UOL Notícias Internacional
 

05/09/2008

O IRA é declarado "não operante" por uma comissão independente

Le Monde
Marc Roche
Em Londres
A data de 3 de setembro de 2008 figurará nos livros de história como aquela em que o comando do Exército Republicano Irlandês, o IRA, foi declarado "não operante e não funcional", e a sua campanha de terror "efetivamente encerrada". Desta forma, as conclusões dos especialistas da Independent Monitoring Commission (IMC, a comissão de monitoramento do desarmamento dos paramilitares) viraram mais uma página na história movimentada da província britânica.

Doze anos depois de ter anunciado o seu cessar-fogo unilateral; quatro anos depois de ter oficialmente entregado as armas; e 18 meses depois de ter reconhecido a legitimidade da polícia e da justiça norte-irlandesas, a organização paramilitar católica "deixou para trás o seu passado recente, para todo o sempre", afirma num comunicado o grupo de quatro especialistas presidido por um antigo diretor da CIA (a central de inteligência americana), Dick Kerr.

Polícia e Justiça

"Eu creio que isso tranqüilizará e devolverá esperanças a todos aqueles que desejam ver encerrado este capítulo da história norte-irlandesa", declarou Gordon Brown. Contudo, o primeiro-ministro britânico, que deve ser reunir em breve com o seu homólogo irlandês, Brian Cowen, para passar em revista a nova situação, prefere evitar dar mostras de um otimismo apressado.

As autoridades de Londres e de Dublin agora nutrem esperanças de que sejam retomadas as negociações entre as comunidades a respeito da questão crucial da devolução dos poderes de polícia e de Justiça para os seis condados da região.

Dentro do quadro da partilha do poder entre os católicos e os protestantes, os ministros unionistas e republicanos já chegaram a um acordo por meio do qual eles se comprometem a entregar a pasta da segurança para uma personalidade que não seja oriunda das suas fileiras. Este apoio oferecido à antiga Royal Ulster Constabulary (a Polícia Real do Ulster) constitui um evento que até então era inimaginável.

No decorrer do período da insurgência, entre 1969 e 1997, o campo republicano havia duramente combatido esta força de polícia que era vista por ele como avassalada à maioria protestante. Além do mais, terá sido necessária uma boa dose de coragem para os dirigentes do Sinn Fein, o braço político do IRA, quando tentaram convencer seus seguidores a homologarem a colaboração com esta instituição, que por muito tempo foi odiada por eles.

O Partido Unionista Democrata, liderado pelo chefe do governo norte-irlandês, Peter Robinson, exigia a confirmação, pela comissão independente de monitoramento, das intenções pacíficas do IRA, como condição para uma retomada do processo político. A acolhida favorável que Robinson deu para este anúncio permite prever que serão efetuados progressos rápidos em relação à questão crucial da segurança. Por sua vez, aos olhos dos dirigentes do Sinn Fein, o primeiro partido católico, que dispõe, entre outros, do cargo de vice-primeiro-ministro, esta avaliação da comissão vem confirmar a vontade do movimento republicano de operar no terreno político, e não mais militar, para alcançar seu principal objetivo: a unificação da Irlanda.

Contudo, diversos obstáculos importantes ainda precisam ser superados. A perda de rumo dos veteranos do IRA provisório, que se voltaram para atividades mafiosas, além do recrudescimento da violência, incentivada por pequenos grupos republicanos dissidentes, causam preocupação entre as autoridades de Londres e de Dublin. Estas haviam sido os dois padrinhos dos acordos de paz de 1998 que haviam encerrado a guerra civil que durou trinta anos.

Uma solução capaz de garantir a manutenção da ordem e da justiça revela-se tanto mais urgente quando se verifica que, em caso de prosseguimento da onda de violência, os republicanos extremistas, com as suas milícias protestantes, que não entregaram as armas, poderiam acabar optando por voltarem atrás na interrupção das hostilidades.

Ainda assim, vale lembrar que o poder de fogo desses paramilitares, os quais, é verdade, são dotados de uma sólida experiência da luta armada, em nada se compara com aquele que apresentava o IRA no passado, que era uma força militar digna deste nome. Jean-Yves de Neufville

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