UOL Notícias Internacional
 

29/10/2008

Livre das acusações que pesavam contra ele, Dominique Strauss-Kahn põe o FMI para funcionar contra a crise

Le Monde
Hugo Dixon
Dominique Strauss-Kahn parece ter recuperado toda a sua influência. Agora que o patrão do Fundo Monetário Internacional (FMI) foi lavado das acusações de abuso de poder que haviam sido dirigidas contra ele, só lhe resta a fazer o melhor uso possível do poder de que ele dispõe. No momento em que o FMI está negociando dispositivos de salvamento com vários países, Strauss-Kahn está prestes a complementar o arsenal do Fundo com uma arma nova e poderosa.

Até que foi uma boa idéia aquela de propor empréstimos de emergência às economias em desenvolvimento sem impor condições em demasia. Se o FMI tivesse procedido como de costume - exigindo a implantação de severas medidas de austeridade, vários países teriam pensado duas vezes antes de pedirem dinheiro, ou ainda teriam tomado a decisão tarde demais. Essas tergiversações teriam então provocado uma nova onda de choque sobre o sistema financeiro mundial. Em função desta nova política, até US$ 100 bilhões (R$ 215 bilhões) serão injetados na Europa do Leste, o que permitirá devolver a estabilidade a esta parte do mundo.

O FMI também está certo ao conceder sua ajuda conforme uma regra de dois pesos e duas medidas. Assim, a Argentina não conseguiu chegar a um acordo com o FMI e, com isso, se vê agora obrigada a confiscar os haveres dos fundos de aposentadoria privados que operam no país. Ora, é absolutamente justo que ela não tenha acesso aos recursos do FMI, enquanto ela continuar se recusando a implementar reformas profundas.

Contudo, não se deve acreditar que os países da Europa do Leste não tenham responsabilidade alguma na crise. Enquanto alguns dentre eles praticaram políticas macroeconômicas antes sensatas, de maneira geral eles se mostraram mal avisados em matéria de política financeira. Em muitos casos, os cidadãos contaram demasiadamente com os capitais estrangeiros. Ao longo dos últimos anos, nós pudemos acompanhar esse tipo de mecanismo em ação, sobretudo por ocasião da irrupção de crises nos países em desenvolvimento, entre outras, durante aquela de 1997 na Ásia.

Reformar
Os países que terão dado mostras de certa competência devem poder aceder à ajuda do FMI sem precisarem oferecer grandes contrapartidas para tanto, mas os fundos a serem emprestados deveriam ser devolvidos o quanto antes. Caso financiamentos de longo prazo forem solicitados, Dominique Strauss-Kahn deverá exigir a implementação de reformas.

Esses países deveriam eleger como prioridade a meta de regulamentarem seu sistema bancário, de modo a limitarem sua dependência em relação aos capitais estrangeiros. Eles precisam dedicar-se a promover reformas o mais rápido possível, caso contrário eles serão obrigados a lidar com uma dose dupla de restrições no dia em que eles recorrerão novamente ao FMI. Jean-Yves de Neufville

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