UOL Notícias Internacional
 

15/10/2008

Predomina a desconfiança nas negociações internacionais que visam a encontrar um acordo para a questão da Geórgia

Le Monde
Natalie Nougayrède
Em Viena (Áustria)
As "discussões internacionais" que estavam previstas pelo acordo de cessar-fogo de 12 de agosto negociado pela França, deverão ser iniciadas na quarta-feira, 15 de outubro em Genebra, com a presença dos protagonistas da guerra que ocorreu no começo de agosto na Geórgia. Dedicadas às questões da "segurança e da estabilidade na região", elas serão realizadas no nível dos especialistas.

A Rússia não deverá participar da sessão plenária na parte da manhã. Ela tomou esta decisão para protestar contra o fato de que os emissários da Ossétia do Sul e da Abkházia não estariam presentes nesta reunião preliminar. A Rússia, que reconheceu de maneira unilateral, em 26 de agosto, as "independências" desses territórios separatistas, exigia que eles fossem representados ao mesmo título que a Geórgia. O que era uma condição inadmissível para os georgianos.

A presidência do processo de negociação será compartilhada pela ONU, a União Européia e a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE). Os Estados Unidos, a Rússia e a Geórgia serão os principais protagonistas das discussões.

Para os ocidentais, a dificuldade consiste em deslanchar um processo visando a encontrar um acordo sem dar a impressão de que eles estejam homologando a secessão dos dois territórios da Geórgia. Para evitar uma situação desse tipo, eles tomaram a decisão de criar uma espécie de encenação particular. Durante as reuniões dos "grupos de trabalho", previstas para ocorrerem na tarde de quarta-feira (um grupo dedicado à segurança, e o outro às questões "humanitárias", que incluem as dos refugiados e dos que perderam sua moradia), não haverá nenhum painel indicando o nome nem a origem dos participantes.

"Administração do armistício"
Às vésperas dessas negociações, um jantar deverá reunir em Genebra, entre outros, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o ministro francês das relações exteriores, Bernard Kouchner, que representará a União Européia, da qual a França está exercendo atualmente a presidência rotativa, além de representantes da OSCE.

Segundo explicaram diplomatas, a Rússia deseja impor uma determinada cadência ao processo de Genebra (a previsão é de que uma reunião deverá ser realizada uma vez a cada duas semanas), de modo que o processo desemboque antes do final do ano na formulação de "recomendações". Contudo, as discussões de Genebra se destinam supostamente a solucionar pontos importantes, que permaneceram indefinidos nos textos relativos ao cessar-fogo.

Entre essas ambigüidades se destaca a definição das modalidades de retirada dos russos, que deveriam retornar "para as linhas anteriores ao desencadeamento das hostilidades". Os georgianos querem que no médio prazo a Rússia retire todas as unidades que entraram nos territórios separatistas da Geórgia a partir de 7 de agosto. Eles lembram também que antes desta data, o exército russo não tinha nenhum soldado e nenhum mandato em determinados setores da Ossétia do Sul (como em Akhalgori) e da Abkházia (nas alturas dos desfiladeiros de Kodori), atualmente ocupados.

Outras questões dizem respeito ao raio de ação dos cerca de duzentos observadores da UE. A Rússia gostaria de limitar suas atividades a tarefas de vigilância dos militares georgianos, e se disse ainda satisfeita com o fato de que a UE seja "garante do não-uso da força". O mesmo tipo de dúvida paira sobre o papel dos observadores da OSCE: os 28 delegados que estão presentes atualmente na Geórgia até agora não foram autorizados a penetrar na Ossétia do Sul.

Com tudo isso, o processo de Genebra está sendo iniciado em meio a um ambiente de incertezas. "Este será o órgão de administração do armistício", comenta um diplomata ocidental. "Mas, tudo permanece incerto: o governo da Ossétia do Sul pediu demissão; não se sabe qual será a nova estrutura militar que a Rússia pretende instalar nesta área; além disso, entre os russos e os georgianos, tudo está por reconstruir, pois não existem nem sequer relações diplomáticas ente eles".

Reunidos em Luxemburgo na segunda-feira (13), os ministros europeus das relações exteriores não conseguiram chegar a um entendimento em torno de uma possível retomada das discussões com Moscou a respeito de um acordo de parceria entre a UE e a Rússia (elas foram postergadas para uma data indeterminada). O Reino Unido, a Polônia, os Estados Bálticos e a Suécia consideram insuficiente a retirada dos russos das zonas adjacentes aos enclaves separatistas. "Talvez seja mais sábio esperar mais um pouco", comentou Bernard Kouchner. "Primeiro, vamos nos concentrar na conferência de Genebra; depois, avaliaremos as evoluções no terreno". Jean-Yves de Neufville

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