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21/10/2008

As apostas on-line prosperam dentro da ilegalidade

Le Monde
Joël Morio
Embora elas sejam, por enquanto, ilegais na França, as apostas on-line vêm prosperando. Segundo a La Française des Jeux, a empresa estatal que detém o monopólio sobre as loterias e os jogos de apostas, os sites de jogos na Internet realizariam um faturamento global de 500 milhões de euros (cerca de R$ 1,4 bilhão) por ano, enquanto especialistas avaliam que o número dos apostadores on-line em cerca de 500 mil. "Esses dados são, por definição, inverificáveis uma vez que eles dizem respeito a uma atividade ilegal", comenta o senador François Trucy (um eleito do partido UMP, governista, do departamento do Var, no sul), autor de vários relatórios sobre esta questão.

O fenômeno está longe de ser marginal. O Zeturf, por exemplo, um site na Internet de apostas em corridas hípicas dirigido por Emmanuel de Rohan-Chabot, um antigo banqueiro francês, reivindica mais de 75 mil usuários ativos. Christian de Cailleux, por sua vez, lançou na terça-feira, 14 de outubro, o WinComparator, um site dotado de um software que permite comparar as cotações dos agenciadores de apostas em mais de vinte esportes.

Este antigo co-fundador da Steameo, uma empresa de telecomunicações especializada na comercialização dos cartões pré-pagos, quer começar a preparar o terreno uma vez que o mercado dos jogos on-line deverá ser parcialmente liberalizado na França daqui até o final de 2009. A originalidade do site consiste em compilar as informações esportivas e em comparar as cotações dos agenciadores de apostas. "Anteriormente, era preciso conectar-se nos portais de informação esportiva e acessar cada um dos sites dos agenciadores de apostas para comparar as cotações propostas. Daqui para frente, todas essas informações estão reunidas num mesmo local, e isso permitirá que os apostadores possam otimizar seus ganhos", explica Christian de Cailleux.

Baseado no Reino Unido, um país onde as apostas on-line são enquadradas pela lei, o WinComparator não teme particularmente provocar a cólera das autoridades francesas. Ao clicar no símbolo de um agenciador de apostas, o internauta francês poderá aceder diretamente ao seu conteúdo. E ele nem sequer precisará dominar a língua de Shakespeare: todos esses sites têm uma versão em francês. Neles, o jogador apenas poderá ler uma advertência segundo a qual "as loterias e os jogos de azar são proibidos na França, com a exceção daqueles organizados pelas companhias que gozam de um monopólio de Estado".

Fonte de manipulações
Qual seria o risco que o internauta francês estaria correndo ao passar por cima desta lei? "Não há risco algum", assegura Antoine Dorin, o presidente da Federação francesa dos jogadores de pôquer. "É proibido organizar jogos de azar, mas a lei não impede praticá-los", justifica. "Os riscos são consideráveis", considera por sua vez o senador François Trucy. "O número dos jogadores dependentes vem aumentando, enquanto os menores de idade ou aqueles que estão proibidos por lei de jogarem podem se inscrever livremente nos sites estrangeiros". Mas, uma coisa é certa: antes de se candidatar a viver as grandes emoções do jogo na Internet, convém tomar algumas precauções.

A primeira consiste em não deixar-se tentar pelos inúmeros e-mails publicitários recebidos. Eles incitam geralmente a jogar em loterias ou a tomar parte de jogos de cassino, atividades estas que é preferível proscrever na Internet. O pôquer on-line também pode ser uma fonte de manipulações. A priori, o participante joga contra jogadores reais, mas já houve casos em que um participante na mesa teve toda latitude para ver o jogo dos seus adversários.

Alguns sites de apostas esportivas autorizam as paradas em cerca de uma centena de disciplinas esportivas e em milhares de partidas. Ora, existe um perigo real de haver manipulação do resultado. O risco é relativamente reduzido quando o apostador se limita às competições das primeiras divisões das mais importantes disciplinas esportivas, realizadas nos grandes países. Ele pode ser elevado quando o apostador se aventura a arriscar sua sorte em esportes "exóticos" tais como o jogo de flechinhas. Convém igualmente evitar apostar em fatos secundários que ocorrem em determinados momentos de uma partida - o primeiro jogador que receberá um passe, por exemplo - "porque o risco de corrupção é muito grande", avalia um porta-voz da Française des Jeux.

De maneira geral, antes de inscrever-se num site, convém colher informações a respeito da sua reputação. "Não se deve hesitar a freqüentar os fóruns de discussão para tomar conhecimento das reações dos outros jogadores, ou ainda para se assegurar de que existe uma "hot line" que os interessados deverão procurar antes de iniciarem suas apostas", explica Antoine Dorin.

Por conta da inexistência de um quadro legislativo, a apostador on-line (francês) por enquanto não está amparado por nenhuma verdadeira garantia. A atividade dos sites estrangeiros irrita as autoridades francesas. No sábado, 11 de outubro, os policiais da secção judiciária das corridas e dos jogos confiscaram, na cidade de Tours (sul de Paris), plaquetas usadas como tentos de jogo, baralhos e o material publicitário por ocasião de uma etapa de qualificação do France Poker Tour. Contudo, este torneio nada tinha de ilegal, argumentam os organizadores, mas aquele evento era patrocinado pelo Winamax, um site de jogos britânico. Jean-Yves de Neufville

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