vem ocorrendo com as ciências físicas", acrescenta.

Diversas pesquisas, entre outros, no campo da genética, demonstraram "que uma grande similitude genética do mundo vivente acabou resultando numa importante diversidade das espécies, por causa das variações que ocorrem no nível da expressão dos genes", prossegue Jallon. Mas, "esses últimos permanecem submetidos aos efeitos do meio-ambiente, uma vez que apenas os genes mais adaptados conseguem sobreviver".

As pesquisas sobre a vida animal também dizem respeito ao comportamento sexual e à reprodução, aos diferentes aspectos da comunicação, ou ainda aos mecanismos de especiação (formação e separação das espécies entre si).

A diversidade das espécies é muito mais importante do que se pensava, uma vez que, segundo Edward Wilson, um professor na universidade de Harvard, "até hoje nós descobrimos e classificamos não mais de 10% dentre elas". Este cientista considera "que será possível descobrir e recensear as 90% restantes no decorrer dos próximos 25 anos, uma vez que as tecnologias necessárias já estão disponíveis".

"Biodiversidade enorme"

Enquanto isso é preciso ainda classificar aquelas que nós já conhecemos. . . E aquelas que estão sendo descobertas. Este é o papel da taxonomia. Ora, atualmente, "nós ainda somos incapazes de compreender corretamente a diversidade taxonômica que existe nos ecossistemas", explica Simon Thillier, um professor no Museu Nacional de História Natural e um especialista na sistemática. Esta última é uma ciência que associa a taxonomia e a filogenia, a qual estuda as variações de parentescos entre as espécies. "Nós precisamos conseguir levar em conta uma biodiversidade enorme, e tornar as informações obtidas acessíveis para os responsáveis encarregados de fazer respeitar a biodiversidade", acrescenta.

Diante desse desafio, várias iniciativas internacionais foram lançadas, todas elas com o objetivo do tornar os dados acessíveis na Internet. Entre elas, vale citar a Encyclopedia of Life, lançada em 2007 por diversas instituições científicas americanas, ou ainda a Global Biodiversity Information Facility (Ferramenta de informação sobre a diversidade global), criada em 2001 por iniciativa da OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos), que visa a reunir na Web todos os bancos de dados disponíveis sobre as espécies. Por fim, uma outra entidade, o Consortium (Consórcio) em prol do código de barras do vivente, tem como objetivo identificar cada uma das espécies a partir de uma seqüência do genoma, a qual pode ser acessada on-line a partir de um pequeno equipamento portátil.

Finalmente, dentro desse contexto dinâmico, "nós estamos constatando que a crise da taxonomia está no processo de resolver-se, uma vez que o número de pesquisadores está aumentando e que a zoologia vem passando por uma ótima fase", comemora Jean-Marc Jallon. "O interesse por esta última deveria acentuar-se em razão da importância crescente que vêm adquirindo a biodiversidade e a sua conservação". Jean-Yves de Neufville

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,03
    3,146
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,09
    68.714,66
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host