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09/09/2008

A urgência humanitária em Cuba faz ressurgir o debate em torno do embargo imposto por Washington

Le Monde
Jean-Michel Caroit
Em Santo Domingo, República Dominicana
As chuvas diluvianas do ciclone Ike agravaram o desastre humanitário provocado no Haiti pela sucessão de furacões que vêm atingindo o Caribe há um mês. A primeira-ministra deste país, Michèle Pierre-Louis, lançou um apelo para que a ajuda internacional seja intensificada, e anunciou a morte de pelo menos 47 pessoas, no domingo(7), em Cabaret, ao norte da capital, Porto-Príncipe. Uma nova sucessão de chuvas dificultou o encaminhamento dos socorros rumo à cidade das Gonaïves, onde o furacão Hanna havia deixado 500 mortos no seu rastro. Estimado em 650 mil pelas Nações Unidas, o número de sinistrados continua aumentando.

Um furacão classificado na categoria 4, o Ike, devastou, no domingo, as pequenas ilhas Turks e Caicos, além da parte sul do arquipélago das Bahamas.

Mais de 700 mil pessoas, das quais 10 mil turistas estrangeiros, foram evacuadas em Cuba. Na noite de domingo, ondas de sete metros da altura foram assinaladas na extremidade oriental da ilha. Segundo José Rubiera, um responsável do serviço das previsões no centro de meteorologia cubano, o furacão, "extremamente perigoso", apresenta o risco de devastar as áreas leste e norte de Cuba. Em 30 de agosto, o Gustav, um outro furacão de categoria 4, havia arrasado a Ilha da Juventude e a província de Pinar del Rio.

A situação de emergência humanitária em Cuba, que recebeu socorros enviados pela Rússia, a Espanha e a Venezuela, deu um novo alento ao debate em torno do embargo, imposto por Washington desde 1962. Várias personalidades da dissidência, entre as quais Marta Beatriz Roque e Vladimiro Roca, além da ONG Consenso Cubano, que representa cerca de vinte organizações de exilados nos Estados Unidos, pediram a suspensão "ao menos temporária" das restrições em relação às transferências de fundos e as viagens, de modo a facilitar a ajuda que os emigrantes enviam para as suas famílias. O candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, informou que apoiava este pedido.

Em Washington, a administração ofereceu uma ajuda de US$ 100 mil (cerca de R$ 170 mil), com a condição de que ela seja distribuída por uma organização não-governamental. As autoridades da Havana responderam insistindo no seu pedido para que o embargo seja suspenso. A secretária de Estado, Condoleezza Rice, descartou esta possibilidade, lembrando que o presidente George W. Bush exigia em troca "a libertação dos prisioneiros políticos e a implantação de um processo de eleições livres". Jean-Yves de Neufville

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