UOL Notícias Internacional
 

08/10/2008

ONGs chinesas denunciam os abusos sistemáticos dos direitos humanos durante os Jogos Olímpicos de Pequim

Le Monde
Brice Pedroletti
Em Pequim (China)
Wu Dianyuan, 79 anos, e Wang Xiuying, 77, haviam comovido a opinião pública internacional durante os Jogos Olímpicos de Pequim depois da sua condenação a uma pena de um ano de reclusão num campo de reeducação pelo trabalho, por terem solicitado uma autorização para manifestarem nas "zonas de protesto", as quais haviam sido designadas para este efeito pela municipalidade. Algumas semanas atrás, estas duas senhoras idosas haviam enviado para a Human Rights In China (HRIC), a ONG de defesa dos direitos humanos na China baseada em Hong-Kong, uma carta dirigida a todos aqueles que as haviam apoiado: a decisão administrativa de enviá-las para um campo havia sido anulada.

Esta bondade constitui uma exceção. Em 23 de setembro, Li Xueli, o signatário de uma petição, habitante do Henan, que também havia entrado com um pedido para poder utilizar as "zonas de protesto", foi condenado a uma pena de seis meses num campo de reeducação pelo trabalho, segundo informou a ONG China Human Rights Defenders (CHRD). Três dias mais tarde, os parentes e amigos de outro cidadão que fizera um pedido de autorização similar, Ji Sizun, foram informados de que este militante da província do Fujian, que estava desaparecido desde 11 de agosto, havia mesmo sido preso.

Um mês e meio depois do encerramento dos Jogos de Pequim, as associações de defesa dos direitos humanos - todas elas baseadas fora do território chinês - já conseguem elaborar um balanço mais completo daquilo que pode ter acontecido com os militantes ou os signatários de petições desaparecidos; ou seja, todos os cidadãos que as autoridades haviam achado por bem "neutralizar", no quadro de uma campanha de repressão que a CRHD qualifica de "abuso dos direitos humanos sistemáticos, diretamente relacionados às Olimpíadas".

Alguns exemplos: em Xangai, os membros da família de Duan Huimin, um signatário de petição que morreu em detenção em 2007, encontram-se em regime de prisão domiciliar desde 25 de julho. Em Shenzhen, um militante engajado na defesa dos direitos do consumidor, Chen Shuwei, foi conduzido em 24 de julho para uma "prisão secreta" da cidade, e depois libertado em 29 de setembro. Hu Jing, um militante dos direitos do trabalho de Chongqing, foi internado num asilo psiquiátrico, no início de julho, onde permaneceu até ser libertado, em 19 de setembro. Huang Qi, um militante dos direitos humanos de Chengdu, que havia sido condenado em julho por "posse ilegal de um segredo de Estado" - ele pretendia ajudar os pais das crianças mortas nas escolas do Sichuan -, só obteve a autorização para ver seus advogados em 23 de setembro.

"Desaparecida" durante as Olimpíadas, Zeng Jinyan, a mulher do conhecido militante dos direitos humanos, Hu Jia, que foi condenado e se encontra preso, foi mantida isolada dentro de um hotel em Dalian durante dez dias. Por estar doente, ela acabou sendo autorizada a retornar para casa, com o seu bebê, antes do final dos Jogos, mas a permissão foi acompanhada da proibição formal de entrar em contato com qualquer pessoa, segundo ela mesma explicou ao "Le Monde". Vigiada, ela recebeu telefonemas de desconhecidos que tentaram dissuadi-la de falar com a imprensa.

Hu Jia está incluído entre os possíveis vencedores do Prêmio Nobel da paz que será atribuído em 10 de outubro. Zeng Jinyan foi autorizada a visitar seu marido em 25 de setembro, na prisão de Chao Bai, em Tianjin, onde ele compartilha uma cela com vários outros detentos. Ele foi colocado em regime de confinamento solitário em 13 de agosto, numa cela onde foi mantido algemado e com correntes nos pés, por ter defendido seu direito a se expressar livremente. "A diretoria da prisão não vê com bons olhos os conselhos que ele distribui nas prisões a respeito dos direitos humanos", diz o seu advogado, Li Fangping.

Quanto ao advogado Gao Zhisheng, que também está incluído entre os possíveis vencedores do Nobel da paz, os seus colegas de profissão estão sem notícia dele há vários meses. Segundo integrantes do serviço de imprensa do Falun Gong, o movimento religioso do qual o advogado havia empreendido defender os membros perseguidos na China, ele teria sido levado em 7 de agosto para o seu domicílio, onde permanecera em regime de prisão domiciliar, e depois teria sido submetido à tortura. Mas essas acusações não foram confirmadas até o presente momento. Jean-Yves de Neufville

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