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21/09/2008

Gerar dentes a partir de células-tronco: pesquisas animadoras mostram que este caminho é viável

Le Monde
Paul Benkimoun
O pequeno camundongo poderia muito bem nos ajudar a recuperar nossos dentes. Com efeito, as pesquisas experimentais de engenharia tecidual (relativa aos tecidos biológicos, "agregados de células") que vêm sendo conduzidas com os roedores permitem pensar que seria possível, no futuro, construir ou de reconstruir dentes funcionais. Esta é a conclusão que foi ressaltada nas comunicações apresentadas, na segunda-feira (15), por ocasião da jornada dedicada às "células-tronco da polpa dentária", organizada pelo Instituto Francês para a Pesquisa Odontológica (cuja sigla em francês é IFRO).

Há vários anos, as células-tronco despontam como uma ferramenta privilegiada da medicina regeneradora. Quer elas sejam embrionárias ou adultas, quer elas sejam re-programadas a partir do estágio adulto de modo a recuperar capacidades análogas às células-tronco embrionárias, elas oferecem aos pesquisadores a perspectiva de poderem dispor novamente de tipos celulares das mais diversas qualidades.

A possibilidade de se reconstruir um dente adulto que foi destruído, por completo ou parcialmente, é uma perspectiva que, daqui para frente, passa a ser considerada seriamente, conforme demonstraram os estudos já efetuados por meio de testes com camundongos. Entretanto, um projeto desta natureza permanece um desafio, por causa da complexidade deste órgão. Com efeito, um dente é constituído por diferentes componentes de naturezas variadas, que são organizados em função de uma disposição precisa. Ele é formado por um corpo mineral, a dentina, envolto por uma coroa de esmalte, e que engloba uma parte da polpa dentária, na qual se encontram os vasos sangüíneos e os nervos. A raiz é encoberta pelo cimento. A sua implantação dentro de um alvéolo do maxilar é garantida por um ligamento alvéolo-dentário.

A tudo isso deve ser acrescentada a necessidade de que o dente reconstruído tenha uma forma, um tamanho, uma cor, e que ele apresente possibilidades funcionais equivalentes àquelas de um dente original. Portanto, os desafios que precisam ser enfrentados são numerosos, mas as pesquisas já realizadas neste campo são animadoras, seja quando se trata de gerar dentes, seja quando a meta é de gerar tecidos de polpa dentária, conforme lembrou Michel Goldberg (da Universidade Paris-Descartes), o presidente do conselho de administração do IFRO.

O professor Henry Magloire (do CNRS e do Inserm, as duas principais entidades de pesquisas científicas francesas), da Universidade de Lyon, apresentou as técnicas de engenharia tecidual que utilizam as células-tronco no processo visando a obter um "dente biológico". Dependendo da sua origem, as células-tronco adultas podem gerar certos tipos de linhagens celulares. As células-tronco epiteliais (que provêm do epitélio, a parte mais superficial do tecido da gengiva) são capazes de se diferenciarem em células que fabricam esmalte, as quais são células que desaparecem do organismo do ser humano uma vez que o dente completou seu ciclo de formação. Por sua vez, as células mesenquimais (relativas a um tecido conjuntivo comum e indiferenciado, encontrado em diversas partes do organismo) estão na origem dos outras componentes do dente.

Consertar uma lesão

Diversas estratégias vêm sendo estudadas e, no futuro, deverão ser objetos de experimentação em humanos. Conforme resume Michel Goldberg, "algumas delas consistem em implantar células-tronco na polpa dentária, de modo a se consertar uma lesão do dente. Uma outra abordagem consiste em recorrer a moléculas, por exemplo, aquelas das proteínas do esmalte que, uma vez introduzidas na matriz do dente, recrutariam as células-tronco que nele estão naturalmente presentes, o que deverá resultar numa reconstituição do dente lesado". Serão necessários vários anos de pesquisas até que essas estratégias venham a ultrapassar o estágio da experimentação.

No que vem a ser uma etapa intermediária nesta pesquisa, bolinhas contendo células-tronco na sua superfície poderão ser experimentalmente introduzidas em dentes de siso destinados a serem extraídos com o objetivo de se estudar seu efeito. Da mesma forma, bancos de células-tronco que serão colhidos em dentes de leite constituirão um outro objeto de estudo. Jean-Yves de Neufville

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