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13/09/2008

À margem do duelo entre Obama e McCain, a luta dos candidatos nanicos

Le Monde
Romain Brunet, do Le Monde
Os candidatos Barack Obama e John McCain não são os únicos que estão em campanha nesta eleição. Paralelamente aos dois campeões dos partidos democrata e republicano, quatro outros candidatos estão inscritos e também participam na corrida rumo à Casa Branca: Ralph Nader, o mais conhecido, que se apresenta na qualidade de independente; Bob Barr, que representa o Partido Libertário; Cynthia McKinney, que disputa a eleição em nome dos Verdes; e Chuck Baldwin, que carrega a bandeira do Partido da Constituição.

Esses quatro candidatos precisam lutar muito para existirem e atraírem as atenções da mídia. Isso porque, na maior parte do tempo, eles estão cercados pela solidão quando atravessam os Estados Unidos para irem ao encontro dos eleitores. Assim, numa entrevista que ele concedeu ao Le Monde.fr, Bob Barr explica que a sua campanha está "limitada por causa dos escassos meios disponíveis", e que ele precisa "tomar muito cuidado no processo de escolha dos lugares para realizar os comícios", de maneira a não desperdiçar o pouco dinheiro do qual ele dispõe.

Na quarta-feira, 10 de setembro, Ralph Nader, Cynthia McKinney e Chuck Baldwin estavam presentes em Washington, atendendo a um convite de Ron Paul. Este último, um político que participara das eleições primárias republicanas, havia organizado uma coletiva de imprensa com o objetivo de incentivar os americanos a darem seus votos, em 4 de novembro, para um candidato que não seja John McCain ou Barack Obama. Naquela ocasião, todos os pretendentes "nanicos" assumiram compromissos em relação a quatro questões que eles consideram como primordiais: a redução da dívida do Estado federal, o retorno das tropas do exército ao país, a proteção das liberdades civis e o restabelecimento de um controle sobre o Federal Reserve (Fed), que eles consideram como excessivamente independente.

Fazer com que as suas idéias sejam ouvidas

"É claro, nós gostaríamos muito de ganhar, mas nós sabemos que isso é praticamente impossível", reconhece Bob Barr. "Entretanto, nós pensamos que um sistema organizado em torno de dois partidos apenas não pode dar certo", acrescenta. Por sua vez, Ron Paul, que havia sido o candidato do Partido Libertário em 1988, defende uma posição similar e reconhece de bom grado, em entrevista ao Le Monde.fr, a dificuldade que representa esta tarefa: "É realmente muito difícil apresentar-se como um 'terceiro candidato' nos Estados Unidos, porque os dois principais partidos controlam os debates. (...) Ralph Nader e os outros estão fazendo o melhor que podem porque eles acreditam firmemente que nós deveríamos dispor de um maior leque de opções, mas a verdade é que eles não têm chance alguma de ganharem".

Contudo, apesar de tantas ressalvas, está fora de cogitação para eles pôr um fim à sua campanha. Esses candidatos da sombra estão perseguindo um único objetivo: fazer com que as suas idéias sejam ouvidas. "Nós queremos pressionar os dois partidos [o Democrata e o Republicano] a falarem dos problemas que dizem realmente respeito aos americanos", declarou Ralph Nader, na quarta-feira, 10 de setembro, por ocasião de uma da suas raras aparições no canal CNN. Segundo ele, "as quatro questões em relação às quais nós assumimos compromissos, em momento algum foram abordadas por Barack Obama e John McCain".

O modelo americano questionado

Para Ron Paul, o problema decorre do próprio modelo americano, que favorece o bipartidarismo. "Infelizmente, o nosso país carece de um verdadeiro sistema democrático. Nós partimos para a guerra com a meta de disseminar a democracia em países estrangeiros, ao passo que o nosso próprio sistema não funciona", lamenta. Um discurso equivalente pode ser ouvido do lado de Bob Barr: "Em matéria econômica, o nosso país proíbe as situações de monopólio, mas, no plano político, ele as incentiva. O nosso sistema tornou-se prisioneiro da idéia segundo a qual apenas dois partidos podem fornecer um candidato viável para a Casa Branca (...). Contudo, existem apenas diferenças mínimas entre estas duas agremiações".

Dentro dessas condições, os candidatos "nanicos" precisam dar mostras de imaginação e de inventividade. "Nós estamos concentrados essencialmente em duas metas principais: arrecadar a maior quantidade possível de doações dos particulares e tentar obter a maior cobertura possível dos meios de comunicação, isso porque nós não temos os meios necessários para empreender grandes campanhas publicitárias", reconhece Bob Barr, antes de acrescentar: "Nós podemos contar igualmente com os serviços dos comitês locais do Partido Libertário, e ainda com a ajuda dos estudantes, que se mostram muito ativos em nosso favor".

Aliás, a atividade desses estudantes torna Bob Barr particularmente otimista. Segundo ele, os jovens eleitores têm se mostrado cada vez mais atraídos pelos candidatos que não são oriundos nem do Partido Democrata, nem do Partido Republicano. Nesse sentido, eles poderiam transformar por completo a paisagem política nos anos que estão por vir. Jean-Yves de Neufville

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