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29/10/2008

A direita chilena tira proveito do desgaste da coalizão de centro-esquerda

Le Monde
Christine Legrand
Em Buenos Aires
No Chile, a coalizão governamental de centro-esquerda sofreu um revés nas eleições municipais de domingo, 26 de outubro, quando perdeu as prefeituras da maior parte das grandes cidades em proveito da direita. "A dispersão, a carência de unidade, a inexistência de novas lideranças", explicam este declínio, segundo o ministro do Interior, Edmundo Perez Yoma. A coalizão Concertación Democrática (Entendimento Democrático), que governa o Chile desde o retorno da democracia, em 1990, está enfraquecida pelo descontentamento social, por escândalos de corrupção e por divisões internas.

A Aliança pelo Chile (de direita) foi a vencedora na eleição dos prefeitos, com 41% dos votos, frente ao Entendimento Democrático (39%). O candidato ultraconservador da União Democrata Independente (UDI), Pablo Zalaquett, conquistou a prefeitura de Santiago com mais de 47% dos votos, superando Jaime Ravinet (36%), uma liderança da Democracia Cristã (DC, que participa da coalizão governamental). Ravinet havia sido o prefeito da capital durante os anos 1990. O centro-esquerda também perdeu as prefeituras de Valparaíso, Concepción, Temuco, Rancágua e Iquique, as quais tradicionalmente eram controladas pelo Entendimento Democrático.

Ainda assim, a coalizão do Entendimento Democrático foi a vencedora da eleição dos conselheiros municipais, disputada no sistema proporcional, com 45% dos votos, contra 36% para a direita. Para a eleição dos conselheiros, a coalizão do Entendimento apresentou, pela primeira vez, duas listas separadas: a primeira, integrada pelo Partido Socialista e a Democracia Cristã, a segunda pelo Partido pela Democracia (PPD) e o Partido Radical Social-Democrata (PRSD), duas pequenas agremiações.

"Distância em relação a Pinochet"
No momento em que falta um ano para a eleição presidencial de dezembro de 2009, o cientista político Oscar Godoy avalia que "se o Entendimento Democrático não encontrar um candidato de unidade, isso poderá decretar o fim desta coalizão". Ele aponta que a direita, unida em torno da liderança do rico homem de negócios Sebastian Piñera, à frente da Aliança pelo Chile, "conseguiu se manter alheia à imagem da ditadura militar do general Augusto Pinochet (no poder à frente da junta militar de 1973 a 1981; e como presidente da República de 1981 a 1990); e se apresenta como uma direita democrática e como uma alternativa para a mudança".

Segundo as pesquisas de opinião, 60% dos chilenos se dizem profundamente decepcionados com os homens políticos. Por exemplo, 80% dos cidadãos com idades de 18 a 35 anos não se inscreveram para votar no pleito de domingo. O ambiente de morosidade foi agravado pela crise econômica mundial. O Chile, que é o maior produtor de cobre do mundo, vem padecendo da queda das cotações deste metal conhecido como o "ouro vermelho", que representa 45% das suas exportações. Em meados de outubro, o Banco Central anunciou uma injeção gradativa de liquidez no circuito monetário nacional, que poderá alcançar o montante de até US$ 5 bilhões (R$ 11,26 bilhões), destinada a fazer frente aos efeitos da crise mundial. Jean-Yves de Neufville

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