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05/09/2008

A sonda européia Rosetta vai passar muito perto de um asteróide entre Marte e Júpiter

Le Monde
Stéphane Foucart
Por um breve instante, a sonda Rosetta vai despertar do seu sono interminável. Lançada em março de 2004, ela não deverá alcançar seu principal objetivo, o cometa Churyumov-Gerasimenko antes de agosto de 2014. Mas, enquanto esse momento não chega, os seus construtores encontraram bons motivos para fazer com que ela saia do seu estado de dormência. Assim, a sonda espacial européia deverá sobrevoar, na sexta-feira, 5 de setembro, às 17h23 (hora de Brasília), o asteróide Steins, que estará então situado entre as órbitas de Marte e de Júpiter, a cerca de 360 milhões de quilômetros da Terra.

Considerada como uma das mais ambiciosas missões espaciais destes últimos anos, a sonda Rosetta passará a 800 quilômetros da superfície do Steins. "Nós poderíamos fazer com que ela se aproximasse ainda mais do asteróide", diz Rita Schulz, uma responsável científica da missão na Agência Espacial Européia (cuja sigla em inglês é ESA). "Mas, para termos a absoluta certeza de que a sonda não seria danificada por eventuais nuvens de poeiras ou por pequenos corpos rochosos que gravitam em volta do asteróide, nós optamos por mantê-la além de uma determinada distância de segurança. A 800 quilômetros, a sonda permanecerá fora da esfera dentro da qual o astro pode manter tais objetos dentro da sua órbita".

"Além do mais, o sobrevôo será efetuado na velocidade de 9 km/s, o que corresponde à velocidade de uma bala de revólver", acrescenta Denis Moura, um antigo chefe de projeto da missão no Centro Nacional de Estudos Espaciais (cuja sigla em francês é CNES), uma entidade que ele representa atualmente na Itália. "E quando você pretende fotografar corretamente um objeto que se desloca muito rapidamente, é recomendável não se posicionar perto demais dele". Assim, a sonda Rosetta deverá enviar algumas fotos. Mas o sinal deverá demorar cerca de vinte minutos até alcançar a Terra. "Nós efetuaremos igualmente medições espectroscópicas do astro", diz Rita Schulz, "de maneira a determinar em parte a sua composição química".

Outros sobrevôos similares de asteróides já foram realizados no passado. Por exemplo, a sonda Galileo havia encontrado em 1993, no seu caminho rumo a Júpiter, o asteróide Ida. Na ocasião, ela havia até mesmo colocado em evidência a presença de um companheiro de menor tamanho, de pouco mais de um quilômetro de diâmetro, girando em volta do astro.

O asteróide Steins apresenta como particularidade o fato de pertencer a uma categoria rara e pouco conhecida de asteróides. A iniciativa de estudá-lo, explica Rita Schulz, "poderá nos fornecer novas indicações a respeito dos mecanismos de formação do sistema solar".

"A programação do sobrevôo da sonda não apresenta um interesse unicamente científico", precisa Denis Moura. "Trata-se também de contribuir para a manutenção dos conhecimentos das equipes a respeito da missão". A idéia, portanto, seria de despertar a sonda com o objetivo de mobilizar os cientistas encarregados de manobrá-la? De fato, esta é uma das obrigações inerentes a esta missão fora das normas, que só deverá alcançar o seu objetivo uma década depois do seu lançamento. Além do mais, acrescenta Denis Moura, "esta constitui uma oportunidade para não deixarmos em estado de dormência por um período excessivo os instrumentos e os sistemas da sonda. Estes precisam ser testados de vez em quando".

No verão de 2014, quando o cometa "Chury" poderá ser avistado pelos instrumentos da sonda Rosetta, as equipes que operam no centro de controle da ESA em Darmstadt (Alemanha) sem dúvida não estarão arrependidas de terem programado este exercício. A uma distância de várias centenas de milhões de quilômetros, elas deverão regular com uma precisão de poucos centímetros as aproximações entre a sonda e o cometa. Com efeito, a primeira deverá ser colocada delicadamente em órbita em volta do segundo, para então nele largar, não menos delicadamente, um artefato dotado de um mecanismo de aterrissagem batizado de Philae.

Este pequeno robô - de concepção principalmente francesa e alemã - deverá pousar na superfície do cometa com o objetivo de nele colher amostragens e estudá-las no mesmo local. Essas últimas manobras, por sua vez, serão operadas a partir do centro de controle do centro de pesquisas científicas (CNES) de Toulouse, na França, e daquele da agência espacial alemã (DLR), em Colônia. Jean-Yves de Neufville

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