UOL Notícias Internacional
 

30/09/2008

A estátua de "Tirofijo", o fundador das Farc, inaugurada em Caracas, irrita as autoridades colombianas

Le Monde
Marie Delcas
Em Bogotá (Colômbia)
Será que esse busto vai deixar melindrados países vizinhos? Uma estátua do fundador da guerrilha colombiana - Pedro Marin, mais conhecido como Manuel Marulanda - foi inaugurada na sexta-feira, 26 de setembro, num bairro popular de Caracas. As autoridades de Bogotá não gostaram nem um pouco de que uma homenagem seja prestada ao veterano guerrilheiro, seis meses depois da sua morte. Apelidado de Tirofijo (que atira em cheio no alvo), o chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) faleceu aos 78 anos, depois de passar mais de meio-século combatendo na selva.

Cerca de 300 pessoas assistiram à pequena cerimônia, que foi realizada no final da tarde, no bairro 23 de Enero, com a presença do prefeito local, Freddy Bernal. Durante o evento, "o grande revolucionário Manuel Marulanda" foi aplaudido, enquanto o governo colombiano "neofascista" de Álvaro Uribe foi vaiado. Na opinião dos jornalistas colombianos que presenciaram a inauguração, a estátua que foi desvendada se parece muito pouco com o seu modelo.

O ministério colombiano das Relações Exteriores protestou oficialmente contra essa "homenagem ofensiva" que provocou "a indignação da Nação e do governo da Colômbia". A nota verbal que foi enviada para as autoridades de Caracas lembrou que "as Farc estão diretamente envolvidas no tráfico de drogas e em outros atos criminosos tais como os homicídios, os seqüestros, o recrutamento de crianças e a utilização de minas anti-pessoais".

"Esta homenagem a Marulanda constitui uma afronta para a dignidade do nosso país, para os soldados e os cidadãos que padeceram com o vandalismo perpetrado por 'Tirofijo' e seus seguidores", afirmou, por sua vez, Manuel Velásquez, o presidente da comissão das relações exteriores do Senado. Inscrita na lista negra das organizações terroristas, as Farc têm sido motivo para desavenças entre Álvaro Uribe, que lhes declarou uma guerra sem mercê, e o governo de Hugo Chávez, suspeitado de ajudá-las.

A entidade que está na origem desta iniciativa polêmica é a Coordinadora Continental Bolivariana (Coordenação Continental Bolivariana, CCB), à qual pertencem cerca de cem organizações de extrema-esquerda latino-americanas.

Para comemorar a morte do chefe guerrilheiro, a CCB também anunciou o lançamento de uma biografia de Marulanda, além da realização de um seminário sobre o tema da "pertinência da luta armada na América Latina". Fundada há cinco anos, a CCB contava Marulanda entre os seus principais membros honorários.

"Nós agradecemos às organizações políticas e sociais, além da CCB e do povo irmão da Venezuela por esta iniciativa sensacional", escreveu Alfonso Cano, o sucessor de Manuel Marulanda, num texto que foi publicado na sexta-feira no site na Internet da Agência Anncol, vinculada às Farc.

Em Caracas, Frank Leon, um membro venezuelano da CCB, negou que o governo de Hugo Chávez ou as FARC tivessem participado ativamente do projeto de comemoração. Hugo Chávez que no momento da inauguração da estátua estava em viagem oficial na Rússia com o objetivo de comprar armas, ainda não se pronunciou a respeito da questão. Jean-Yves de Neufville

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