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18/10/2008

Sarkozy quer convencer Bush da necessidade de criar uma nova Bretton Woods

Le Monde
Arnaud Leparmentier
Nicolas Sarkozy se reúne com George W. Bush, neste sábado, em Camp David, na residência de veraneio dos presidentes americanos no Maryland (Leste). Para o presidente francês, que efetuará esta visita na qualidade de presidente da UE, trata-se de obter dos americanos que eles aceitem se empenhar na elaboração de uma resposta internacional à crise financeira.

O objetivo deste encontro é de definir uma agenda visando a reformar o sistema financeiro mundial, num processo que deverá desembocar na realização de uma grande conferência internacional. Esta seria inspirada no modelo da de Bretton Woods, aquela cidade dos Estados Unidos onde, em julho de 1944, a comunidade internacional havia decidido implantar uma indexação do valor das moedas ao dólar, além de um sistema de câmbio fixo.

Entretanto, a iniciativa de convocar uma grande reunião visando a uma reformulação completa das regras do capitalismo financeiro pressupõe que se chegue antes a um acordo a respeito das nações que dela irão participar. Os franceses desejam que ela envolva um G8 ampliado, que reuniria os países mais ricos do mundo, mais a Rússia, a China e a Índia. Vai ser preciso também encontrar um acordo em relação à data desta cúpula: os europeus preferem que ela seja realizada depois da eleição presidencial americana (4 de novembro), de modo que o presidente eleito possa estar presente. Mas eles também preconizam que ela seja organizada dentro de um prazo bastante curto, ainda no mês de novembro, sem precisar esperar que o novo presidente americano assuma suas funções, em janeiro.

A UE deseja ainda que esta futura cúpula desemboque em decisões concretas, e não apenas numa resolução em torno de grandes princípios ou de promessas. Os dirigentes europeus temem, sobretudo, que quando a calma tiver voltado nas praças financeiras, os americanos acabem concluindo que, finalmente, o mercado não funcionou tão mal assim e que não há necessidade de se promover qualquer reforma em profundidade.

Contudo, a nações mais ricas precisarão ainda entrar em acordo em relação às regras que deverão ser reformadas. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, apresentou numerosas propostas aos seus homólogos europeus, que incluem desde a consolidação do FMI até um controle reforçado das instituições bancárias internacionais. Em todo caso, trata-se de questões muito técnicas que exigirão negociações muito demoradas até serem resolvidas.

A questão dos "hedge funds", esses fundos especulativos instalados em paraísos fiscais, também será crucial. Se os paraísos fiscais continuarem agindo como bem entendem, isso poderá provocar uma ruptura no sistema financeiro mundial. Para remediar a este problema, seria necessário que os britânicos e os americanos adotem uma posição firme, de maneira que esses paraísos fiscais, que funcionam como filiais de Wall Street, sejam obrigados a respeitar uma série de regras.

Na sexta-feira (17), George W. Bush afirmou que a modernização da regulamentação financeira deveria ser uma das primeiríssimas prioridades do seu sucessor. No entanto, ele também fez uma ressalva, alertando contra os efeitos indesejáveis de novas regulamentações. Jean-Yves de Neufville

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