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23/10/2008

Os irmãos Fidel e Raul Castro são homenageados pela Igreja ortodoxa russa

Le Monde
Marie Jégo
em Moscou
Uma igreja ortodoxa russa, de Nossa Senhora de Kazan, foi inaugurada no domingo, 19 de outubro no bairro histórico da Antiga Havana em Cuba, no que foi interpretado pelos observadores com um sinal do fortalecimento das relações entre os dois antigos aliados da guerra fria.

Após ter assistido ao ofício religioso, o presidente cubano Raul Castro, 77 anos, recebeu a visita do metropolita (arcebispo) Kirill no Palácio da Revolução.

Saudando a contribuição de Fidel e Raul Castro, que permitiram viabilizar a inauguração de uma "nova etapa" nas relações entre Moscou e Havana, Kirill condecorou os dois irmãos com a insígnia da ordem do príncipe Daniel, da Igreja ortodoxa. Fidel Castro recebeu seu distintivo em seu "retiro médico", segundo informou a agência cubana Prensa Latina.

O retorno de Moscou
Em sua alocução, Kirill, que é a segunda autoridade mais importante na hierarquia do Patriarcado ortodoxo de Moscou, também louvou "o povo cubano", que construiu a igreja "às suas custas", embora o país esteja "longe de ser rico", lembrou o sacerdote. "Esta iniciativa comoveu profundamente o povo russo, ela não será esquecida", acrescentou. Para também marcar sua presença neste evento, o vice-primeiro-ministro russo Igor Setchin fez a doação para a igreja de um ícone da Virgem.

A construção da igreja, que teve início em 2004, simboliza o retorno da Rússia nesta região do mundo. Na época da URSS, Moscou era o principal investidor e credor da ilha, assim como o seu principal aliado militar frente ao inimigo norte-americano. Contudo, em conseqüência do desmoronamento da URSS em 1991, as relações acabaram se afrouxando, e a Rússia praticamente abandonou Cuba à sua própria sorte.

Em 2002, a base de escutas russa instalada na ilha foi fechada, sem que as autoridades de Havana tivessem sido consultadas a respeito. Mas, as autoridades dos dois países consideram hoje que esta página da história foi virada. "Nós recobramos nossas forças, e hoje nós voltamos a ser uma grande potência", explicou o metropolita Kirill durante a sua visita. No momento em que as relações entre a Rússia e os Estados Unidos estão fortemente estremecidas, as autoridades de Moscou buscam recuperar ao menos em parte a sua influência nesta região do mundo.

Recentemente, as relações da Rússia com a Nicarágua foram fortemente dinamizadas desde o reconhecimento pelo presidente Daniel Ortega da independência das regiões separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia. Paralelamente, uma cooperação militar está prestes a ser concluída com o Equador.

Já, entre a Venezuela e Moscou, as relações nunca estiveram tão cordiais, conforme se pode deduzir da freqüência das visitas em Caracas dos dirigentes russos. Aliás, no final do mês de novembro, os dois países deverão realizar grandes manobras navais conjuntas no mar do Caribe. Jean-Yves de Neufville

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